Por José Teixeira
Mercado ajusta posições após reeleição de Lula; Tesouro cancela leilões de títulos e juros futuros avançam
A primeira sessão do mercado financeiro após o segundo turno começou com forte queda das ações, valorização do dólar e alta dos juros futuros nesta segunda-feira (26 de outubro).
O Ibovespa teve negociações interrompidas pelo circuit breaker logo na abertura. Na atualização referente às 10h50 de Brasília, o índice recuava 16,6% após a primeira paralisação. O dólar chegou a R$ 5,60 durante a manhã.
São registros intradiários, não resultados de fechamento. Analistas atribuíram o movimento à revisão de posições após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e às preocupações com a política fiscal.
O Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para os dias 27 e 29, mantendo o de Letras Financeiras do Tesouro. Os juros futuros também tiveram forte avanço.
A B3 ampliou excepcionalmente os limites operacionais dos contratos futuros. Primeiro, autorizou oscilações negativas de até 15% para os futuros de Ibovespa e positivas de até 8,4% para os de dólar. Em novo comunicado, elevou esses parâmetros para 20% e 12%, respectivamente.
Esses limites não representam a variação efetiva dos ativos. São faixas de negociação, distintas dos mecanismos de interrupção do mercado à vista.
O circuit breaker funciona como uma pausa para reorganização dos negócios em momentos de queda acentuada. Na primeira interrupção, as operações ficam suspensas por 30 minutos.
Para Mato Grosso, a oscilação cambial pode ter efeitos diferentes dentro da mesma cadeia econômica. Exportadores podem receber mais reais por receitas em dólar, enquanto fertilizantes, defensivos, peças e outros itens importados podem ficar mais caros.
Esse impacto não é automático nem uniforme: depende das datas de pagamento, dos contratos e da proteção cambial adotada. A alta dos juros também pode encarecer novas operações de crédito, conforme o risco e as condições de cada financiamento.