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Por Nayara Cristina
Mato Grosso atravessa 2026 entre os estados que mais expandem o mercado de trabalho formal no Brasil. Em julho, foram criados 5.766 empregos com carteira assinada, segundo maior saldo absoluto entre todas as unidades da Federação, enquanto no acumulado de janeiro a julho o estoque de empregos formais do Estado avançou 3,96%, também colocando Mato Grosso na segunda posição nacional em crescimento proporcional.
O resultado de julho foi produzido por 61.174 admissões e 55.408 desligamentos, deixando saldo positivo de 5.766 trabalhadores incorporados ao mercado formal.
Em números absolutos, Mato Grosso ficou atrás somente de São Paulo, que abriu 17.814 postos no mês. Minas Gerais apareceu posteriormente, com saldo de 5.199 empregos.
Proporcionalmente, Mato Grosso também esteve entre os maiores destaques. O estoque de empregos formais cresceu 0,59% somente em julho, segunda maior expansão entre os estados, atrás do Amazonas, com 0,63%.
O desempenho fica ainda mais expressivo quando observado o acumulado do ano. Entre janeiro e julho, o mercado formal mato-grossense registrou crescimento de 3,96%. Apenas o Amapá, com 4,79%, apresentou variação proporcional superior. O Piauí veio logo depois de Mato Grosso, com crescimento de 3,74%.
O resultado estadual contrasta com a desaceleração observada no mercado de trabalho brasileiro. O país criou 58.568 empregos formais em julho, resultado 56% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando haviam sido abertas 133.932 vagas.
Mato Grosso caminhou na direção contrária e teve no agronegócio seu principal motor de contratação em julho.
A agropecuária respondeu por 3.377 novos empregos formais no Estado durante o mês. Na sequência vieram os serviços, com saldo positivo de 1.406 vagas, e a indústria, com 1.095 postos. A construção civil acrescentou outros 191 empregos.
O comércio foi o único dos grandes segmentos econômicos a terminar julho no vermelho em Mato Grosso, registrando 303 desligamentos a mais do que contratações.
Esse contraste dentro da própria economia estadual merece atenção. Enquanto agronegócio, serviços, indústria e construção ampliaram seus quadros, o comércio perdeu trabalhadores, sinalizando que a expansão do emprego não ocorre de maneira uniforme entre as diferentes atividades.
O protagonismo do agronegócio ajuda a explicar parte do desempenho. Julho coincide com um período de intensa movimentação da segunda safra, especialmente do milho, aumentando a demanda por trabalhadores nas propriedades rurais e em atividades relacionadas à produção, armazenagem, transporte e processamento.
A geração de empregos também se conecta à expansão econômica observada nos principais polos do interior. Municípios fortemente ligados ao agronegócio e à agroindústria passaram a concentrar não apenas produção agrícola, mas também empresas de logística, comércio de máquinas, armazenamento, processamento de alimentos, prestação de serviços e atividades industriais.
O resultado ganha ainda mais relevância diante do comportamento nacional. Nos sete primeiros meses de 2026, o Brasil acumulou 972.203 novos empregos formais, crescimento de 2,06% no estoque de trabalhadores. Mato Grosso, com expansão de 3,96%, apresentou ritmo proporcional quase duas vezes maior.
No país, serviços lideraram a criação de empregos no acumulado, com 591,5 mil vagas, seguidos pela construção, indústria e agropecuária. O comércio foi o único dos cinco grandes grupos econômicos a apresentar resultado negativo no período.
A combinação entre aumento do emprego, expansão das exportações agrícolas e crescimento da arrecadação coloca Mato Grosso em posição diferenciada dentro da economia nacional em 2026. O desafio será verificar quanto dessa expansão consegue se transformar também em aumento de renda real das famílias, especialmente diante dos efeitos da inflação, dos juros e do custo de vida.
Para Mato Grosso, o saldo de julho mostra que a economia continua absorvendo trabalhadores mesmo em um momento de desaceleração das contratações no país. Com 5.766 novas vagas em apenas um mês e crescimento acumulado de 3,96% no ano, o Estado chega à reta final de 2026 entre os mercados de trabalho mais aquecidos proporcionalmente do Brasil.