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Por Nayara Cristina
A convenção do União Brasil, realizada nesta quinta-feira (30), em Cuiabá, segue cercada por expectativa e intensa movimentação política. Em meio ao impasse entre a pré-candidatura do senador Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso e o projeto governista liderado pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o presidente estadual do Progressistas (PP), Nilson Leitão, adotou um discurso cauteloso e afirmou que qualquer definição sobre apoio eleitoral dependerá, primeiro, da decisão oficial que será tomada pelo União Brasil.
Durante entrevista à imprensa antes da convenção do PP, Leitão explicou que, por força da Federação União Progressista, o papel do Progressistas neste momento é apenas homologar seus candidatos e encaminhar a documentação ao União Brasil, que concluirá o processo antes da homologação definitiva da federação.
Segundo ele, somente após a formalização jurídica das candidaturas será possível discutir oficialmente o apoio ao candidato ao Governo do Estado.
“Hoje não existe candidato formalmente homologado. Não posso declarar apoio para alguém que ainda não é candidato perante o partido. Primeiro precisamos vencer o dia de hoje”, afirmou.
O dirigente explicou que, após a homologação das convenções, a condução das candidaturas deixa de ser responsabilidade individual dos partidos e passa a ser exercida pela Federação União Progressista, que reunirá PP e União Brasil sob uma única estrutura partidária.
“A figura do partido desaparece nesse momento e quem passa a comandar todo o processo é a federação, inclusive a representação institucional e os mandatos”, explicou.
Leitão detalhou que a missão do PP nesta etapa consiste em apresentar seus candidatos a deputado federal, deputado estadual, ao Senado e suplência, permitindo que essas indicações sejam incorporadas à chapa única da federação antes do encaminhamento da documentação à Justiça Eleitoral.
Entre os nomes apresentados pelo Progressistas estão o próprio Nilson Leitão, os ex-deputados federais Victório Galli e Paulo José, a vereadora Magali, além de uma segunda candidata que será incluída para atender às novas exigências do Tribunal Superior Eleitoral sobre a cota mínima de participação feminina por partido.
Segundo ele, a mudança promovida recentemente pelo TSE obrigou o PP a reformular sua composição proporcional para alcançar o percentual mínimo de 30% de mulheres na chapa.
“O TSE alterou essa regra recentemente. Tivemos que adequar a composição do partido para cumprir a legislação. É um imbróglio provocado por uma mudança no meio do processo, mas que amplia a participação feminina”, observou.
Na composição majoritária, o Progressistas confirmou que apresentará a senadora Margareth Buzetti como candidata ao Senado, tendo o ex-senador Cidinho Santos como primeiro suplente. O partido não indicará candidato a vice-governador e acompanhará a definição que vier a ser construída pela Federação União Progressista.
Apesar das pressões internas, Nilson Leitão evitou revelar preferência entre Jayme Campos e Otaviano Pivetta. Segundo ele, sua responsabilidade como presidente estadual do PP é preservar a unidade partidária enquanto o União Brasil conclui suas deliberações.
“Vou ouvir todo mundo. O União Brasil precisa resolver primeiro a sua situação. Depois disso, o Progressistas vai discutir o encaminhamento. Não vou contaminar nossa convenção antecipando uma posição”, afirmou.
Leitão também reconheceu que a disputa interna poderá produzir desgastes políticos, mas defendeu cautela e diálogo para evitar uma ruptura dentro do grupo governista.
“Política se faz com diálogo e paciência. Tem muita gente trabalhando para construir entendimento. Nesta altura, pode acontecer tudo, inclusive nada”, disse, recorrendo à frase que utilizou para ilustrar o momento de indefinição vivido pela federação.
Ao comentar o cenário nacional, o presidente estadual do PP voltou a defender a senadora Tereza Cristina como um dos principais nomes do partido para a disputa presidencial, afirmando que ela reúne credibilidade junto ao agronegócio, ao setor produtivo e ao empresariado brasileiro. Segundo ele, o nome da parlamentar sul-mato-grossense também tem sido lembrado para compor uma eventual chapa presidencial como candidata a vice-presidente, tema que ainda permanece em discussão dentro das articulações nacionais do Progressistas.
Enquanto o Progressistas concluiu sua convenção pela manhã, todas as atenções da política mato-grossense permanecem voltadas para a decisão do União Brasil, que poderá definir ainda nesta quinta-feira os rumos da sucessão estadual e o futuro da principal federação partidária do Estado.
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