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Por Emerson Teixeira
Lucas Danillo Moreira de Jesus é investigado por lesão corporal gravíssima e falsidade ideológica; perícias identificaram deformidades permanentes em duas mulheres submetidas a cirurgias plásticas em Barra do Garças.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) determinou a abertura de uma sindicância para investigar a conduta do cirurgião plástico Lucas Danillo Moreira de Jesus, indiciado pela Polícia Civil por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica após procedimentos estéticos realizados em Barra do Garças, a cerca de 510 quilômetros de Cuiabá. A medida foi anunciada nesta terça-feira (20 de outubro), após a divulgação das conclusões de um inquérito que investigou denúncias de quatro pacientes.
A investigação policial identificou sequelas permanentes em duas mulheres, incluindo deformidades nas mamas, alterações nos mamilos, cicatrizes e comprometimento estético. As vítimas relataram complicações após procedimentos de redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses de silicone e lipoaspiração.
Os procedimentos investigados foram realizados principalmente em 2023. Uma das pacientes relatou ter enfrentado necrose das aréolas e dificuldades de cicatrização após intervenções realizadas em 2023 e 2024.
O inquérito foi conduzido pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, com relatório final elaborado em 17 de agosto de 2026. Durante a apuração, os investigadores reuniram prontuários médicos, documentos hospitalares, exames, fotografias, depoimentos e laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
As análises periciais confirmaram sequelas permanentes em duas pacientes. Em um dos casos, foram identificadas deformidades e cicatrizes que comprometeram a aparência das mamas. Em outro, os exames constataram alterações permanentes nas mamas e nos mamilos.
Nas outras duas situações investigadas, os peritos não identificaram elementos suficientes para caracterizar lesões corporais segundo os critérios técnicos adotados, embora as pacientes também tenham relatado complicações e insatisfação com os resultados dos procedimentos.
Além das suspeitas relacionadas às lesões, a Polícia Civil identificou indícios de falsidade ideológica em documentos médicos. Conforme a investigação, uma prótese mamária teria se rompido durante um procedimento de retirada, mas a ocorrência não teria sido registrada no relatório cirúrgico.
A Polícia Civil considerou a possível omissão relevante para o esclarecimento dos fatos. Entretanto, a perícia não estabeleceu relação causal direta entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela paciente.
Durante o interrogatório, Lucas Danillo negou ter cometido erro médico ou agido com negligência, imprudência ou imperícia. O profissional sustentou que as complicações decorreram de fatores associados aos próprios procedimentos, às características individuais das pacientes e aos processos de cicatrização.
Ele também afirmou ter prestado acompanhamento pós-operatório e se colocado à disposição para realizar procedimentos reparadores quando necessários.
INVESTIGAÇÃO DO CONSELHO
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira, o CRM-MT informou que determinou a instauração imediata de uma sindicância interna assim que tomou conhecimento formal das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Segundo o Conselho, o procedimento administrativo terá como objetivo apurar rigorosamente os fatos apresentados no inquérito, verificar possíveis infrações éticas e confirmar oficialmente a identidade do profissional indiciado.
A entidade esclareceu que a sindicância e eventuais processos ético-profissionais são conduzidos sob sigilo, conforme determina a legislação e o Código de Processo Ético-Profissional.
O CRM-MT ressaltou que a apuração respeitará o devido processo legal e o direito à ampla defesa, sem antecipar conclusões sobre a responsabilidade do médico.
O Conselho também reafirmou seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência à saúde e a fiscalização ética do exercício da medicina.
A instituição destacou que atua de maneira independente, mas mantém colaboração com autoridades como a Polícia Civil e o Ministério Público de Mato Grosso para o esclarecimento de possíveis irregularidades.
Com a conclusão do inquérito policial, Lucas Danillo Moreira de Jesus foi formalmente indiciado pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis e análise do Ministério Público quanto ao eventual oferecimento de denúncia.
O indiciamento não representa condenação criminal. Paralelamente à investigação penal, o CRM-MT deverá analisar a conduta profissional sob o ponto de vista ético, em procedimento próprio e sigiloso.
Até o momento, a abertura da sindicância não significa aplicação de penalidade ou suspensão do exercício profissional. Eventuais medidas dependerão da apuração dos fatos e das decisões adotadas pelas instâncias competentes.