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Por Nayara Cristina
A próxima safra de Mato Grosso começa cercada por um contraste que preocupa produtores: o Estado continua projetando dezenas de milhões de toneladas de grãos, mas a margem financeira de quem planta está encolhendo rapidamente.
Levantamento apresentado a produtores em Brasnorte mostra que o Custo Total da soja deverá chegar a R$ 8.171,41 por hectare na safra 2026/27, aumento de 16,69%.
Somente o custeio da lavoura é calculado em R$ 4.323,22 por hectare, enquanto o Custo Operacional Efetivo alcança R$ 6.012,39.
O Lajida projetado para a soja cai para R$ 1.069,47 por hectare, retração de 35,05% em relação à temporada anterior e de 53,5% frente à média dos últimos cinco ciclos.
O dado mais delicado é que, nas premissas utilizadas pelo levantamento, a receita bruta projetada não cobre o Custo Total da soja. (CenárioMT)
Ao mesmo tempo, a produtividade esperada recua 5,43%, para 62,44 sacas por hectare.
A área deverá crescer levemente, chegando a aproximadamente 13,04 milhões de hectares, mas a produção é projetada em 48,88 milhões de toneladas, queda de 5,19%.
O milho apresenta quadro ainda mais apertado.
Depois de Mato Grosso encerrar 2025/26 com recorde de 58,04 milhões de toneladas, a nova safra é projetada em 53,68 milhões de toneladas.
A produtividade pode cair 8,05%, para 119,64 sacas por hectare, apesar de a área avançar para 7,48 milhões de hectares.
No bolso do produtor, o sinal fica vermelho.
O custeio do milho de alta tecnologia aumentou 13,83%, chegando a R$ 3.778,76 por hectare.
A receita bruta prevista é de R$ 5.388,93 por hectare, enquanto o Custo Total é calculado em R$ 7.376,08.
O Lajida despenca para apenas R$ 122,26 por hectare, queda de 88,16% frente ao ciclo anterior. (CenárioMT)
Existe, entretanto, uma transformação importante acontecendo dentro do próprio Estado.
O consumo interno de milho deverá crescer 16,23%, para 27,04 milhões de toneladas, principalmente pela expansão das indústrias de etanol de milho.
Esse avanço diminui a dependência exclusiva das exportações e transforma as usinas em um mercado cada vez mais importante para o cereal mato-grossense.
O levantamento mostra ainda que sistemas alternativos podem oferecer resultados superiores ao tradicional soja-milho.
A combinação soja mais algodão apresenta Lajida projetado em R$ 4.273,64 por hectare, enquanto soja mais milho fica em aproximadamente R$ 1.191,73.
O algodão, porém, exige investimento muito maior e traz outro nível de exposição ao risco.
O cenário revela que o tamanho da colheita, sozinho, já não conta toda a história.
Mato Grosso continuará produzindo em escala gigantesca, mas a pergunta que ganha força antes da safra é outra: quanto realmente sobrará no bolso do produtor depois que todos os custos forem pagos?