CASO ZAMPIERI

MP recorre após júri e tenta elevar penas de trio condenado a mais de 68 anos pela morte de Zampieri

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MP recorre após júri e tenta elevar penas de trio condenado a mais de 68 anos pela morte de Zampieri

JBNews

Antônio Gomes, Hedilerson Fialho e Etevaldo Caçadini foram condenados após três dias de julgamento; Ministério Público agora questiona dosimetria aplicada pelo juiz

O julgamento que condenou três homens pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri entrou em uma nova batalha judicial. O Ministério Público de Mato Grosso apresentou recurso para tentar aumentar as penas impostas a Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, condenados pelo Tribunal do Júri de Cuiabá a penas que, somadas, ultrapassam 68 anos de prisão.

A apelação foi apresentada após a sentença proferida no encerramento do júri realizado entre 29 de setembro e 2 de outubro. A iniciativa ministerial tem como foco a dosimetria das penas e foi fundamentada no artigo 593, inciso III, alínea “c”, do Código de Processo Penal, dispositivo que permite questionar a sentença quando houver suposto erro ou injustiça na aplicação da pena.

Hedilerson recebeu a maior condenação: 25 anos de reclusão. Antônio Gomes, executor confesso, foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias. O coronel da reserva do Exército Etevaldo Caçadini recebeu a mesma pena de Antônio: 21 anos, 10 meses e 15 dias.

Somadas, as condenações chegam a 68 anos, 9 meses e 30 dias.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram a responsabilidade criminal dos três pelo homicídio de Zampieri, executado a tiros na noite de 5 de dezembro de 2023, quando estava dentro de seu veículo nas proximidades do escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

O processo levado a julgamento ultrapassa 55 mil páginas e concentrou uma longa sequência de depoimentos, interrogatórios, perícias, mensagens e informações financeiras utilizadas para reconstruir os passos anteriores e posteriores ao assassinato.

Antônio assumiu a autoria dos disparos. Hedilerson negou participação no homicídio, embora tenha admitido durante seu interrogatório ser proprietário da arma relacionada pela perícia ao crime. Caçadini também negou ter contratado ou financiado a execução.

As versões defensivas não convenceram o Conselho de Sentença.

Agora, a discussão sai do plenário do júri e volta aos tribunais. O recurso do Ministério Público não modifica automaticamente as penas. Caberá ao Tribunal de Justiça analisar se a dosimetria aplicada deve ser mantida ou elevada.

O novo movimento também mostra que, mesmo depois da condenação histórica do trio, o capítulo judicial da execução de Zampieri está longe de terminar. Além dos recursos relacionados a esses três condenados, outra frente processual apura a participação dos acusados apontados como mandantes e demais integrantes da estrutura que, segundo a acusação, teria culminado no assassinato.