VIRADA NA BALANÇA

Milho dispara 89% e assume protagonismo nas exportações de Mato Grosso enquanto soja recua 61%

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Milho dispara 89% e assume protagonismo nas exportações de Mato Grosso enquanto soja recua 61%

JB News

Por Nayara Cristina

O milho assumiu o protagonismo da pauta de exportações do agronegócio de Mato Grosso em agosto e provocou uma mudança expressiva na movimentação de cargas do maior produtor de grãos do país. Enquanto os embarques do cereal dispararam quase 90% em apenas um mês, a quantidade de soja enviada ao exterior recuou 61%.

Mato Grosso exportou aproximadamente 2,99 milhões de toneladas de milho em agosto, crescimento de 89,48% na comparação com julho. O salto colocou o cereal no centro da movimentação exportadora estadual justamente no período em que a produção da segunda safra chega com maior intensidade ao mercado.

O comportamento da soja seguiu direção oposta. Os embarques do grão ficaram em aproximadamente 1,41 milhão de toneladas durante agosto, queda de 61% na comparação mensal.

Os números mostram uma mudança sazonal importante dentro da gigantesca máquina agrícola de Mato Grosso. Depois de meses marcados pelo escoamento da soja, o avanço da colheita da segunda safra transfere gradualmente para o milho a pressão sobre armazéns, transportadoras, rodovias, ferrovias e terminais responsáveis pela ligação do Estado com os portos.

Somente em agosto, Mato Grosso colocou no mercado internacional mais que o dobro de milho em relação ao volume de soja exportado. Foram aproximadamente 2,99 milhões de toneladas do cereal contra 1,41 milhão de toneladas da oleaginosa.

A diferença ajuda a dimensionar a velocidade da mudança que ocorre entre uma safra e outra dentro da economia estadual.

Mato Grosso ocupa posição central na produção brasileira de soja e milho e qualquer alteração relevante no ritmo dos embarques produz efeitos que ultrapassam as propriedades rurais. O volume de grãos disponível interfere diretamente no preço do frete, na ocupação dos armazéns, na circulação de caminhões e na demanda por serviços de transporte e logística.

O avanço de quase 90% nas exportações de milho também ocorre em um momento estratégico para os produtores. Com a entrada de grandes volumes da segunda safra no mercado, a capacidade de absorção das exportações passa a ser fundamental para reduzir a pressão sobre os preços internos.

Quanto maior o ritmo de embarques, maior tende a ser a retirada física de produto do mercado doméstico. Esse movimento pode ajudar na formação de preços e na liberação de espaço nos armazéns antes do avanço da preparação para a próxima safra de soja.

A armazenagem continua sendo uma das questões estruturais mais importantes para Mato Grosso. O Estado produz volumes gigantescos de grãos e precisa movimentar parte relevante dessa produção rapidamente, sobretudo nos períodos em que diferentes culturas disputam espaço dentro dos mesmos sistemas de armazenagem e transporte.

Nesse cenário, a logística assume papel decisivo. Rodovias como BR-163 e BR-364, terminais ferroviários e os corredores direcionados aos portos do Arco Norte tornam-se peças fundamentais para transformar produção agrícola em receita de exportação.

A ampliação da utilização dos portos do Norte do país também vem alterando a geografia do escoamento mato-grossense. A redução da distância entre as regiões produtoras e os terminais exportadores pode representar ganho de competitividade, principalmente em um setor no qual transporte representa parcela significativa do custo final.

A queda de 61% nos embarques de soja em agosto, por sua vez, não significa necessariamente retração da produção ou perda estrutural de mercado. O movimento acompanha o calendário agrícola e a redução natural da disponibilidade de soja para exportação à medida que o ano avança, enquanto o milho da segunda safra passa a ocupar maior espaço na pauta.

O contraste entre as duas commodities, entretanto, produz reflexos econômicos relevantes. A soja possui valor por tonelada superior ao milho e, por isso, mudanças na composição das exportações podem alterar o resultado financeiro da balança comercial mesmo quando o volume físico total permanece elevado.

Para Mato Grosso, acompanhar essa transição será fundamental nas próximas semanas. Se o ritmo acelerado das exportações de milho continuar durante setembro, haverá impacto direto sobre estoques, preços pagos aos produtores, demanda por transporte e ocupação dos corredores logísticos.

Também será necessário observar o comportamento dos compradores internacionais, especialmente diante das oscilações cambiais, da oferta mundial de grãos e da concorrência de outros grandes produtores.

O salto de 89,48% registrado em agosto mostra, entretanto, que o milho deixou temporariamente a condição de coadjuvante para assumir o centro da pauta exportadora de Mato Grosso. Em apenas um mês, quase 3 milhões de toneladas do cereal deixaram o Estado rumo ao mercado internacional, movimentando uma cadeia que começa dentro das propriedades rurais e termina nos grandes corredores globais de alimentos e commodities.