ARRECADAÇÃO EM ALTA

Mato Grosso rompe barreira dos R$ 40 bilhões em tributos oito dias antes e arrecadação cresce 3,44%

· 3 min de leitura
Mato Grosso rompe barreira dos R$ 40 bilhões em tributos oito dias antes e arrecadação cresce 3,44%

JB News

Por Nay Cristina

Mato Grosso ultrapassou a marca de R$ 40 bilhões em tributos arrecadados em 2026 antes mesmo de completar os primeiros nove meses do ano, alcançando o patamar oito dias mais cedo do que em 2025 e colocando em evidência tanto a força da atividade econômica estadual quanto o volume de recursos retirado da economia por meio da tributação.

A marca foi alcançada no dia 3 de setembro. O montante representa a soma de impostos, taxas, contribuições e multas recolhidos nas esferas federal, estadual e municipal dentro de Mato Grosso.

Na comparação com o mesmo período de 2025, a arrecadação avançou 3,44%. O dado ganha dimensão quando comparado ao resultado do ano passado inteiro: em 2025, foram recolhidos R$ 58,2 bilhões. Isso significa que, até o início de setembro, Mato Grosso já havia arrecadado o equivalente a aproximadamente 69% de tudo o que entrou durante os 12 meses do ano anterior.

Os R$ 40 bilhões recolhidos no Estado correspondem ainda a aproximadamente 1,25% dos R$ 2,73 trilhões em tributos arrecadados no Brasil até aquele momento.

O avanço da arrecadação ocorre em uma economia fortemente movimentada pelo agronegócio, comércio, serviços, indústria e pela cadeia logística associada à produção estadual. No âmbito das receitas estaduais, o ICMS permanece como a principal engrenagem tributária, fazendo com que o comportamento do consumo, das vendas e da circulação de mercadorias tenha influência direta sobre os cofres públicos.

O crescimento também chama atenção porque ocorre em um cenário no qual empresas e consumidores convivem com juros elevados e custos financeiros que pressionam parte da atividade econômica. Mesmo diante dessas condições, Mato Grosso conseguiu antecipar em oito dias uma marca que somente havia sido atingida mais tarde no ano anterior.

Há, entretanto, uma diferença importante na interpretação dos R$ 40 bilhões. O montante não representa exclusivamente dinheiro disponível para o Governo de Mato Grosso. O cálculo agrega tributos federais, estaduais e municipais recolhidos dentro do território mato-grossense.

Essa distinção é fundamental para uma análise das contas estaduais. Para medir efetivamente quanto o caixa do Governo cresceu, é necessário observar separadamente o comportamento do ICMS, IPVA, ITCD e das demais receitas administradas pelo Estado, além das transferências recebidas da União.

Os números municipais também revelam como a geração de receitas acompanha os principais centros econômicos. Cuiabá aparece com R$ 830 milhões, seguida por Rondonópolis, com R$ 224 milhões; Sinop, R$ 167 milhões; Várzea Grande, R$ 118 milhões; Sorriso, R$ 91 milhões; e Lucas do Rio Verde, R$ 88 milhões.

O mapa da arrecadação mostra ainda o avanço econômico do interior. Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde estão inseridos em algumas das principais cadeias produtivas do Estado e funcionam como polos de comércio, serviços, logística e atividades ligadas diretamente ao agronegócio.

Para as contas públicas, a manutenção desse ritmo de arrecadação aumenta a capacidade financeira dos governos, mas também eleva a cobrança sobre o destino dado ao dinheiro. O crescimento das receitas passa a ser confrontado com despesas de saúde, educação, segurança, infraestrutura, folha de pagamento e investimentos públicos.

Há ainda outro componente econômico importante: crescimento nominal de arrecadação não significa necessariamente aumento da receita em termos reais. Parte da expansão pode ser absorvida pela inflação. O comportamento da arrecadação estadual descontada a inflação será determinante para mostrar se Mato Grosso efetivamente aumentou seu poder de investimento em 2026.

A antecipação da marca de R$ 40 bilhões, portanto, oferece duas leituras. De um lado, revela uma economia capaz de produzir uma massa tributária crescente. Do outro, dimensiona o peso da tributação sobre empresas e cidadãos.

Com mais quatro meses de arrecadação pela frente após agosto, o desempenho dos próximos meses indicará se Mato Grosso conseguirá superar com margem significativa os R$ 58,2 bilhões registrados durante todo o ano de 2025.