JB News
Por Emerson Teixeira
O policial penal Nazil Santos Silva e a professora Karoliny Cardoso Viegas foram presos na manhã desta quarta-feira (9), durante a Operação Insídia, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular um esquema de entrada clandestina de celulares em unidades prisionais de Mato Grosso.
De acordo com a investigação, os dois servidores públicos teriam funções distintas dentro da suposta estrutura criminosa. Enquanto a professora seria responsável pelo transporte dos aparelhos utilizando a autorização que possuía para circular em ambiente prisional, o policial penal teria usado o acesso garantido pelo cargo para facilitar a entrada e a entrega dos celulares aos destinatários.
Nazil é policial penal e, conforme a Polícia Civil, teria recebido entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por aparelho introduzido nas unidades prisionais e entregue a integrantes de uma organização criminosa.
Os investigadores apuram se o servidor atuava como uma espécie de facilitador interno do esquema. Em razão da função pública, Nazil tinha acesso a áreas controladas dos presídios e conhecia os procedimentos de fiscalização adotados para impedir a entrada de materiais proibidos.
A suspeita é de que essa condição tenha sido utilizada para permitir que os celulares ultrapassassem as barreiras de segurança e chegassem aos presos. Os aparelhos são considerados materiais de alto valor dentro dos presídios por possibilitarem a comunicação clandestina com pessoas que estão fora das unidades.
Além de negociar a entrada dos telefones, o policial penal teria recorrido à conta bancária da própria companheira para receber ou movimentar parte dos valores pagos pelo serviço. Para a Polícia Civil, a utilização de uma conta de terceiro teria como objetivo dificultar a identificação do real destinatário do dinheiro e o rastreamento das transações.
Karoliny, por sua vez, era professora contratada pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT). Ela ministrava aulas em salas anexas de uma escola estadual que funcionavam dentro do Centro de Ressocialização de Várzea Grande.
A condição de professora permitia que Karoliny ingressasse regularmente no complexo para desenvolver as atividades educacionais. Segundo a investigação, ela teria se aproveitado dessa autorização e da circulação permitida no local para transportar os aparelhos celulares.
A suspeita é de que os pagamentos relacionados ao esquema fossem feitos por diferentes pessoas ligadas aos detentos. As transferências poderiam partir dos próprios presos, por intermédio de terceiros, de familiares ou de visitantes cadastrados nas unidades prisionais.
A investigação começou em junho de 2025, após a análise de materiais apreendidos em diligências anteriores. Durante a apuração, os policiais localizaram comprovantes e registros de transferências via Pix realizadas para uma professora que trabalhava dentro de uma unidade prisional.
A identificação dessas movimentações financeiras levou os investigadores até Karoliny. O aprofundamento da análise bancária e o cruzamento das informações teriam revelado a possível ligação dela com Nazil e a divisão de tarefas para viabilizar a entrada dos celulares.
A partir dos pagamentos, a Polícia Civil passou a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e a verificar quem eram os remetentes. Entre os responsáveis pelas transferências estariam detentos, familiares e pessoas autorizadas a visitar presos.
Conforme a linha investigativa, o esquema funcionaria mediante encomenda e pagamento. Os aparelhos seriam levados para dentro das unidades com o auxílio de pessoas que possuíam acesso regular aos estabelecimentos, reduzindo a possibilidade de descoberta durante os procedimentos de fiscalização.
A diferença entre os valores bloqueados também faz parte dos elementos financeiros reunidos no inquérito. A Justiça determinou a indisponibilidade de R$ 25,5 mil em contas vinculadas ao policial penal e de R$ 14,6 mil nas contas relacionadas à professora.
Além das prisões e dos bloqueios financeiros, Nazil e Karoliny foram afastados cautelarmente das respectivas funções públicas. A medida busca impedir que eles utilizem novamente os cargos ou o acesso às unidades prisionais durante o andamento da investigação.
Os dois poderão responder por corrupção passiva continuada, facilitação ou intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimentos prisionais e associação criminosa.
A investigação deverá prosseguir com a análise das movimentações bancárias e dos materiais recolhidos durante a operação. A Polícia Civil também busca identificar outros participantes, descobrir quantos celulares foram introduzidos nas unidades e determinar quais presos ou integrantes da organização criminosa receberam os aparelhos.