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Júlio Campos admite erro da direita na escolha de Flávio, diz que alertou sobre vitória de Lula e que fuga para os EUA foi por pressão de Moraes

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Júlio Campos admite erro da direita na escolha de Flávio, diz que alertou sobre vitória de Lula e que fuga para os EUA foi por pressão de Moraes

Por Jose Teixeira

Júlio Campos admite erro da direita na escolha de Flávio Bolsonaro, diz que alertou sobre vitória de Lula e critica Alexandre de Moraes

Após apoiar a candidatura bolsonarista e contrariar o posicionamento de seu próprio partido em Mato Grosso, deputado reconhece força da militância petista, aponta Tarcísio de Freitas como candidato ideal da direita e revela frustração com sua derrota nas urnas.

Por JB NewsQuarta-feira, 28 de outubro de 2026

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), uma das figuras mais experientes e tradicionais da política de Mato Grosso, fez uma avaliação contundente sobre a derrota da direita nas eleições presidenciais de 2026. Durante entrevista concedida na manhã de terça-feira (27), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o parlamentar reconheceu que o campo conservador errou ao escolher Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência da República, afirmou que havia alertado lideranças bolsonaristas sobre a capacidade de reação do Partido dos Trabalhadores (PT) e admitiu que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva foi legítima.

As declarações ganham peso político porque Júlio Campos participou diretamente do movimento de apoio à direita em Mato Grosso, mesmo contrariando o posicionamento de seu próprio grupo partidário. Enquanto o União Brasil apoiou Otaviano Pivetta na disputa estadual, Júlio seguiu outro caminho, alinhando-se à candidatura de Wellington Fagundes e ao projeto político liderado pela família Bolsonaro. No cenário nacional, o deputado apoiou Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no segundo turno realizado em 25 de outubro.

Conhecido por sua longa trajetória política, Júlio não tentou esconder a decepção com os resultados. Entretanto, surpreendeu ao reconhecer publicamente que a estratégia adotada pela direita começou equivocada ainda na definição do nome que enfrentaria Lula na corrida presidencial.

“O erro começou na escolha do candidato. O candidato natural da direita, nosso, deveria ser o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas”, declarou o parlamentar.

Para Júlio Campos, a decisão de Jair Bolsonaro de indicar o próprio filho para a disputa presidencial foi determinante para o cenário que terminou com a reeleição do petista. Na avaliação do deputado, a escolha teve motivações pessoais e acabou deixando de lado uma alternativa que ele considerava eleitoralmente mais adequada.

“Lamentavelmente, foi uma questão pessoal, particular. O presidente Bolsonaro indicou seu filho Flávio, que no início teve algumas reações, mas depois ele conseguiu decolar”, afirmou.

Apesar das críticas, Júlio reconheceu o desempenho eleitoral do candidato bolsonarista, que terminou a disputa com aproximadamente 48% dos votos válidos. Para o deputado, a votação demonstra que a direita continua representando uma parcela expressiva da população brasileira, mesmo após a derrota.

“Então significa que realmente erramos no candidato, mas bola pra frente”, resumiu.

A análise de Júlio Campos também trouxe uma revelação sobre os bastidores da campanha. Segundo ele, a possibilidade de uma virada do PT já havia sido levantada em conversas com dirigentes políticos de Mato Grosso e com lideranças nacionais ligadas ao bolsonarismo.

O parlamentar afirmou que advertiu integrantes do comando da campanha sobre a capacidade de mobilização eleitoral do partido de Lula, especialmente no período entre o primeiro e o segundo turno.

“Eu fiquei preocupado, adverti as lideranças não só locais do comando da campanha do Jair Bolsonaro, como também falei com algumas lideranças nacionais que eu tenho acesso, dizendo que o PT é muito competente nesse trabalho de virada de rua, de militância”, relatou.

Na avaliação de Júlio, a campanha petista conseguiu reverter o cenário eleitoral por meio de uma intensa mobilização de seus apoiadores. Ele destacou que a militância do PT ocupou as ruas, buscou eleitores e conseguiu ampliar a participação popular no segundo turno.

“O presidente Lula, temos que reconhecer, entre o primeiro e o segundo turno, a militância do PT foi à rua. Realmente o país mudou”, declarou.

O deputado também apontou a redução da abstenção e a mudança de comportamento de parte do eleitorado como fatores relevantes para o resultado. Segundo ele, brasileiros que não participaram da primeira votação compareceram às urnas no segundo turno, enquanto outros modificaram suas escolhas.

Júlio Campos avaliou ainda que o desempenho de Flávio Bolsonaro nos debates presidenciais contribuiu para a derrota. Na opinião do parlamentar, o candidato da direita não conseguiu apresentar um bom resultado no primeiro confronto televisionado pela Band, embora tenha demonstrado evolução no debate seguinte.

“Houve dois debates. No primeiro debate o nosso candidato foi perdedor, Flávio Bolsonaro, né? Não saiu bem. Melhorou no segundo, mas não deu para superar aqueles problemas do primeiro debate da Bandeirantes”, avaliou.

Para o deputado, a combinação entre os erros da campanha bolsonarista e a capacidade de reação do PT foi decisiva para a reeleição de Lula.

Ao comentar o resultado final, Júlio reconheceu que a população fez sua escolha democraticamente, embora tenha deixado claro que desejava a vitória do candidato da direita.

“O povo brasileiro, entre 4 de outubro e 25, resolveu mudar e deu um ganho de causa para o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que nós temos que reconhecer como legitimamente reeleito para mais um mandato. Não era o que eu queria, mas a gente tem que reconhecer que democracia é isso, ganha e perde”, afirmou.

A manifestação representa uma posição de reconhecimento do resultado eleitoral por parte de um dos políticos que estiveram alinhados à candidatura derrotada. Júlio destacou que sua experiência na vida pública o ensinou a conviver tanto com vitórias quanto com derrotas.

O parlamentar lembrou que já participou de dez disputas eleitorais, acumulando sete vitórias e três derrotas. Para ele, aceitar a decisão das urnas é uma obrigação de quem participa do processo democrático.

“Eu já disputei dez eleições, perdi, ganhei sete e perdi três. Então é normal na política”, declarou.

Além da derrota presidencial, Júlio Campos também comentou seu próprio desempenho nas eleições de Mato Grosso. O deputado revelou que esperava conquistar mais de 40 mil votos e garantir a reeleição para a Assembleia Legislativa, mas terminou a disputa com aproximadamente 18,5 mil votos, resultado que o deixou fora da próxima legislatura.

“Eu tenho uma perspectiva de ser reeleito. Calculei que teria mais de 40 mil votos. Na hora que apurou os votos, deu 18.500. Fiquei surpreso, não consegui eleito”, lamentou.

A diferença entre a expectativa e o resultado efetivo representou uma frustração para o parlamentar, que possui décadas de experiência política e já ocupou importantes cargos públicos em Mato Grosso.

Mesmo diante do revés pessoal e da derrota do grupo político que apoiou, Júlio defendeu que a direita precisa reorganizar suas lideranças e construir uma nova estratégia para os próximos anos.

Segundo ele, o Congresso Nacional eleito, formado em grande parte por representantes de centro-direita, terá papel fundamental no próximo mandato presidencial. O deputado defendeu que os parlamentares cumpram suas responsabilidades institucionais, fiscalizem o Executivo e contribuam para o funcionamento do país.

“Agora vamos formar uma nova liderança e confiar que o Congresso Nacional eleito, que a grande maioria é de centro-direita, faça um bom trabalho, mas também que não atrapalhe o novo governo”, afirmou.

Outro momento de destaque da entrevista ocorreu quando Júlio Campos foi questionado sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota eleitoral e sobre as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O deputado fez duras críticas à atuação do magistrado e considerou excessivas as medidas judiciais determinadas contra o senador.

Na avaliação de Júlio, a decisão de restringir a saída de Flávio Bolsonaro do país e determinar a entrega de seus passaportes contribuiu para o agravamento da tensão política após a eleição. O parlamentar interpretou a medida como uma possível sinalização de que o candidato derrotado poderia enfrentar uma prisão.

O deputado afirmou que a saída de Flávio Bolsonaro teria ocorrido em reação ao que classificou como uma postura de extrema dureza do ministro Alexandre de Moraes.

Júlio também citou investigações envolvendo o senador e mencionou suspeitas relacionadas ao setor de apostas, além de referências a um advogado investigado. O parlamentar ponderou que, em sua avaliação, a existência de inquéritos não deveria ser confundida com uma condenação.

As críticas refletem a posição política de Júlio Campos sobre a atuação do Judiciário. As medidas contra Flávio Bolsonaro, entretanto, foram determinadas no âmbito de investigações judiciais, e a existência dessas decisões não comprova que houvesse uma ordem de prisão iminente contra o senador.

Ao abordar a controvérsia envolvendo a saída do candidato derrotado do Brasil, Júlio voltou a criticar a condução de determinadas decisões judiciais.

“Eu acredito que infelizmente o Brasil tá nessa situação, né? Muita truculência por parte do Judiciário brasileiro”, declarou.

Apesar de defender Flávio Bolsonaro das medidas que considera excessivas, Júlio Campos não endossou as suspeitas de fraude eleitoral levantadas por integrantes do campo bolsonarista.

Questionado sobre possíveis irregularidades nas urnas eletrônicas e sobre a ampliação do horário de votação em determinados locais, o deputado demonstrou cautela e afirmou que não via elementos suficientes para concluir que o resultado tivesse sido alterado.

Júlio observou que a diferença nacional de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro foi expressiva e considerou improvável que a extensão do horário de votação tivesse capacidade de modificar o vencedor.

O resultado oficial registrou mais de 64,2 milhões de votos para Lula e aproximadamente 59,8 milhões para Flávio Bolsonaro, uma vantagem superior a 4,4 milhões de votos para o petista.

O parlamentar citou estimativas sobre o número de eleitores que teriam votado após o horário regular e argumentou que, mesmo diante da controvérsia, a quantidade não seria suficiente para reverter uma diferença de milhões de votos. Sua avaliação sobre o tema foi apresentada como opinião política, sem apontar provas de fraude nas urnas.

A posição de Júlio Campos evidencia uma distinção importante em seu discurso: ao mesmo tempo em que critica Alexandre de Moraes e demonstra solidariedade ao candidato bolsonarista, o deputado reconhece a legitimidade da reeleição de Lula e defende o respeito à vontade popular.

“Nós temos que respeitar o resultado das urnas e agora bola pra frente”, declarou.

Para Júlio, outra lição deixada pelas eleições de 2026 é o risco de uma disputa decidida apenas no segundo turno. O deputado avaliou que a mobilização eleitoral entre as duas votações pode alterar significativamente o cenário político, especialmente quando existe uma militância organizada e preparada para buscar novos apoios.

Ele argumentou que a direita deveria ter considerado com maior atenção a capacidade de reação do PT, algo que, segundo suas declarações, já havia sido comunicado por ele a lideranças locais e nacionais.

A entrevista também expõe o momento de reflexão vivido por integrantes da direita em Mato Grosso após as eleições. Júlio Campos, que rompeu politicamente com a orientação de seu grupo partidário para apoiar candidaturas alinhadas ao bolsonarismo, agora reconhece que a escolha presidencial defendida por esse campo político não foi a mais adequada.

Suas declarações apontam para uma discussão que poderá ganhar força dentro da oposição nacional: a necessidade de reconstrução de lideranças, revisão de estratégias e definição de novos nomes capazes de representar o eleitorado conservador nas próximas disputas.

Ao defender Tarcísio de Freitas como o candidato que deveria ter representado a direita, Júlio Campos também sinaliza sua avaliação sobre o futuro desse campo político, embora não tenha anunciado qualquer articulação concreta nesse sentido.

O posicionamento ganha relevância pelo histórico do parlamentar, que já exerceu os cargos de governador de Mato Grosso, senador, deputado federal e deputado estadual, mantendo presença na política mato-grossense ao longo de várias décadas.

Ao final, a mensagem deixada por Júlio Campos reúne autocrítica, reconhecimento da vitória adversária e cobrança de uma reorganização política da direita.

Depois de apoiar Flávio Bolsonaro, contrariar o alinhamento de seu próprio partido em Mato Grosso e enfrentar uma derrota pessoal nas urnas, o deputado reconhece que o PT conseguiu reagir, admite que a escolha do candidato presidencial foi equivocada e afirma que o resultado democrático precisa ser respeitado.

A declaração mais significativa, no entanto, está justamente no reconhecimento de que a derrota poderia ter sido evitada com outra estratégia. Para Júlio Campos, a direita tinha uma alternativa em Tarcísio de Freitas, mas a decisão de Jair Bolsonaro de lançar o próprio filho acabou prevalecendo.

Agora, diante de mais um mandato de Lula e de um Congresso com forte presença de parlamentares de centro-direita, o deputado defende que a oposição encontre novas lideranças, exerça seu papel institucional e aprenda com os erros cometidos.

A avaliação de um dos mais antigos líderes políticos de Mato Grosso deixa um recado direto ao campo conservador: a força eleitoral da direita permanece expressiva, mas, na visão de Júlio Campos, a decisão sobre quem deveria liderá-la foi um dos fatores que contribuíram para a derrota.

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