AMPLIAÇÃO DA SAÚDE

MT investe mais de R$ 600 milhões em novos hospitais com 453 leitos; obras chegam a 71% e entregas são previstas para 2027

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MT investe mais de R$ 600 milhões em novos hospitais com 453 leitos; obras chegam a 71% e entregas são previstas para 2027

JB News

Por Nayara Cristina

Unidades de Confresa, Juína e Tangará da Serra terão UTIs para adultos, crianças e recém-nascidos, centros cirúrgicos e atendimento de alta complexidade; Hospital Universitário Júlio Müller já alcançou 95% de execução

O Governo de Mato Grosso está investindo mais de R$ 600 milhões na construção de três novos hospitais estaduais nas regiões do Araguaia, Noroeste e Médio Norte, com o objetivo de ampliar a rede pública de saúde, oferecer atendimento especializado à população do interior e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Cuiabá. As unidades estão sendo construídas em Confresa, Juína e Tangará da Serra, com obras que já atingiram entre 60% e 71% de execução e previsão de conclusão simultânea no primeiro semestre de 2027.

O balanço foi divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) no domingo, 18 de outubro de 2026, e apresenta o andamento dos empreendimentos considerados estratégicos para a regionalização dos serviços hospitalares no estado.

Cada unidade terá aproximadamente 18 mil metros quadrados de área construída, incluindo o prédio principal e estruturas complementares destinadas ao funcionamento dos serviços médicos, administrativos e de apoio.

Os projetos preveem 111 leitos de enfermaria e outros 40 leitos destinados a unidades de terapia intensiva e cuidados semi-intensivos. Somadas, as três unidades deverão disponibilizar 453 leitos, ampliando a estrutura destinada ao tratamento de pacientes que necessitam de internação, procedimentos cirúrgicos e acompanhamento especializado.

As estruturas de terapia intensiva contemplarão atendimento adulto, pediátrico e neonatal, além de cuidados semi-intensivos para recém-nascidos.

O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, informou que o planejamento prevê a conclusão das três construções ainda no primeiro semestre de 2027. A estratégia busca reduzir os chamados vazios assistenciais, caracterizados pela ausência ou insuficiência de serviços especializados em determinadas regiões.

Atualmente, pacientes de municípios distantes da capital frequentemente precisam percorrer centenas de quilômetros para realizar exames, cirurgias e tratamentos que exigem estruturas hospitalares de maior complexidade.

Com os novos hospitais, a expectativa do governo é ampliar a capacidade de atendimento regional e permitir que parte desses procedimentos seja realizada mais perto das cidades onde os pacientes residem.

Entre as construções em andamento, o Hospital Estadual do Médio Norte, em Tangará da Serra, apresenta o maior percentual de execução.

A unidade alcançou 71% de andamento físico e possui investimento previsto de R$ 155 milhões na construção.

O hospital deverá atender demandas de média e alta complexidade da região, oferecendo serviços de internação, cirurgias, exames e atendimento especializado.

Em Confresa, o Hospital Estadual do Araguaia Xingu atingiu 68% de execução, com investimento previsto de R$ 158 milhões em obras.

A unidade integra a estratégia de fortalecimento da assistência hospitalar no Araguaia, região onde as grandes distâncias entre municípios representam um desafio para o acesso a procedimentos especializados.

A implantação do hospital deverá criar uma estrutura regional para atendimento de pacientes que necessitam de cuidados mais complexos, com capacidade de internação, acompanhamento intensivo e realização de cirurgias.

Já o Hospital Estadual do Noroeste Mato-grossense, em Juína, chegou a 60% de execução, com custo previsto de R$ 151 milhões.

A unidade será destinada à ampliação dos serviços de saúde na região Noroeste, permitindo a oferta de procedimentos que atualmente podem exigir encaminhamento para outros centros de referência.

O planejamento das três unidades segue um padrão semelhante de infraestrutura, dimensionado para oferecer serviços hospitalares e ambulatoriais em diferentes especialidades.

Cada hospital deverá contar com dez consultórios médicos, dois consultórios exclusivos para atendimento a gestantes, quatro salas de pré-parto, parto e pós-parto, além de seis salas destinadas ao centro cirúrgico.

Também estão previstos espaços específicos para banco de sangue e banco de leite materno, estruturas importantes para o atendimento de pacientes submetidos a cirurgias, gestantes, mães e recém-nascidos.

Os projetos incluem ambientes destinados à realização de exames de diagnóstico, como tomografia computadorizada, colonoscopia e radiografias.

A implantação desses serviços deverá ampliar a capacidade de diagnóstico e acompanhamento de doenças que exigem equipamentos especializados, reduzindo a dependência de unidades localizadas em regiões mais distantes.

Os hospitais também deverão permitir a ampliação da assistência materno-infantil, com estruturas para acompanhamento de gestantes, realização de partos e atendimento de recém-nascidos que necessitem de cuidados intensivos.

Embora o governo informe investimento superior a R$ 600 milhões no conjunto dos três empreendimentos, os valores individualizados de construção divulgados pela SES-MT somam R$ 464 milhões. O comunicado não apresenta a discriminação integral da diferença entre esse montante e o investimento global anunciado.

A ampliação da rede hospitalar estadual também inclui unidades recentemente entregues e outras construções em fase final.

Em Alta Floresta, o Hospital Estadual do Alto Tapajós foi inaugurado no final de março de 2026, após investimentos de R$ 286 milhões.

Desse total, R$ 186 milhões foram destinados às obras e outros R$ 100 milhões à aquisição de equipamentos e mobiliário hospitalar.

Com aproximadamente 18 mil metros quadrados de área construída, o hospital possui 162 leitos distribuídos entre internação, terapia intensiva e observação.

A estrutura contempla 20 leitos de UTI para adultos, 111 leitos de internação e 24 leitos de observação, além de seis salas cirúrgicas e dez consultórios para atendimento ambulatorial.

A unidade passou a integrar a rede estadual destinada à assistência especializada, ampliando a oferta de serviços hospitalares na região de Alta Floresta.

Na capital, o Governo de Mato Grosso também concluiu a implantação do Hospital Central de Alta Complexidade, que atingiu sua capacidade plena de funcionamento em 31 de julho de 2026.

A unidade passou a disponibilizar 287 leitos e atendimento em 12 especialidades cirúrgicas, ampliando a estrutura de referência para procedimentos especializados e casos de maior complexidade.

O Hospital Central integra a organização da rede pública estadual e recebe pacientes que necessitam de serviços especializados, de acordo com os mecanismos de regulação assistencial.

Outra obra importante está localizada na MT-040, entre Cuiabá e Santo Antônio do Leverger.

O novo Hospital Universitário Júlio Müller, construído por meio de parceria entre o Governo de Mato Grosso e o Governo Federal, alcançou 95% de execução física.

O investimento informado na construção ultrapassa R$ 200 milhões, e a unidade está na fase final das obras.

O hospital universitário deverá contribuir tanto para a ampliação da capacidade de atendimento à população quanto para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e formação de profissionais da saúde.

A nova estrutura está vinculada à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), instituição que desempenha papel na formação de médicos e outros profissionais da área da saúde.

Com as unidades de Confresa, Juína e Tangará da Serra ainda em construção, o governo concentra esforços para concluir uma nova etapa da expansão hospitalar no interior.

A regionalização dos atendimentos pretende reduzir a concentração de determinados serviços em Cuiabá e facilitar o acesso da população a especialidades médicas, cirurgias e internações.

Além da entrega das estruturas físicas, o funcionamento efetivo dos hospitais dependerá da instalação dos equipamentos, da organização das equipes profissionais, da estruturação dos serviços e da integração das unidades ao sistema estadual de regulação.

A conclusão das obras, portanto, representa uma etapa anterior ao início pleno dos atendimentos, que deverá observar os procedimentos necessários para a abertura e o funcionamento de cada hospital.

Conforme o cronograma informado pela SES-MT em 18 de outubro, os hospitais estaduais de Tangará da Serra, Confresa e Juína têm previsão de conclusão das construções até junho de 2027.

Com a implantação das três unidades, Mato Grosso deverá ampliar em 453 leitos a capacidade hospitalar projetada para essas regiões, fortalecendo o atendimento de média e alta complexidade e oferecendo novas alternativas para pacientes que hoje dependem de deslocamentos para outros municípios.