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Por Emerson Teixeira
Uma sequência de imagens captadas pelo sistema de monitoramento de uma fazenda na zona rural de Guiratinga revelou detalhes da execução de Danilo Santos da Silva, de 29 anos, em um crime que, segundo as investigações, foi planejado e teve a identidade da vítima confirmada por meio de uma videochamada antes dos disparos. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de homicídio encomendado e busca identificar a pessoa que participou da ligação e autorizou a morte do trabalhador.
O assassinato ocorreu durante a madrugada, dentro do alojamento onde funcionários da propriedade dormiam. As câmeras registraram a chegada de dois homens em uma motocicleta. Usando capacetes e moletons azuis para dificultar a identificação, eles entraram na fazenda armados e caminharam pelo local enquanto um deles permanecia em contato com outra pessoa por telefone. Em determinado momento, a dupla se dividiu para localizar o alvo da execução.
De acordo com a Polícia Militar, os criminosos invadiram inicialmente o quarto de outro trabalhador. Sob a mira das armas, a vítima teve o rosto exibido durante uma chamada de vídeo. A pergunta feita pelos invasores foi direta: “É este?”. A resposta negativa evitou que o funcionário fosse morto.
Sem encontrar o alvo, os homens seguiram até outro dormitório, onde Danilo descansava. A porta foi arrombada e, quando ele acendeu a luz para verificar o que acontecia, os criminosos repetiram a videochamada. Novamente perguntaram se aquele era o homem procurado. Desta vez, a confirmação veio imediatamente. Logo após receberem o aval da pessoa que acompanhava a ação à distância, os executores dispararam diversas vezes contra Danilo, que morreu ainda no local.
Os demais trabalhadores relataram que acordaram assustados com o barulho dos tiros. Ao saírem dos quartos encontraram o colega já sem vida, enquanto os assassinos fugiam pela estrada de acesso à fazenda.
Durante as diligências, a polícia constatou que Danilo possuía um mandado de prisão em aberto. Até o momento, contudo, as autoridades não divulgaram a qual processo ou crime a ordem judicial estava vinculada. A informação passou a integrar a linha investigativa, mas a motivação do homicídio ainda permanece indefinida.
As imagens do circuito interno, aliadas ao programa Vigia Mais MT, permitiram identificar a rota de fuga utilizada pelos criminosos. As equipes descobriram que a dupla seguia em direção ao distrito de Alcantilado e organizaram um cerco policial na região.
Cerca de 30 minutos após o assassinato, os suspeitos foram localizados. Segundo a Polícia Militar, eles reagiram à tentativa de abordagem atirando contra os policiais, que revidaram. Ambos foram baleados, socorridos e encaminhados a uma unidade de saúde, mas morreram pouco depois.
Os suspeitos foram identificados pelas iniciais B.L.S. e M.P.F.S. Conforme levantamento policial, B.L.S. possuía extensa ficha criminal, com registros por tráfico de drogas, receptação, violação de domicílio, estelionato, dano e ainda respondia a um mandado de prisão em aberto. Já M.P.F.S. acumulava antecedentes por porte ilegal de arma de fogo, corrupção de menores, ameaça, adulteração de veículo, lesão corporal e outros delitos registrados ao longo dos últimos anos.
Agora, a principal frente da investigação está concentrada na identificação de quem participou da videochamada e reconheceu Danilo antes da execução. A Polícia Civil também apura se o homicídio foi determinado por uma organização criminosa, quem ordenou a morte da vítima e qual teria sido a motivação para o assassinato, considerado pelas autoridades como uma execução com características de planejamento e divisão de tarefas entre os envolvidos.
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