VIOLÊNCIA

Policial penal é preso após ser acusado de atirar contra morador de rua por dívida de R$ 50 em Cuiabá

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Policial penal é preso após ser acusado de atirar contra morador de rua por dívida de R$ 50 em Cuiabá

VIOLÊNCIA EM CUIABÁ

JBNews

Por Nay Cristina

Vítima afirma que foi contratada para abrir uma valeta no bairro Canjica e acabou ameaçada com uma pistola ao cobrar pelo serviço; servidor já esteve envolvido em acidente que atingiu seis pessoas em 2022.

Uma discussão envolvendo o pagamento de um serviço de R$ 50 terminou com a prisão do policial penal Lindomar Silva Araújo, na terça-feira (27 de outubro), em Cuiabá. Ele é acusado de efetuar dois disparos de arma de fogo contra um homem em situação de rua que havia sido contratado para abrir uma valeta destinada à instalação de uma tubulação de água no bairro Canjica.

Segundo o relato apresentado pela vítima às autoridades policiais, o desentendimento começou depois da conclusão do trabalho, quando o contratante teria se recusado a pagar o valor combinado. O homem afirmou que inicialmente cobraria R$ 70 pelo serviço, mas aceitou reduzir a quantia para R$ 50. No momento de receber, entretanto, Lindomar teria oferecido apenas R$ 40.

A diferença de R$ 10 entre o valor acertado e o pagamento oferecido teria provocado uma discussão que, conforme a denúncia, terminou com o policial penal sacando uma pistola e disparando duas vezes na direção do trabalhador.

O homem contou que caminhava pela região quando foi abordado e convidado a realizar o serviço. Por estar em situação de vulnerabilidade social e precisar de dinheiro, aceitou a proposta de abrir uma valeta para permitir a passagem de um cano de água.

Após executar a tarefa, procurou o contratante para receber a quantia combinada. Foi nesse momento, segundo sua versão, que surgiu o desentendimento.

A vítima relatou que, durante a discussão, o policial penal retirou a arma e efetuou dois tiros em sua direção. Não há, nas informações apresentadas até o momento, confirmação de que o homem tenha sido atingido pelos disparos.

Em seu depoimento, o trabalhador também negou ter avançado contra Lindomar utilizando uma picareta, ferramenta empregada na abertura da valeta. A declaração indica que a possível utilização do objeto durante o conflito passou a integrar os pontos controvertidos da ocorrência.

O homem afirmou que não ameaçou o policial e apontou um vizinho como possível testemunha dos acontecimentos. A identificação e a eventual oitiva dessa pessoa poderão ajudar os investigadores a esclarecer a sequência dos fatos.

Ainda segundo a vítima, ela não conhecia Lindomar antes de aceitar o trabalho e somente descobriu que o contratante era policial penal depois de conversar com moradores da região.

Mesmo após os disparos, o homem relatou ter retornado ao local para tentar receber o pagamento pelo serviço executado. Disse, porém, que procurou manter distância do suspeito por receio de uma nova agressão.

A ocorrência terminou com a prisão do policial penal na terça-feira. As informações disponíveis não esclarecem se a prisão foi mantida após eventual audiência de custódia, nem qual enquadramento criminal foi formalmente atribuído ao servidor.

A investigação deverá apurar as circunstâncias em que a arma foi utilizada, a trajetória dos disparos, a existência de testemunhas e a eventual presença de elementos materiais capazes de confirmar as versões apresentadas.

A identificação da arma, sua situação de registro e eventual apreensão também são informações relevantes para o esclarecimento do episódio, mas ainda não foram detalhadas no relato divulgado.

O fato de o suspeito exercer a função de policial penal acrescenta uma dimensão administrativa ao caso, uma vez que servidores da segurança pública estão sujeitos a regras específicas de conduta e responsabilidade funcional.

A eventual abertura de procedimento disciplinar dependerá das providências adotadas pelos órgãos competentes. Até o momento, não há confirmação apresentada de afastamento do cargo ou instauração de processo administrativo contra Lindomar em decorrência da ocorrência.

O episódio também chama atenção para a condição de vulnerabilidade da vítima, que afirmou ter aceitado o serviço informal por necessidade financeira.

O trabalhador relatou ter reduzido o preço inicialmente pedido e, mesmo depois da discussão e dos tiros, retornado para tentar receber a quantia correspondente ao serviço prestado.

A situação evidencia a gravidade da acusação, que envolve o suposto emprego de arma de fogo durante uma cobrança de pequeno valor. A apuração criminal deverá estabelecer se houve disparos, em quais circunstâncias ocorreram e qual foi a intenção do autor.

Lindomar Silva Araújo já havia sido citado em outra ocorrência de repercussão em Cuiabá, registrada em 28 de novembro de 2022.

Naquela ocasião, um veículo conduzido por ele se envolveu em uma colisão com uma picape e, na sequência, invadiu uma lanchonete, atingindo seis pessoas.

O acidente provocou grande mobilização na época em razão do número de pessoas atingidas e das circunstâncias da colisão.

A ocorrência de 2022 é independente da investigação sobre os disparos no bairro Canjica. O envolvimento do policial penal naquele acidente não comprova responsabilidade criminal no episódio atual nem permite concluir, sem informações processuais adicionais, qual foi o desfecho judicial do caso anterior.

No episódio desta terça-feira, a versão apresentada pelo homem em situação de rua deverá ser confrontada com o depoimento do policial penal, os relatos de testemunhas e os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Até a conclusão da investigação, a acusação de que Lindomar efetuou os disparos permanece sujeita à apuração das autoridades, sendo necessário preservar a distinção entre o relato da vítima e os fatos que venham a ser comprovados.

A prisão do servidor encerrou a intervenção policial inicial, mas o caso ainda depende de esclarecimentos sobre a motivação, a dinâmica dos tiros e as medidas judiciais adotadas após a apresentação da ocorrência.

Veja

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