TRIBUNAL DO JÚRI

Marido que matou empresária com “enforca-gato” e enterrou corpo no quintal é condenado a 31 anos em Cuiabá

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Marido que matou empresária com “enforca-gato” e enterrou corpo no quintal é condenado a 31 anos em Cuiabá

CONDENADO A 31 ANOS

JB News

Por Nayara Cristina

O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta terça-feira (20 de outubro), Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, a 31 anos e três dias de reclusão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da esposa, a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. A vítima foi morta por asfixia enquanto dormia e teve o corpo enterrado no quintal de outro imóvel de sua propriedade, no bairro Parque Cuiabá. Após o feminicídio, o marido tentou simular um sequestro para despistar familiares e investigadores.

A sentença foi estabelecida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, que presidiu o julgamento. O Conselho de Sentença acolheu a acusação apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), reconhecendo a responsabilidade de Jackson pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.

Além dos 31 anos e três dias de reclusão, o condenado recebeu pena de um mês e três dias de detenção, em regime aberto, e pagamento de 15 dias-multa. A magistrada também estabeleceu indenização correspondente a 50 salários mínimos aos sucessores da empresária, como reparação mínima pelos danos causados.

O julgamento contou com a atuação do promotor de Justiça Vinícius Gahyva, responsável por sustentar a acusação em plenário. A tese apresentada pelo Ministério Público foi acolhida pelos jurados.

O assassinato ocorreu na manhã de 4 de maio de 2026, na residência do casal, no bairro Parque Cuiabá. Segundo a denúncia, Jackson utilizou uma abraçadeira plástica de nylon, conhecida como “enforca-gato”, para asfixiar Nilza enquanto ela dormia. O ataque ocorreu sem que a vítima tivesse oportunidade de reagir ou se defender.

As investigações apontaram que o crime teve motivação patrimonial. De acordo com a acusação, Jackson pretendia obter controle sobre bens e recursos financeiros da esposa. Após o assassinato, ele teria realizado movimentações bancárias em benefício próprio, incluindo uma transferência de R$ 18 mil utilizando o cartão de crédito da empresária.

Depois de matar Nilza, Jackson transportou o corpo para outro imóvel pertencente à vítima. Para ocultar o cadáver, contratou um serviço de escavação, alegando que precisava realizar obras e construir uma fossa no terreno.

O corpo da empresária foi enterrado em uma cova com aproximadamente dois metros de profundidade. A escavação teria sido preparada previamente, circunstância considerada relevante pelos investigadores na reconstrução da dinâmica do crime.

A tentativa de ocultar o assassinato não terminou com o enterro. Conforme o Ministério Público, Jackson retirou equipamentos utilizados para armazenar imagens de câmeras de segurança da residência e elaborou uma versão falsa sobre o desaparecimento da esposa.

Ele utilizou o telefone celular de Nilza para encaminhar mensagens a familiares, simulando que a empresária havia sido sequestrada. As comunicações incluíam exigências de pagamento de resgate, numa tentativa de fazer os parentes acreditarem que a vítima estava sob poder de criminosos.

Durante o julgamento, um policial civil relatou que Jackson teria contratado uma pessoa de São Paulo para encaminhar mensagens ao próprio telefone, simulando cobranças de resgate atribuídas a integrantes de uma facção criminosa.

O condenado também procurou a Polícia Civil e registrou uma ocorrência comunicando o suposto desaparecimento da esposa. Entretanto, contradições apresentadas durante os depoimentos despertaram a atenção dos investigadores.

A análise das informações reunidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), incluindo registros de câmeras de segurança e outros elementos da investigação, enfraqueceu a versão de sequestro.

Com o avanço das diligências, Jackson acabou confessando o assassinato e indicando o local onde havia enterrado a empresária.

O corpo de Nilza foi localizado em 5 de maio de 2026, um dia depois do crime, no quintal do imóvel no bairro Parque Cuiabá. Uma retroescavadeira foi utilizada para auxiliar na retirada do cadáver. O local foi isolado para os trabalhos da Polícia Civil e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

A morte da empresária provocou comoção entre familiares e pessoas próximas. Antes do julgamento, a irmã da vítima, Nilcirene Moura de Sousa, manifestou a expectativa de que Jackson recebesse uma pena de pelo menos 40 anos de prisão.

O caso chegou ao Tribunal do Júri pouco mais de cinco meses depois do assassinato. Jackson, que já estava preso preventivamente, foi submetido ao julgamento popular após decisão judicial que determinou seu encaminhamento ao Conselho de Sentença.

Durante a sessão de terça-feira, os jurados reconheceram os crimes apresentados pela acusação, e a juíza estabeleceu as penas correspondentes.

Com a condenação, Jackson deverá iniciar o cumprimento da pena de reclusão em regime fechado. A sentença também impõe obrigações financeiras decorrentes dos crimes, incluindo a indenização aos herdeiros da vítima.

A decisão é de primeira instância e poderá ser objeto de recurso, conforme as regras processuais aplicáveis.