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Flávio Bolsonaro chega aos EUA após descumprir ordem de Moraes e fugir do Brasil depois da derrota para Lula

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Flávio Bolsonaro chega aos EUA após descumprir ordem de Moraes e fugir do Brasil depois da derrota para Lula

JBNews

Por Nayara Cristina

Foto JB News

Senador deixou o país com a mulher e duas filhas, atravessou a fronteira com a Argentina e viajou em jato particular até Miami; decisão do STF determinou entrega dos passaportes em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, chegou nesta quarta-feira (28) a Miami, nos Estados Unidos, após deixar o Brasil em descumprimento de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A saída ocorreu menos de três dias depois da derrota eleitoral e desencadeou uma crise envolvendo a Polícia Federal, o Judiciário brasileiro e o governo norte-americano.

A aeronave particular Gulfstream G400, utilizada pelo senador e sua família, pousou em Miami por volta das 10h20, segundo informações divulgadas pela imprensa. Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal.

A viagem ocorreu apesar de uma ordem judicial que determinava a entrega dos passaportes brasileiro e italiano do parlamentar e o proibia de deixar o território nacional. A medida havia sido determinada na segunda-feira (26), pelo ministro Alexandre de Moraes, atendendo a um pedido da Polícia Federal no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

A decisão foi tomada depois da eleição de domingo (25), na qual Lula conquistou a reeleição para um quarto mandato presidencial, derrotando Flávio Bolsonaro. O senador não reconheceu formalmente a derrota e questionou o processo eleitoral.

Segundo informações divulgadas sobre o procedimento, a Polícia Federal apontou risco concreto de saída do país, considerando as circunstâncias investigadas e a capacidade financeira do parlamentar. A determinação previa a entrega dos documentos de viagem no prazo de 24 horas.

Na segunda-feira, após tomar conhecimento da ordem, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que cumpriria a decisão e contestando os fundamentos da medida. O senador declarou que nunca havia pensado em deixar o Brasil e classificou a determinação como uma tentativa de intimidação.

Entretanto, os passaportes não foram entregues dentro do prazo estabelecido. Diante do descumprimento, a Polícia Federal providenciou o cancelamento dos documentos e informou que comunicaria o fato ao ministro Alexandre de Moraes.

A saída do Brasil ocorreu por uma rota internacional que passou pela Argentina e pelo Equador antes da chegada aos Estados Unidos.

De acordo com informações oficiais da Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, a mulher e as duas filhas ingressaram no território argentino às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.

As autoridades argentinas informaram que a família apresentou documentação de viagem válida para ingresso no país e que não havia impedimentos registrados pelas autoridades migratórias locais.

Às 23h30, os quatro embarcaram em uma aeronave privada operada pela empresa Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador. O avião fez uma escala antes de seguir viagem para Miami, na Flórida.

A rota chamou atenção porque evitou o sobrevoo do território brasileiro, enquanto o senador já estava submetido à determinação judicial que restringia sua saída do país.

A decisão de Moraes está relacionada a uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador. O procedimento apura suspeitas de movimentações financeiras irregulares e possíveis operações de lavagem de dinheiro.

O nome do advogado surgiu em investigações relacionadas a suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A análise de materiais eletrônicos apreendidos teria revelado informações financeiras que passaram a ser examinadas pelos investigadores.

Uma das linhas de apuração envolve a relação comercial e financeira entre o senador e o advogado, incluindo informações sobre contas bancárias e negócios ligados ao setor de apostas.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades.

O senador também é investigado em outro procedimento no Supremo Tribunal Federal relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Essa investigação envolve suspeitas sobre recursos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master, e possíveis movimentações financeiras destinadas à produção audiovisual.

Flávio nega que tenha cometido irregularidades e sustenta que os recursos utilizados no projeto possuem origem privada e legal.

As investigações são distintas e não representam condenação criminal. A decisão de recolhimento dos passaportes também não equivale a uma ordem de prisão.

A saída do senador ganhou dimensão internacional depois que autoridades norte-americanas indicaram que o governo dos Estados Unidos permitiria sua entrada e a de seus familiares.

O presidente Donald Trump declarou que aprovaria a concessão de vistos ao senador e sua família. O Departamento de Estado norte-americano também confirmou a disposição de autorizar o ingresso dos brasileiros.

O empresário e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy, que se apresenta como aliado de Trump, afirmou nas redes sociais que Flávio havia chegado em segurança aos Estados Unidos e atribuiu a articulação ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Levy chegou a chamar a suposta articulação de Operação Alba. Entretanto, não havia confirmação oficial de que Rubio tivesse coordenado a viagem.

A decisão de Flávio provocou reações entre aliados e adversários políticos. O senador Sergio Moro, eleito governador do Paraná, afirmou considerar compreensível a saída do parlamentar diante do que classificou como ausência de normalidade institucional no Brasil.

No campo governista, a viagem passou a ser apontada como descumprimento de uma ordem do Supremo Tribunal Federal, com cobranças por providências judiciais.

O caso poderá produzir novos desdobramentos no STF, especialmente diante da necessidade de apurar como ocorreu a saída do território brasileiro depois da imposição da restrição judicial.

O descumprimento da medida poderá ser considerado na avaliação de novas providências cautelares, mas uma eventual prisão dependerá de decisão judicial específica e da demonstração dos requisitos legais.

Apesar da repercussão da viagem, Flávio Bolsonaro não era considerado formalmente foragido da Justiça até as informações disponíveis, uma vez que não havia mandado de prisão divulgado contra ele.

A chegada aos Estados Unidos, entretanto, abre uma nova etapa na disputa política e judicial envolvendo o senador, que deixa o Brasil depois de perder a eleição presidencial e passa a enfrentar questionamentos sobre o cumprimento das determinações do Supremo Tribunal Federal.

O episódio também coloca em discussão o futuro político de Flávio Bolsonaro, sua atuação na oposição ao governo Lula e as consequências jurídicas de permanecer no exterior enquanto responde a investigações no Brasil.