OPERAÇÃO BASALTO

Facção criou “Projeto Caixinha”, cobrava mais de 50 comerciantes e movimentava dinheiro de dentro de presídios em MT

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Facção criou “Projeto Caixinha”, cobrava mais de 50 comerciantes e movimentava dinheiro de dentro de presídios em MT

JB news

Por Emerson Teixeira

Uma estrutura com lideranças, operadores financeiros, distribuidores de drogas, planilhas de arrecadação e ordens que teriam partido até de dentro de presídios entrou na mira da Polícia Civil durante a Operação Basalto, deflagrada em Mato Grosso.

A ação cumpriu 34 ordens judiciais, sendo 12 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, em Pedra Preta, Rondonópolis, Itiquira e Cuiabá, além de diligências realizadas em unidades prisionais.

A Justiça também determinou medidas cautelares contra outros oito investigados e autorizou o bloqueio de ativos financeiros de três pessoas e de uma empresa.

A empresa ainda teve suas atividades econômicas e financeiras suspensas diante da suspeita de que tenha sido usada para movimentar e ocultar dinheiro proveniente das atividades investigadas. (O Livre⁠)

O que começou como uma investigação de tráfico ganhou proporções muito maiores.

A apuração teve origem em fevereiro de 2025, depois de uma prisão em flagrante por tráfico de drogas em Pedra Preta.

Com autorização judicial, os investigadores acessaram um telefone apreendido e conseguiram extrair aproximadamente 15,7 gigabytes de informações.

Mensagens, áudios, fotografias, comprovantes bancários e planilhas começaram a revelar uma estrutura muito mais ampla.

O material indicou a existência de funções definidas entre integrantes da organização: lideranças, gerentes locais, operadores responsáveis pelas finanças, distribuidores de entorpecentes e pessoas encarregadas de monitorar a movimentação das forças de segurança.

Parte da organização continuaria funcionando mesmo com integrantes presos.

Celulares clandestinos teriam sido utilizados dentro de unidades prisionais para transmitir orientações e participar do gerenciamento das atividades externas. (O Livre⁠)

Um dos pontos que mais chamaram atenção recebeu dos próprios investigados os nomes de “Projeto Caixinha” e “Projeto Central”.

Planilhas e conversas relacionam mais de 50 estabelecimentos comerciais de Pedra Preta a cobranças periódicas.

A investigação aponta que comerciantes teriam sido pressionados a realizar pagamentos diante do temor de represálias.

Os valores variavam e apareciam individualizados nos controles encontrados pelos investigadores.

Ainda não foi divulgado quanto a organização teria arrecadado no total nem quantos comerciantes efetivamente realizaram os pagamentos.

A suspeita é de que contas bancárias de terceiros e uma empresa tenham sido utilizadas para receber e movimentar valores ligados às extorsões e ao tráfico.

Essas circunstâncias ainda estão sob investigação e não representam condenação definitiva dos envolvidos.

Com o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil entra agora em outra etapa: analisar tudo o que foi apreendido e reconstruir o caminho do dinheiro.

A investigação poderá revelar quanto a facção movimentava, quem recebia os valores, quais ordens partiam de presídios, se outros comerciantes estavam sendo cobrados e se novas empresas ou contas bancárias eram utilizadas pelo grupo.

A Basalto expõe uma engrenagem que ultrapassa o tráfico de drogas.

A suspeita é de uma organização que buscava transformar o medo imposto ao comércio em fonte permanente de arrecadação, enquanto utilizava estrutura financeira e comunicação clandestina para manter o dinheiro circulando mesmo com integrantes atrás das grades.