DE VOLTA À PRISÃO

Condenada a mais de 260 anos, Angeliquinha retorna ao presídio de onde fugiu e ficará isolada por 180 dias

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Condenada a mais de 260 anos, Angeliquinha retorna ao presídio de onde fugiu e ficará isolada por 180 dias

JBNews

Por Emerson Teixeira

Apontada como liderança do Comando Vermelho em MT, criminosa foi capturada na Bolívia após 13 meses foragida; transferência para Cuiabá mobilizou equipes especializadas da Polícia Civil e apoio aéreo.

Apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso e condenada a penas que ultrapassam 260 anos de prisão, Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, retornou nesta terça-feira (20 de outubro) a Cuiabá, após ser capturada na Bolívia. Ela foi encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, a mesma unidade de onde fugiu em agosto de 2025, e ficará submetida ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de 180 dias.

A transferência foi realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Antes de chegar à capital mato-grossense, Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, para onde foi encaminhada após ser entregue às autoridades brasileiras.

A investigada chegou à sede da GCCO, em Cuiabá, nesta terça-feira, sob escolta policial. Posteriormente, foi encaminhada ao sistema penitenciário estadual, com autorização da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

A inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado foi determinada pela 5ª Vara Criminal de Sinop. A medida estabelece condições mais rigorosas de custódia, incluindo restrições de contato e regras específicas de segurança. O período inicial de 180 dias poderá ser prorrogado mediante nova decisão judicial fundamentada.

Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando conseguiu escapar da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A fuga desencadeou investigações e buscas para localizar a condenada, considerada pelas autoridades uma integrante de posição relevante na estrutura do crime organizado no norte de Mato Grosso.

Após aproximadamente 13 meses foragida, ela foi localizada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no dia 22 de setembro de 2026, durante uma operação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e autoridades bolivianas.

Conforme as investigações, Angeliquinha teria utilizado documentos falsos e realizado procedimentos estéticos para modificar a aparência e dificultar o reconhecimento pelas forças de segurança.

No dia 24 de setembro, foi entregue à Polícia Federal em Corumbá, onde permaneceu custodiada até a definição dos procedimentos necessários para o retorno ao sistema penitenciário de Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, mesmo durante o período em que esteve fora do Brasil, Angeliquinha teria continuado exercendo influência sobre integrantes do Comando Vermelho. As investigações apontam suspeitas de que ela participava da articulação de atividades criminosas, incluindo operações relacionadas ao tráfico internacional de drogas a partir do território boliviano.

A condenada é apontada como uma das lideranças da facção na região de Alta Floresta e outros municípios do extremo norte de Mato Grosso, onde o grupo criminoso mantém atuação investigada pelas forças de segurança.

O histórico criminal de Angeliquinha inclui condenações por homicídios, tráfico de drogas, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa. As penas aplicadas em diferentes processos somam mais de 260 anos de prisão.

Entre os crimes atribuídos à condenada está a execução de quatro homens em Alta Floresta, em 2022. Conforme as investigações, as vítimas seriam ligadas a um grupo criminoso rival, e Angeliquinha foi apontada como uma das responsáveis por ordenar os assassinatos.

Quando foi localizada na Bolívia, a investigada possuía seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026, período em que permaneceu foragida.

O retorno à mesma unidade prisional de onde escapou ocorrerá sob regras mais rígidas de custódia, determinadas pela Justiça, diante de seu histórico criminal e da posição de liderança que lhe é atribuída pelas autoridades.

A Polícia Civil considera a recaptura e a transferência parte das ações de enfrentamento ao crime organizado, especialmente contra integrantes de facções que utilizam regiões de fronteira para tentar escapar da Justiça brasileira.

Com a conclusão do recambiamento, Angeliquinha permanece à disposição do Poder Judiciário de Mato Grosso para o cumprimento das penas e demais determinações judiciais.

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