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Por Redação
A passagem do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) por Paranatinga e Primavera do Leste, nesta terça-feira (15), foi além de uma agenda voltada a obras e desenvolvimento regional. Em plena reta decisiva da campanha pela reeleição, os encontros voltaram a mostrar uma das principais frentes da disputa pelo Governo de Mato Grosso: a batalha pelo apoio dos prefeitos e pela estrutura política dos municípios.
Pivetta reuniu prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e apoiadores nas duas cidades, discutindo infraestrutura, agricultura familiar, expansão econômica e demandas locais.
O movimento ocorre em um momento em que sua campanha procura transformar a ampla rede de alianças municipais em presença eleitoral efetiva no interior.
Em agosto, 133 prefeitos assinaram uma carta de apoio à candidatura do governador. Desde então, as adesões passaram a incluir também gestores filiados a partidos que não integram formalmente sua coligação. Entre 17 prefeitos que posteriormente divulgaram manifestações públicas de apoio, 11 pertenciam a legendas de fora da aliança de Pivetta, incluindo integrantes do próprio PL, partido de Wellington Fagundes.
É justamente Primavera do Leste que concentra um dos capítulos mais simbólicos dessa movimentação.
O prefeito Sérgio Machnic é filiado ao PL, mesma legenda de Wellington Fagundes, adversário de Pivetta na disputa pelo Palácio Paiaguás. Apesar disso, Machnic decidiu apoiar publicamente a reeleição do governador.
A posição provocou reação dentro do partido. A direção estadual do PL anunciou procedimento envolvendo Machnic e outros prefeitos da legenda que optaram por apoiar Pivetta, entre eles Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis.
Machnic já havia declarado anteriormente que manteria a posição mesmo diante da possibilidade de sofrer sanções partidárias, argumentando que sua relação administrativa com o Governo do Estado e os interesses do município pesariam em sua decisão.
Na prática, o cenário revela que a disputa entre Pivetta e Wellington não está restrita às estruturas formais das coligações. Há prefeitos que seguem caminhos diferentes das direções estaduais de seus partidos, especialmente quando alegam possuir obras, convênios ou investimentos em andamento com o Governo.
Em Paranatinga, Pivetta foi recebido pelo prefeito Marcos Tomazini (Podemos), além de vereadores e representantes de diferentes comunidades. Lideranças dos povos Bakairi e Xavante e moradores de Salto da Alegria e Santiago do Norte participaram da mobilização.
Pivetta afirmou que as viagens pelo interior fazem parte de uma estratégia de ouvir municípios antes de estabelecer prioridades administrativas.
“Estou percorrendo o Estado inteiro, visitando os municípios, ouvindo as lideranças e a comunidade para tomar as melhores decisões, para errar menos, ser mais assertivo e escolher as prioridades”, declarou.
O governador também relacionou o futuro de Paranatinga à expansão da infraestrutura logística e da agroindústria.
“Paranatinga é um dos endereços onde o desenvolvimento e o progresso estão chegando. A agroindústria vem aí, a ferrovia vai passar perto e vai ter um terminal no município. A MT-020 é uma das estradas necessárias que nós vamos fazer para abastecer a ferrovia, melhorar a vida do povo de Paranatinga e promover o desenvolvimento”, afirmou.
Tomazini declarou apoio à continuidade da atual gestão e citou como exemplo da parceria com o Estado a implantação do Corpo de Bombeiros no município.
“A gente fica muito contente de ver as comunidades mobilizadas, porque isso mostra a ligação que temos construído. Os povos Bakairi e Xavante, o pessoal do Salto da Alegria e do Santiago do Norte estão aqui porque sabem que existe uma parceria”, disse.
O prefeito completou afirmando que pretende trabalhar pela eleição de Pivetta.
Em Primavera do Leste, o governador visitou a Feira da Agricultura Familiar acompanhado de Machnic e participou de encontro com vereadores, lideranças políticas e apoiadores.
Pivetta afirmou que pretende defender a continuidade da atual linha administrativa do Governo.
“Mato Grosso precisa continuar nesse caminho. O Estado tem que ser forte para intervir nos momentos em que precisa, ajudar e acabar com o sofrimento do povo. É para isso que existe o Estado: não para os políticos fazerem o que querem, mas para fazer o que o povo quer que seja feito”, declarou.
Machnic, por sua vez, voltou a tornar explícito o apoio, pedindo votos para o governador.
“Essa é a sua responsabilidade e a nossa responsabilidade de votar em 10 para continuar mudando o Estado”, afirmou.
Durante a agenda, Pivetta também fez uma referência direta à disputa pelo eleitorado conservador ao declarar: “Meu número é 10. Mato Grosso à direita é 10”.
A declaração ocorre justamente enquanto Pivetta e Wellington disputam espaços políticos semelhantes. Wellington concorre pelo PL, enquanto Pivetta tenta agregar lideranças conservadoras que, em diferentes municípios, não estão seguindo integralmente as orientações partidárias.
A estratégia municipal ganha ainda mais relevância diante do cenário das pesquisas.
Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 9 de setembro, Pivetta apareceu com 40,8% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto Wellington Fagundes registrou 30%. Natasha Slhessarenko (PSD) marcou 12%.
O levantamento ouviu 1.352 eleitores entre 6 e 8 de setembro, tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número MT-01505/2026.
Na rodada anterior do mesmo instituto, Pivetta tinha 39% e Wellington, 35%. Na comparação, o governador oscilou 1,8 ponto para cima, enquanto Wellington caiu cinco pontos percentuais.
Os números ajudam a explicar por que a presença nos municípios ganhou importância nesta fase da campanha.
Para Pivetta, o desafio é converter o apoio formal dos prefeitos em mobilização eleitoral nas cidades. Para Wellington, o embate inclui preservar a própria estrutura partidária, especialmente diante de manifestações de prefeitos do PL em favor do adversário.
Também participaram da agenda em Primavera do Leste os prefeitos Alexandre Lopes, de Campo Verde; Carlim Amarelo, de Dom Aquino; e Miguel Brunetta, de Santo Antônio do Leste.
Mais do que atos isolados de campanha, as agendas desta semana mostram que parte importante da disputa pelo Governo de Mato Grosso está sendo travada longe de Cuiabá: dentro das prefeituras, nas lideranças municipais e na capacidade de cada candidatura de transformar alianças administrativas em votos no interior.