CIRURGIAS SOB INVESTIGAÇÃO

Médico é indiciado após pacientes denunciarem deformidades e sequelas permanentes em cirurgias plásticas em MT

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Médico é indiciado após pacientes denunciarem deformidades e sequelas permanentes em cirurgias plásticas em MT

JBNews

Por José Teixeira

O médico Lucas Danillo Moreira de Jesus foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica após uma investigação sobre complicações em cirurgias plásticas realizadas em quatro pacientes no município de Barra do Garças.

A conclusão do inquérito foi divulgada pela Polícia Civil na terça-feira, 20 de outubro de 2026, às 14h55. O procedimento foi conduzido pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças e encaminhado ao Poder Judiciário.

As investigações começaram após mulheres procurarem a polícia para denunciar complicações e resultados considerados insatisfatórios em procedimentos estéticos realizados principalmente em 2023.

Entre as cirurgias investigadas estão redução e levantamento das mamas, colocação e substituição de próteses mamárias e lipoaspiração.

Durante a apuração, quatro pacientes foram ouvidas. Os investigadores reuniram prontuários médicos, documentos hospitalares, fotografias, exames, laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e depoimentos de profissionais envolvidos nos atendimentos.

Segundo os relatos apresentados à polícia, as mulheres enfrentaram problemas como dores persistentes, cicatrizes, assimetrias e deformidades nas mamas.

Uma das pacientes relatou necrose das aréolas e dificuldades de cicatrização após duas intervenções cirúrgicas realizadas em 2023 e 2024.

Os exames periciais identificaram sequelas permanentes em duas das quatro pacientes investigadas.

Em um dos casos, o laudo constatou deformidades e cicatrizes com comprometimento estético. Em outro, foram verificadas alterações permanentes nas mamas e nos mamilos.

Nos dois casos restantes, os exames não confirmaram lesões corporais de acordo com os critérios técnicos utilizados pelos peritos.

Além das possíveis lesões provocadas pelos procedimentos, a investigação identificou indícios de falsidade ideológica relacionados ao prontuário médico de uma das pacientes.

De acordo com a apuração policial, durante a retirada de uma prótese mamária teria ocorrido o rompimento do implante, circunstância que não teria sido registrada no relatório cirúrgico correspondente.

Os investigadores analisaram as declarações da paciente, o material apresentado para exame e os registros do atendimento.

A perícia não estabeleceu relação causal direta entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela paciente. Mesmo assim, a autoridade policial considerou que havia indícios de omissão de informação relevante no documento médico.

Em interrogatório, Lucas Danillo Moreira de Jesus negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia.

O profissional afirmou que as intercorrências decorreram de fatores relacionados aos próprios procedimentos, às particularidades de cada organismo e aos processos de cicatrização.

Também declarou ter prestado acompanhamento pós-operatório e se colocado à disposição para realizar intervenções reparadoras quando necessárias.

O indiciamento representa a conclusão da análise policial sobre os elementos reunidos no inquérito. Ele não equivale a uma condenação criminal.

Com o encaminhamento dos autos ao Poder Judiciário, caberá ao Ministério Público analisar os elementos apresentados e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia.

A investigação também levanta questões sobre a documentação dos procedimentos cirúrgicos, a prestação de informações às pacientes, o acompanhamento pós-operatório e a responsabilidade profissional diante de complicações.

Até a divulgação da conclusão do inquérito, não havia confirmação de condenação judicial relacionada aos fatos investigados.

O médico permanece amparado pelo direito à ampla defesa e à presunção de inocência.