LAVAGEM DE DINHEIRO

Justiça condena DJs e outros dois réus em esquema que movimentou R$ 185 milhões em MT

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Justiça condena DJs e outros dois réus em esquema que movimentou R$ 185 milhões em MT

R$ 185 MILHÕES

JBNews

Por Emerson Teixeira

Investigação começou com relatórios do Coaf e revelou uso de laranjas, empresas sem atividade compatível, dinheiro em espécie e movimentações em regiões de fronteira

A Justiça de Mato Grosso condenou quatro réus por lavagem de dinheiro em um esquema financeiro que movimentou aproximadamente R$ 185 milhões e que, segundo a sentença, estava relacionado a recursos provenientes de crimes antecedentes como tráfico de drogas, contrabando e comércio ilegal de armas.

Entre os condenados estão os DJs Diego de Lima Datto e Patrike Noro de Castro. Também receberam condenações Jackson Luiz Caye e Marco Antonio Santana.

A sentença foi proferida pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

A investigação nasceu de Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Os documentos identificaram operações consideradas atípicas entre janeiro de 2015 e dezembro de 2023.

A apuração encontrou diferentes mecanismos destinados, segundo a Justiça, a dificultar o rastreamento do dinheiro. Entre eles estavam contas de terceiros, saques em espécie realizados por não correntistas, empresas sem estrutura operacional compatível com o volume financeiro, depósitos fracionados em regiões próximas à fronteira e transferências sucessivas entre integrantes do grupo investigado.

Diego de Lima Datto teria movimentado R$ 10,4 milhões entre janeiro de 2015 e dezembro de 2023 sem apresentar declarações de Imposto de Renda correspondentes ao período. Ele foi condenado a cinco anos de reclusão em regime inicialmente fechado e 16 dias-multa.

Patrike Noro de Castro teve movimentações superiores a R$ 21,8 milhões sem lastro contábil ou emissão correspondente de notas fiscais. Recebeu pena de cinco anos em regime semiaberto e 16 dias-multa.

Jackson Luiz Caye foi condenado a quatro anos em regime semiaberto. A sentença apontou movimentação direta de R$ 127 mil com Diego e Patrike dentro de um conjunto financeiro que alcançou cerca de R$ 7,78 milhões.

Marco Antonio Santana também recebeu quatro anos em regime semiaberto. A empresa ligada a ele movimentou mais de R$ 140 milhões em créditos e débitos, apesar de constar rendimento declarado de apenas R$ 22,8 mil em 2018. A sentença atribuiu ainda à estrutura empresarial o trânsito de R$ 97,4 mil relacionados a Diego.

Apesar das condenações por lavagem, os quatro foram absolvidos da acusação de associação criminosa. O magistrado considerou não demonstrado de forma suficiente um vínculo estável e permanente entre todos para essa imputação específica.

Os réus receberam o direito de recorrer em liberdade. A Justiça também determinou providências envolvendo bens apreendidos e revogou prisões preventivas que ainda estavam vinculadas ao processo.

O valor de R$ 185 milhões representa a dimensão financeira identificada na engrenagem investigada e não significa que cada condenado tenha individualmente movimentado esse montante. A sentença separou as operações atribuídas a cada réu e aplicou penas específicas conforme a participação reconhecida. (Olhar