GUERRA JURÍDICA

Vitória nas urnas não encerra guerra: Pivetta, Mauro, Virginia e Alessandra enfrentam ações com pedidos de cassação

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Vitória nas urnas não encerra guerra: Pivetta, Mauro, Virginia e Alessandra enfrentam ações com pedidos de cassação

URNA SOB DISPUTA

JBNews

Por Emerson Teixeira

AIJEs questionam suposto uso da máquina pública, propaganda, evento na Arena Pantanal e estrutura da Prefeitura de Rondonópolis; acusações ainda dependem de julgamento

As urnas de 4 de outubro definiram os vencedores das eleições em Mato Grosso, mas uma parte da disputa continuará dentro do Tribunal Regional Eleitoral. Ações de Investigação Judicial Eleitoral abertas durante a campanha atingem nomes eleitos para alguns dos principais cargos do Estado e, em caso de procedência definitiva, podem produzir consequências sobre diplomas e elegibilidade.

Entre os alvos estão o governador reeleito Otaviano Pivetta, o senador eleito Mauro Mendes, a deputada federal eleita Virginia Mendes e a deputada estadual eleita Alessandra Ferreira.

Nenhum deles está cassado. Tratam-se de acusações formuladas por adversários e partidos que ainda precisam ser submetidas ao contraditório, produção de provas e julgamento.

Pivetta e sua vice, Gisela Simona, enfrentam ações relacionadas, entre outros fatos, à acusação de obtenção antecipada de material de propaganda da então candidata Natasha Slhessarenko.

A coligação de Wellington Fagundes sustentou que a campanha de Pivetta teve acesso a uma peça identificada como “Inserção 35” antes de sua exibição pública. O questionamento surgiu depois de o grupo de Pivetta utilizar material com identificação técnica que, segundo os autores da ação, não apareceria para o telespectador.

Natasha também levou ao TRE acusações de suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Mauro Mendes e Virginia Mendes aparecem em outra frente. O ex-governador Pedro Taques acionou a Justiça Eleitoral por fatos ocorridos durante o espetáculo “Histórias – O Show do Século”, realizado na Arena Pantanal em 26 de setembro.

A ação sustenta que houve manifestação eleitoral durante o evento e questiona ainda publicações feitas posteriormente por Virginia nas redes sociais. O TRE chegou a determinar que a Meta fornecesse dados e arquivos relacionados aos stories publicados pela candidata para permitir a apuração do alcance do conteúdo.

Alessandra Ferreira, eleita deputada estadual, também responde a uma AIJE proposta pelo Agir. O partido acusa ela e o marido, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, de suposta utilização de estruturas, eventos, serviços e canais da administração municipal para favorecer sua campanha.

Durante a eleição, o corregedor regional eleitoral Marcos Machado chegou a determinar que o prefeito e Alessandra se abstivessem de usar bens, serviços, recursos, eventos e obras municipais na promoção da candidatura, estabelecendo multa para eventual descumprimento.

Os pedidos formulados nas ações incluem, conforme cada processo, cassação de registro ou diploma e declaração de inelegibilidade.

Mas a abertura de uma AIJE não significa reconhecimento da prática ilícita. Para que uma eleição seja atingida, os autores precisam demonstrar a ocorrência e a gravidade das condutas imputadas, e as decisões ainda estão sujeitas aos recursos previstos na legislação eleitoral.

O resultado das urnas, portanto, está proclamado, mas a guerra jurídica da eleição de 2026 em Mato Grosso seguirá aberta nos tribunais.