AVIAÇÃO REGIONAL

Três aeroportos de MT entram em nova concessão com pacote de R$ 857,8 milhões

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Três aeroportos de MT entram em nova concessão com pacote de R$ 857,8 milhões

JB News

Por Nayara Cristina

Três importantes cidades de Mato Grosso entraram em um novo pacote de concessão aeroportuária que poderá mudar a estrutura da aviação regional no Estado.

Os aeroportos de Cáceres, Juína e Tangará da Serra foram incluídos no processo que definirá o novo operador do Aeroporto Internacional de Brasília e de outros dez terminais regionais espalhados pelo país.

Para esse conjunto de aeroportos menores estão previstos inicialmente R$ 857,8 milhões em investimentos voltados à ampliação, manutenção e operação.

O edital foi publicado na quarta-feira, 9 de setembro, e o leilão está marcado para 17 de dezembro de 2026, às 15 horas.

As empresas interessadas deverão apresentar suas propostas e respectivas garantias até 10 de dezembro.

O vencedor da disputa assumirá, além das obrigações relacionadas ao Aeroporto de Brasília, os dez terminais regionais incorporados ao contrato.

Além dos três aeroportos de Mato Grosso, fazem parte do pacote terminais em Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Paraná.

A inclusão de Cáceres, Juína e Tangará da Serra coloca três polos econômicos estratégicos de Mato Grosso dentro de um modelo que pretende utilizar uma grande concessão aeroportuária para viabilizar investimentos também em terminais regionais.

O montante de R$ 857,8 milhões, entretanto, não será necessariamente dividido de forma igual entre os aeroportos.

Antes da definição final dos investimentos em cada unidade, o futuro operador terá que realizar uma chamada Fase de Diagnóstico Inicial.

Nessa etapa serão avaliadas as condições físicas, operacionais e fundiárias dos aeroportos.

Somente depois desse levantamento será possível definir com maior precisão quanto deverá ser investido em cada terminal e quais intervenções serão necessárias.

Isso significa que ainda não é possível afirmar quanto dos R$ 857,8 milhões ficará especificamente em Mato Grosso.

É justamente essa divisão que deverá se transformar em um dos principais pontos de acompanhamento depois do leilão.

Cáceres ocupa posição estratégica na região Oeste, próxima da fronteira com a Bolívia e de importantes corredores rodoviários e turísticos.

Tangará da Serra está entre os maiores centros econômicos do interior mato-grossense, com forte presença do agronegócio e dos setores de comércio e serviços.

Juína, por sua vez, funciona como polo regional no Noroeste do Estado, uma área distante da região metropolitana e onde a aviação pode reduzir significativamente o tempo necessário para deslocamentos.

A modernização dos terminais pode ter reflexos diretos na economia dessas regiões.

Aeroportos com melhores condições operacionais aumentam as possibilidades de atração de companhias aéreas, novos voos regulares, aviação executiva, transporte de cargas e conexão mais rápida com os principais centros econômicos do país.

Mas a entrada no pacote, por si só, não significa que novas rotas comerciais serão automaticamente criadas.

Para isso, fatores como demanda de passageiros, custos operacionais, infraestrutura, interesse das companhias e viabilidade financeira continuarão sendo determinantes.

O processo envolvendo os aeroportos regionais está ligado à repactuação da atual concessão do Aeroporto Internacional de Brasília.

O terminal da Capital Federal deverá receber separadamente cerca de R$ 1,2 bilhão em novos investimentos, incluindo intervenções como um novo terminal internacional, edifício-garagem e nova via de acesso.

A modelagem surgiu de uma solução consensual envolvendo órgãos federais e a atual concessionária e foi submetida ao Tribunal de Contas da União.

O prazo da concessão permanecerá válido até 2037.

Outra mudança importante está na estrutura econômica do contrato.

O processo prevê a transferência da participação atualmente existente na concessionária e altera regras financeiras para tornar o modelo economicamente sustentável, ao mesmo tempo em que adiciona obrigações relativas aos aeroportos regionais.

Para Mato Grosso, a grande questão agora será saber quanto efetivamente chegará aos três terminais.

Depois do leilão, será necessário acompanhar quais obras serão definidas para Cáceres, Juína e Tangará da Serra, se haverá intervenções em pistas, pátios e terminais de passageiros, quanto será aplicado em cada município e quais prazos serão estabelecidos.

Também será fundamental verificar se a nova estrutura conseguirá atrair voos comerciais regulares ou ampliar ligações já existentes.

Com R$ 857,8 milhões previstos inicialmente para dez aeroportos regionais, Mato Grosso terá três terminais dentro de uma das principais novas modelagens da aviação regional brasileira.

O leilão de dezembro definirá quem ficará responsável pela concessão.

Depois disso, começará uma disputa igualmente importante para Mato Grosso: quanto dos quase R$ 858 milhões efetivamente pousará nos aeroportos de Cáceres, Juína e Tangará da Serra.