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Por Nayara Cristina
Ex-governador reage às críticas contra o Parque Novo Mato Grosso e eleva o tom da disputa pelo Palácio Paiaguás após o PL oficializar a candidatura do senador
A corrida pelo Governo de Mato Grosso ganhou um novo e explosivo capítulo com a reação do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) às declarações do senador Wellington Fagundes (PL), oficializado candidato ao Palácio Paiaguás durante a convenção estadual do partido realizada na quarta-feira (22), em Cuiabá.
Mauro subiu o tom e acusou Wellington de demonstrar “total incapacidade” para compreender os fatos relacionados aos investimentos públicos realizados no estado. A crítica foi direcionada principalmente à postura do senador em relação ao Parque Novo Mato Grosso, empreendimento iniciado durante a gestão de Mendes e transformado em uma das vitrines do grupo político que atualmente comanda o Executivo estadual.
Ao comentar as manifestações do adversário, Mauro afirmou que Wellington estaria emitindo opiniões sem conhecer a dimensão, a finalidade e a estrutura do projeto. Para o ex-governador, o senador deveria visitar o complexo antes de defender mudanças ou interrupções nas obras.
“Talvez o Wellington nunca tenha ido ao Parque Novo Mato Grosso. Então, a primeira coisa que ele deveria fazer é conhecer. É muito ruim alguém que se propõe a emitir opiniões sobre algo que não conhece absolutamente nada”, disparou.
O confronto ocorre em um momento decisivo da disputa eleitoral. Com a abertura do período das convenções partidárias, os grupos políticos aceleram a definição das candidaturas, alianças e composições para governador, vice-governador, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Wellington já teve o nome homologado pelo PL, enquanto o grupo liderado por Mauro trabalha pela candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) como representante da continuidade administrativa.
A declaração de Mauro também amplia uma sequência de ataques contra o discurso adotado por Wellington. O senador vem questionando a prioridade concedida ao Parque Novo Mato Grosso e sustenta que parte dos recursos poderia ter sido direcionada a outras áreas ou à modernização do antigo Parque de Exposições de Cuiabá.
Mendes rejeitou a comparação. Embora tenha reconhecido a importância histórica do antigo espaço de exposições da capital, argumentou que o local não possui área suficiente para expansão, estacionamento adequado ou condições para receber um projeto da dimensão planejada pelo Governo do Estado.
“Eu não vi exatamente o que ele falou, mas o Wellington está demonstrando total incapacidade, se ele disse isso, de compreender a verdade e compreender os fatos. Embora o Parque de Exposições tenha uma relevância histórica, ali não tem estacionamento, não tem espaço para crescer”, rebateu.
Construído em uma área de aproximadamente 300 hectares, entre as rodovias MT-251 e MT-010, o Parque Novo Mato Grosso foi projetado para reunir autódromo, kartódromo, pista internacional de BMX, skatepark, lago para práticas esportivas, área para motocross, espaços de lazer, estruturas administrativas, estacionamento e uma arena destinada a shows e eventos com capacidade para até 100 mil pessoas. O projeto oficial também prevê instalações voltadas ao turismo, ao agronegócio, ao esporte e à realização de grandes feiras nacionais e internacionais.
O custo global do complexo tornou-se um dos principais pontos explorados pelos adversários do atual grupo governista. Levantamentos sobre contratos, obras e equipamentos apontam que a projeção total dos investimentos já supera R$ 1,5 bilhão, valor que alimenta o debate político sobre prioridades administrativas e aplicação de recursos públicos.
Para Mauro, entretanto, a discussão não pode ser conduzida com base apenas no volume financeiro. O ex-governador sustenta que o empreendimento deve ser avaliado pelo impacto econômico de longo prazo, pela capacidade de atrair eventos, movimentar o turismo, gerar empregos e colocar Mato Grosso no circuito de grandes competições esportivas, feiras de negócios e encontros ligados ao agronegócio.
A reação desta quinta-feira (23) representa uma nova ofensiva de Mendes contra Wellington. Em junho, após o senador defender a paralisação das obras para priorizar investimentos em habitação, o ex-governador já havia classificado a proposta como uma “estupidez” e afirmado que somente pessoas “idiotas, invejosas e incompetentes” interromperiam um empreendimento em estágio avançado de execução.
Além da controvérsia envolvendo o parque, outra declaração de Wellington passou a ser utilizada pelos adversários para questionar o modelo de gestão que ele pretende implantar caso seja eleito. Após a convenção do PL, o senador afirmou que procura um candidato a vice-governador com perfil complementar e presença constante no cotidiano do estado.
Segundo Wellington, a escolha de alguém dedicado às demandas internas permitiria que ele viajasse pelo mundo e permanecesse com frequência em Brasília na busca por investimentos e recursos federais.
“Se tiver alguém mais no dia a dia, vivendo aqui, e que possa me dar condição para viajar o mundo, estar sempre em Brasília buscando recursos, fica mais fácil”, declarou o candidato do PL.
Embora Wellington tenha apresentado a proposta como uma divisão estratégica de responsabilidades, a fala abriu espaço para que adversários políticos levantassem dúvidas sobre o grau de envolvimento direto que ele teria na condução diária do Governo do Estado. O senador também afirmou que pretende escolher alguém de sua confiança e capaz de compreender sua forma de governar.
A ofensiva de Mauro busca consolidar a narrativa de que Wellington não teria profundidade suficiente para discutir os projetos estruturantes implantados nos últimos anos. Ao falar sobre o nível do debate eleitoral, o ex-governador cobrou mais preparo, conhecimento e responsabilidade daqueles que pretendem comandar Mato Grosso a partir de 2027.
“Eu desejo que o debate seja um pouco mais profundo, com mais qualidade, sem falar tanta besteira como eu tenho visto algumas pessoas fazendo”, completou.
As declarações mostram que a eleição estadual tende a ultrapassar a discussão tradicional sobre alianças partidárias e entrar em uma guerra direta pela avaliação do legado administrativo. De um lado, Mauro Mendes e Otaviano Pivetta defendem a continuidade do modelo implantado pelo atual grupo governista. Do outro, Wellington tenta se apresentar como alternativa, questionando obras, prioridades e decisões tomadas ao longo dos últimos anos.
Com as candidaturas avançando para a fase definitiva, o Parque Novo Mato Grosso passa a ocupar o centro dessa batalha. Mais do que uma obra pública, o complexo tornou-se símbolo da disputa entre continuidade e mudança — e, ao elevar o tom contra Wellington, Mauro deixa claro que pretende reagir duramente a qualquer tentativa de desconstrução de seu legado.
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