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Por José Teixeira
Ibovespa chegou a despencar 17,34%, acionou mecanismo de suspensão das negociações e dólar atingiu R$ 5,60; investidores demonstram preocupação com política fiscal e perspectivas econômicas do próximo governo.
São Paulo, 26 de outubro de 2026 — O primeiro pregão da Bolsa de Valores brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcado por forte turbulência financeira, queda generalizada de ações, disparada do dólar e preocupação dos investidores com os rumos da economia brasileira.
O Ibovespa, principal índice da B3, chegou a registrar uma desvalorização de 17,34%, atingindo 169.516 pontos na mínima do dia. O movimento provocou o acionamento do chamado circuit breaker, mecanismo de segurança que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas.
A suspensão ocorreu após o índice atingir queda de 10% em relação ao fechamento anterior. O mercado permaneceu paralisado por 30 minutos.
Mesmo depois da retomada, a pressão vendedora continuou intensa. Ao longo da tarde, entretanto, parte das perdas foi reduzida. Por volta das 16h, no horário de Brasília, o Ibovespa registrava queda próxima de 14,5%.
O mercado de câmbio também reagiu com intensidade ao resultado das eleições presidenciais.
Depois de encerrar a sexta-feira (23) cotado a R$ 4,993, o dólar comercial chegou a alcançar aproximadamente R$ 5,60 durante as negociações desta segunda-feira.
A disparada representa uma mudança expressiva no comportamento dos investidores, que passaram a buscar proteção diante das incertezas econômicas.
A taxa PTAX, calculada pelo Banco Central, encerrou o dia em R$ 5,5007, com valorização de 9,19%.
A elevação do dólar pode provocar consequências para consumidores e empresas brasileiras, especialmente em produtos importados, equipamentos, combustíveis e insumos utilizados pela indústria.
A queda atingiu diferentes setores da economia, principalmente empresas ligadas ao consumo interno e ao crédito.
Durante a tarde, ações da Magazine Luiza, C&A, Cosan, Hapvida e Vamos registravam desvalorizações expressivas.
O movimento reflete principalmente a preocupação dos investidores com a trajetória dos juros, as contas públicas e as perspectivas de crescimento econômico.
Empresas dependentes de financiamento tendem a sofrer maior pressão quando aumentam as expectativas de juros elevados.
Por outro lado, companhias exportadoras apresentaram desempenho relativamente mais favorável em determinados momentos do pregão.
A Vale e empresas como Suzano e Embraer chegaram a registrar valorização de suas ações, beneficiadas pela alta do dólar, que pode aumentar a receita em reais das exportações.
A principal preocupação de investidores e instituições financeiras está relacionada à política fiscal do quarto mandato de Lula.
Durante a campanha presidencial, o petista defendeu a ampliação de investimentos públicos, a manutenção de programas sociais e novas iniciativas para estimular o crescimento econômico.
O mercado financeiro, entretanto, cobra explicações sobre como o governo pretende financiar essas políticas sem ampliar excessivamente o endividamento público.
O aumento das expectativas de inflação, a possibilidade de juros mais altos e as dúvidas sobre o equilíbrio fiscal contribuíram para a deterioração dos preços dos ativos brasileiros.
A reação também reflete a mudança nas expectativas políticas. Parte dos investidores havia apostado na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), candidato que defendia uma orientação econômica considerada mais favorável ao ajuste fiscal.
Outro sinal da turbulência foi a decisão do Tesouro Nacional de cancelar leilões de títulos públicos previstos para esta segunda-feira.
A medida ocorreu em meio à forte oscilação das taxas de juros e ao aumento da aversão ao risco.
O episódio mostra que a reação dos mercados não ficou restrita às ações negociadas na Bolsa, atingindo também o mercado de dívida pública.
A forte reação financeira coloca pressão sobre a equipe econômica de Lula, que precisará apresentar sinais de estabilidade fiscal e previsibilidade para o novo mandato presidencial.
Entre os pontos que deverão receber maior atenção estão a proposta de Orçamento de 2027, a trajetória da dívida pública, o controle da inflação, a política de juros e a capacidade de atrair investimentos.
Embora a queda das ações represente perdas expressivas de valor de mercado, isso não significa que todo esse montante tenha saído imediatamente da economia brasileira.
A reação financeira também não determina, isoladamente, como será o desempenho econômico dos próximos quatro anos.
O comportamento da Bolsa, do dólar e dos juros dependerá das decisões anunciadas pelo governo, das condições internacionais e da confiança dos investidores nas políticas econômicas.
A segunda-feira após as eleições já entrou para a história como um dos episódios mais turbulentos do mercado financeiro brasileiro, evidenciando os desafios econômicos que Lula enfrentará no início de seu quarto mandato.
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