FACÇÃO SOB INVESTIGAÇÃO
jBNews
Uma mulher custodiada na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, é investigada pela Polícia Civil por suspeita de continuar exercendo funções de controle financeiro de uma facção criminosa mesmo estando presa. Nesta quarta-feira (21 de outubro), equipes policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão para aprofundar as investigações sobre a movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas na região oeste de Mato Grosso.
As ordens judiciais foram executadas pela Delegacia de Polícia de Mirassol D’Oeste, sendo duas em Rondonópolis e uma dentro da unidade penitenciária feminina da Capital, onde se encontra uma das principais investigadas.
Segundo a Polícia Civil, a mulher é apontada como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa, com possível atuação em atividades de tesouraria, controle de valores, administração de registros contábeis e coordenação de movimentações financeiras relacionadas aos crimes investigados.
As apurações indicam que, apesar da privação de liberdade, ela teria mantido contatos externos e participado do gerenciamento financeiro do grupo.
A investigação busca esclarecer como a estrutura criminosa conseguia manter o fluxo de informações e a administração de recursos, mesmo com uma das suspeitas recolhida ao sistema penitenciário.
Os trabalhos policiais identificaram indícios de uma rede de arrecadação e movimentação de dinheiro proveniente principalmente do comércio ilegal de entorpecentes, com divisão de tarefas entre integrantes responsáveis por pagamentos, recebimentos e controle financeiro.
As buscas realizadas nesta quarta-feira representam um desdobramento de investigações anteriores, nas quais foram apreendidos aparelhos celulares, documentos e registros financeiros que permitiram identificar novas conexões entre os suspeitos.
De acordo com o delegado Gustavo Ataíde, responsável pelo caso, a análise desse material possibilitou aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento da estrutura econômica da facção.
A partir dos elementos recolhidos, os investigadores conseguiram identificar novos vínculos e reunir informações para solicitar outras medidas judiciais.
Os três mandados foram expedidos pelo Juízo das Garantias do Polo de Cáceres, após representação da Polícia Civil e análise dos indícios apresentados durante a investigação.
Durante as diligências, os policiais procuraram aparelhos celulares, comprovantes de movimentações bancárias, documentos, registros contábeis e outros materiais que possam ajudar a identificar os responsáveis pelas operações financeiras.
O material recolhido deverá passar por perícia e análise para rastrear a movimentação de recursos, identificar possíveis destinatários dos valores e verificar a existência de outros integrantes ligados ao núcleo financeiro da organização.
A Polícia Civil não divulgou o nome da investigada, o tempo de prisão, os valores supostamente administrados pelo grupo nem a identificação da facção criminosa.
Também não foi informado se a mulher utilizava aparelhos de comunicação clandestinos dentro do presídio ou se contava com intermediários para transmitir orientações financeiras.
Essas circunstâncias ainda dependem do avanço das investigações.
O caso reforça uma das preocupações das forças de segurança em Mato Grosso: a possibilidade de integrantes de organizações criminosas manterem influência sobre atividades externas mesmo depois de ingressarem no sistema penitenciário.
A Polícia Civil pretende aprofundar a identificação dos responsáveis pelas transações e esclarecer a origem e o destino dos recursos suspeitos. A investigada permanece sob apuração, sem que os fatos representem uma condenação criminal definitiva.