OPERAÇÃO ARCANUM

Quadrilha usava site de casais liberais para obter conteúdo íntimo e extorquir vítimas; três prisões são cumpridas em MT

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Quadrilha usava site de casais liberais para obter conteúdo íntimo e extorquir vítimas; três prisões são cumpridas em MT

JB News

Por Emerson Teixeira

Operação Arcanum alcança Tangará da Serra, Barra do Bugres e Cáceres; investigação aponta uso de contas digitais e intermediários para pulverizar dinheiro obtido com ameaças

Uma investigação iniciada no Distrito Federal chegou a Mato Grosso e revelou a suspeita de funcionamento de uma estrutura criminosa especializada em obter conteúdo íntimo de usuários de uma plataforma de relacionamento destinada a casais liberais e posteriormente exigir dinheiro das vítimas sob ameaça de exposição.

A Operação Arcanum, deflagrada na manhã desta quarta-feira (16 de setembro) pela Polícia Civil do Distrito Federal, cumpre em Mato Grosso três mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão. As ordens são executadas em Tangará da Serra, Barra do Bugres e Cáceres. Há ainda uma busca em Santa Catarina. 

Em Mato Grosso, a operação conta com equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), além do apoio das delegacias dos municípios onde os mandados são cumpridos. A investigação principal é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Distrito Federal, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado. 

O esquema investigado teria começado a ser desvendado depois que vítimas procuraram a polícia no Distrito Federal.

Segundo a investigação, os criminosos afirmavam possuir fotografias, vídeos ou outros conteúdos íntimos e exigiam pagamentos para que o material não fosse encaminhado a familiares, colegas de trabalho e outras pessoas próximas das vítimas. 

O aprofundamento das apurações mostrou que os primeiros episódios não seriam casos isolados.

A análise de vestígios digitais e financeiros apontou, segundo a investigação, vínculos entre os suspeitos e uma possível atuação coordenada. A polícia afirma ter identificado outras vítimas em diferentes unidades da Federação, submetidas ao mesmo padrão de cobrança de dinheiro acompanhada da ameaça de exposição de material íntimo. 

Outro ponto considerado relevante pelos investigadores foi o caminho percorrido pelo dinheiro.

A investigação identificou a utilização de contas bancárias digitais e intermediários financeiros para receber e posteriormente pulverizar os valores. Para os investigadores, essa dinâmica dificultava o rastreamento dos recursos e a identificação de todos os possíveis beneficiários do esquema. 

Os elementos analisados pela polícia também indicaram que a atividade investigada permanecia em andamento, fator utilizado para fundamentar a necessidade das medidas judiciais e interromper a possível ocorrência de novos crimes.

Com as buscas realizadas nesta quarta-feira, a polícia pretende apreender principalmente celulares, computadores, dispositivos eletrônicos e outros elementos que possam armazenar provas. O conteúdo deverá passar por análise técnica e poderá revelar novas vítimas, transações financeiras e outros possíveis integrantes.

Os investigados poderão responder por extorsão, associação criminosa e divulgação ou transmissão de cena de nudez ou conteúdo íntimo sem consentimento. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, as penas máximas desses crimes, se somadas, podem alcançar 18 anos de reclusão, sem prejuízo de outros delitos eventualmente identificados durante a continuidade das investigações. 

O nome Arcanum faz referência ao caráter secreto ou oculto explorado no esquema investigado: segundo a polícia, os suspeitos se aproveitariam justamente do receio das vítimas de terem sua intimidade revelada para pressioná-las a realizar os pagamentos.

A identidade dos investigados não havia sido divulgada oficialmente nas informações iniciais da operação. A Polícia Civil também não informou, até o momento, o número total de vítimas nem o valor que teria sido movimentado pelo esquema.

Com o cumprimento dos mandados em três cidades mato-grossenses, a investigação entra agora em uma nova etapa. A análise do material eletrônico e financeiro apreendido poderá dimensionar quantas pessoas foram atingidas, quanto dinheiro foi obtido e se a estrutura investigada possuía outros integrantes ou operadores financeiros fora dos estados já alcançados pela Operação Arcanum.