LEGADO PARA A BAIXADA CUIABANA

Pivetta promete agir “pra valer” em Cuiabá e VG e quer transformar Parque Novo MT em vitrine mundial do agronegócio

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Pivetta promete agir “pra valer” em Cuiabá e VG e quer transformar Parque Novo MT em vitrine mundial do agronegócio

JBNews

Por Nayara Cristina

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (21 de outubro de 2026) que pretende intensificar os investimentos e as ações do Governo do Estado em Cuiabá, Várzea Grande e nos demais municípios da Baixada Cuiabana. Durante entrevista coletiva à imprensa, o chefe do Executivo declarou que deseja deixar um legado de desenvolvimento para a região, anunciou aumento de 40% no volume de água colocado no sistema de abastecimento de Várzea Grande e revelou um plano para transformar o Parque Novo Mato Grosso em sede da maior feira de negócios do agronegócio do mundo.

A proposta do governador é aproveitar a estrutura do complexo, construído às margens da MT-251, na saída para Chapada dos Guimarães, para realizar grandes eventos internacionais, atrair investimentos, movimentar o turismo e transformar Cuiabá em referência mundial para o setor produtivo.

Pivetta anunciou que já iniciou articulações com organizadores ligados à Show Safra, realizada anualmente em Lucas do Rio Verde e considerada uma das principais feiras de negócios do agronegócio brasileiro. A intenção é promover a primeira edição de um novo evento no Parque Novo Mato Grosso em 2027 e ampliar gradualmente sua dimensão.

“Extraordinário. Nós já estamos articulando com o meu povo lá de Lucas, que faz a maior feira de negócios do Brasil hoje, que é o Show Safra. Nós vamos fazer a primeira o ano que vem aqui no Parque Novo Mato Grosso”, declarou.

O governador estabeleceu uma meta ambiciosa para a expansão do evento. Segundo ele, a intenção não é alcançar a liderança mundial imediatamente, mas estruturar a feira para que, depois de cinco ou seis edições, Cuiabá possa receber o maior evento de negócios do agronegócio do planeta.

“Nós vamos planejar de forma tal que, não é na primeira nem na segunda, mas em umas cinco, seis edições, nós vamos transformar a feira de negócios do agro de Cuiabá na maior feira do agro do mundo. Vamos fazer lá no parque”, afirmou.

Com aproximadamente 300 hectares, o Parque Novo Mato Grosso foi concebido como um dos maiores complexos multieventos da América Latina. O empreendimento reúne estruturas destinadas a feiras, exposições, apresentações culturais, competições esportivas, entretenimento e atividades empresariais.

Entre os equipamentos previstos estão autódromo internacional, kartódromo, pistas esportivas, espaços para grandes shows, centro de eventos, lago esportivo, áreas de convivência e estacionamento. A proposta é permitir que Cuiabá receba eventos de grande porte e amplie sua capacidade de atração de visitantes nacionais e internacionais.

Em declarações anteriores, Pivetta já havia defendido que o parque será uma ferramenta de desenvolvimento econômico para toda a Baixada Cuiabana. Segundo o governador, o complexo não deve ser visto apenas como um espaço de lazer, mas como uma estrutura capaz de gerar negócios, movimentar hotéis, restaurantes, comércio e serviços.

A expectativa anunciada pelo chefe do Executivo é que o empreendimento se transforme em uma vitrine internacional para apresentar o potencial econômico de Mato Grosso, especialmente nas áreas de produção agropecuária, tecnologia, máquinas agrícolas, processamento de alimentos e investimentos ligados ao campo.

Durante a coletiva, Pivetta também esclareceu como funcionará a administração do Parque Novo Mato Grosso e de que maneira o empreendimento será entregue à operação.

Segundo ele, a MT Participações e Projetos (MT Par) permanece responsável pela construção das estruturas, enquanto a administração operacional já está atribuída a uma associação responsável pela gestão do complexo.

“Uma coisa é a construção, né? Construção é MT Par. A operação já está concedida. Tem uma associação tocada pelo Reck lá, pelo Reck Júnior. A operação já é por conta deles. Então nós só vamos terminando e entregando. Vai terminando e vai entregando”, explicou.

A declaração indica que o Governo pretende disponibilizar gradualmente as estruturas concluídas, permitindo sua utilização enquanto outras etapas das obras continuam em execução.

A Associação Parque Novo Mato Grosso foi constituída em 15 de dezembro de 2025 e registrada oficialmente em 1º de abril de 2026. Seu estatuto foi publicado no Diário Oficial do Estado em 15 de outubro de 2026 e estabelece prazo inicial de duração de 25 anos, com possibilidade de renovação.

A entidade reúne a MT Parques S/A, como associada honorífica, e a SR Participações Ltda., na condição de associada operacional. A presidência é exercida por Vanderlei Reck Junior, com mandato previsto até dezembro de 2029.

O estatuto atribui à associação a gestão, manutenção e operacionalização do empreendimento, incluindo a administração dos espaços para eventos, exploração de atividades geradoras de receita e desenvolvimento de projetos sociais, econômicos e ambientais.

Embora o governador tenha anunciado a entrega gradual das estruturas, não apresentou na coletiva um novo cronograma detalhado para a conclusão integral das obras. Anteriormente, Pivetta havia indicado a expectativa de finalizar o complexo até o encerramento de 2027.

Além dos planos para o Parque Novo Mato Grosso, o governador afirmou que pretende ampliar a presença estadual na recuperação e no desenvolvimento urbano de Cuiabá e Várzea Grande.

“Eu tenho uma vontade muito grande, mas muito grande, de deixar um legado para essa Baixada, para esse Vale do Cuiabá. Não só Cuiabá e Várzea Grande. Estava ali na outra sala agora falando de Poconé, de Diamantino, e eu tenho muita disposição, mas nós temos limitações. Nós precisamos conectar, integrar com o município e embalar”, declarou.

Pivetta ressaltou que as prefeituras possuem responsabilidades próprias e que o Governo do Estado precisa atuar de forma integrada com os municípios para executar intervenções estruturantes.

Segundo ele, já existem discussões para intensificar as ações voltadas às duas principais cidades da região metropolitana.

“Eu tenho questionado a minha equipe aí pra nós entrar pra valer agora em Cuiabá e Várzea Grande. Nós já estamos”, afirmou.

Em Cuiabá, uma das preocupações mencionadas pelo governador envolve a necessidade de melhorar o ambiente urbano e enfrentar a situação das pessoas que vivem nas ruas.

“Nós queremos muito, muito melhorar Cuiabá. Nós temos que dar um jeito de fazer um ambiente para os moradores de rua aí, pra gente tirar essa população dessa vida aí, que não é bom para cidade nenhuma”, declarou.

O governo já havia apresentado anteriormente propostas de recuperação urbana para áreas da Capital, incluindo iniciativas voltadas ao Centro Histórico, à região da Igreja do Rosário e à Orla do Porto.

Entre as medidas discutidas estão incentivos para estimular a ocupação econômica da região central, melhorias em espaços públicos e valorização de áreas históricas e turísticas. Entretanto, Pivetta não anunciou nessa coletiva novos valores ou prazos específicos para essas intervenções.

Em Várzea Grande, a principal prioridade continua sendo a crise histórica no abastecimento de água.

Pivetta anunciou que as medidas executadas pela Aliança pela Água já permitiram aumentar aproximadamente 40% o volume de água disponibilizado ao sistema municipal.

Segundo o governador, esse resultado foi alcançado principalmente com a reativação de poços existentes e a perfuração de novas unidades.

“Nós já colocamos 40% a mais de água no sistema de Várzea Grande”, afirmou.

Ele também informou que o desembolso realizado até o momento seria de aproximadamente R$ 2 milhões, embora tenha demonstrado incerteza sobre o valor exato durante a entrevista.

A Aliança pela Água foi estruturada em julho de 2026, mediante parceria entre o Governo de Mato Grosso e a Prefeitura de Várzea Grande, com previsão de investimentos da ordem de R$ 60 milhões.

A iniciativa busca recuperar a infraestrutura de abastecimento, aumentar a produção de água e melhorar a distribuição para os moradores.

O governador explicou que o programa está entrando em uma nova fase, com a chegada de materiais e equipamentos importados para intervenções nas Estações de Tratamento de Água (ETAs) e na rede de distribuição.

“Agora está começando a chegar os equipamentos que nós importamos, materiais e equipamentos. Aí nós vamos organizar as ETAs e fazer as obras de maior vulto. Distribuição”, explicou.

Pivetta também relatou episódios que classificou como ataques criminosos contra o sistema de abastecimento. Segundo ele, aproximadamente 200 hidrômetros teriam sido arrancados na semana anterior à coletiva.

“Semana passada arrancaram lá 200 hidrômetros, fizeram terrorismo lá. Essas coisas que é inacreditável”, afirmou.

A declaração não foi acompanhada de informações sobre a identificação dos responsáveis ou eventuais investigações policiais.

O governador afirmou que acompanha pessoalmente os trabalhos realizados em Várzea Grande e costuma visitar o município nos finais de semana para verificar o andamento das intervenções.

Questionado sobre a promessa de solucionar a crise de abastecimento, Pivetta esclareceu que o compromisso é ampliar a regularidade da distribuição até o final de 2026, mantendo a atuação estadual até que o problema seja resolvido de maneira definitiva.

“O que eu falei é que nós não iríamos mais sair de lá sem resolver definitivamente”, declarou.

Outro assunto abordado foi o futuro do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE). Pivetta defendeu a profissionalização da autarquia e afirmou que o serviço pode funcionar com eficiência mesmo permanecendo sob administração pública.

O governador citou os exemplos dos serviços municipais de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Rondonópolis, destacando que a melhoria da gestão não significa necessariamente a privatização do abastecimento.

“Preparar a empresa, inclusive, para os próximos passos. Não quer dizer que seja privatização, mas pra ser uma empresa profissional”, explicou.

Ao reunir propostas de recuperação urbana, melhorias no saneamento e expansão da infraestrutura para negócios, Pivetta apresentou o desenvolvimento da Baixada Cuiabana como uma das prioridades de sua gestão.

O Parque Novo Mato Grosso ocupa posição central nessa estratégia. A expectativa do governador é transformar o complexo em um instrumento de promoção econômica e projeção internacional de Mato Grosso, com capacidade para receber grandes eventos e apresentar ao mundo a força produtiva do Estado.

A realização da primeira feira de negócios do agronegócio em 2027 será o passo inicial do projeto anunciado. A transformação do evento no maior do mundo, por sua vez, permanece como uma meta para os próximos anos, condicionada à consolidação das futuras edições, à conclusão das estruturas necessárias e à capacidade de atrair expositores, investidores e visitantes.

Para Pivetta, o objetivo é que Cuiabá deixe de ser apenas um ponto de passagem de quem chega a Mato Grosso e se consolide como um centro de grandes negócios, turismo e eventos internacionais, com benefícios econômicos para toda a região.

Veja

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