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Por Nayara Cristina
A Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus) mobilizou policiais penais em todas as 42 unidades prisionais do estado, na manhã de segunda-feira (26), durante uma operação de busca e apreensão destinada a localizar celulares, drogas e outros materiais proibidos no interior dos estabelecimentos penitenciários.
Batizada de Operação Muralha, a ação começou às 6h e foi organizada para ocorrer simultaneamente nas unidades, numa estratégia destinada a impedir a circulação de informações sobre as revistas e dificultar a transferência de objetos ilícitos entre estabelecimentos.
A operação mobilizou policiais penais em jornada extraordinária voluntária, além de equipes especializadas responsáveis por intervenções de segurança, buscas e fiscalização.
Na região metropolitana de Cuiabá, as atividades contaram com a participação do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), do Serviço de Operações Especiais (SOE) e do Canil da Polícia Penal.
As equipes foram mobilizadas para atuar na Penitenciária Central do Estado (PCE), na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, no Centro de Ressocialização de Várzea Grande (CRVG) e na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas.
A realização de revistas em todas as unidades ao mesmo tempo representa uma medida de reforço do controle interno do sistema penitenciário, especialmente diante da preocupação das autoridades com a utilização de aparelhos celulares para manter comunicações não autorizadas entre pessoas presas e indivíduos em liberdade.
A presença de celulares dentro dos presídios é considerada um problema de segurança porque pode permitir a transmissão de ordens, ameaças e informações relacionadas a atividades criminosas, mesmo quando seus responsáveis estão submetidos a medidas de privação de liberdade.
Os aparelhos também podem ser utilizados em tentativas de golpes, extorsões e outras práticas ilícitas, o que torna a identificação e a apreensão desses equipamentos uma das prioridades das ações de fiscalização penitenciária.
Além dos celulares, os policiais procuram entorpecentes e objetos cuja posse é proibida nas unidades prisionais.
A estratégia de realizar a operação simultaneamente busca reduzir a possibilidade de que informações sobre as inspeções sejam transmitidas antecipadamente de um estabelecimento para outro.
Em operações realizadas de forma isolada, a divulgação antecipada de procedimentos pode dificultar a localização de materiais proibidos. Por isso, a coordenação estadual pretende ampliar a efetividade das buscas e reforçar os mecanismos de disciplina e fiscalização.
O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado, afirmou que a Operação Muralha integra as estratégias de fortalecimento da segurança penitenciária e de prevenção à continuidade de atividades criminosas a partir das unidades prisionais.
Segundo a secretaria, a atuação coordenada das equipes também busca proteger os servidores, as pessoas custodiadas e a estrutura operacional dos estabelecimentos.
A mobilização ocorre em um sistema prisional distribuído por diferentes regiões de Mato Grosso, o que exige planejamento logístico para deslocamento de servidores, organização das equipes e realização dos procedimentos de busca.
A participação do Canil permite empregar cães treinados no apoio às inspeções, enquanto os grupos especializados reforçam a capacidade de intervenção em situações que demandem maior controle operacional.
As revistas fazem parte dos mecanismos de fiscalização previstos na rotina penitenciária, mas a abrangência da Operação Muralha chama atenção por alcançar simultaneamente todas as 42 unidades do estado.
A iniciativa também evidencia a preocupação das autoridades com a manutenção da disciplina e com a prevenção de atividades criminosas articuladas a partir do ambiente prisional.
Até a divulgação inicial da operação, a Sejus não havia apresentado um balanço consolidado da quantidade de celulares, drogas ou outros objetos eventualmente apreendidos.
Também não foram informados números de procedimentos disciplinares instaurados ou de possíveis encaminhamentos de materiais à Polícia Civil para investigação.
Esses resultados dependerão da consolidação dos relatórios produzidos pelas equipes que participaram das inspeções.
A Operação Muralha foi confirmada oficialmente pela Secretaria de Estado de Justiça em comunicado divulgado na manhã de 26 de outubro de 2026.
A expectativa é que os resultados das buscas permitam dimensionar a presença de materiais proibidos nos estabelecimentos e orientar novas medidas de fiscalização e segurança no sistema penitenciário de Mato Grosso.