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Por Nayara Cristina
A disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026 entrou em uma fase decisiva de articulações e negociações de bastidores. Enquanto três dos principais nomes da direita permanecem posicionados como pré-candidatos ao Palácio Paiaguás — Otaviano Pivetta (Republicanos), Jayme Campos (União Brasil) e Wellington Fagundes (PL) —, cresce entre lideranças políticas a preocupação com a fragmentação do campo conservador e os impactos que esse cenário poderá provocar na corrida eleitoral.
Um dos principais articuladores do grupo governista e apontado como possível coordenador da campanha de Otaviano Pivetta, além de cotado para ocupar a primeira suplência de Mauro Mendes na disputa ao Senado, o ex-senador Aparecido Cidinho Santos reconheceu que o momento ainda é de construção política e que a definição do União Brasil será determinante para o desenho final da aliança governista.
Durante entrevista, Cidinho afirmou que o Progressistas já definiu seu posicionamento em favor da candidatura de Pivetta, mas ressaltou que a federação partidária somente avançará nas decisões depois que o União Brasil concluir o debate interno sobre uma eventual candidatura própria do senador Jayme Campos.
“O PP já manifestou publicamente apoio ao governador Otaviano Pivetta. Agora vamos continuar dialogando. A definição do candidato ao Governo cabe ao União Brasil. Depois dessa decisão é que a federação fará seus encaminhamentos para governador, Senado e demais cargos”, afirmou.
As declarações evidenciam o momento de tensão vivido pela direita mato-grossense. Pela primeira vez em muitos anos, o mesmo campo político chega ao processo eleitoral dividido entre três projetos distintos. De um lado está Pivetta, candidato apoiado pelo governador Mauro Mendes; de outro, Jayme Campos, que ainda busca consolidar sua candidatura dentro do União Brasil; e, paralelamente, Wellington Fagundes, já confirmado pelo PL como candidato ao Governo do Estado.
Nos bastidores, dirigentes partidários admitem que a pulverização de candidaturas pode dificultar a estratégia eleitoral do bloco conservador. Pesquisas divulgadas até o momento apontam um cenário de equilíbrio entre os principais postulantes, sem que nenhum deles consiga abrir vantagem suficiente para consolidar favoritismo. A consequência é um ambiente de incerteza que preocupa lideranças, estrategistas e marqueteiros responsáveis pela construção das campanhas.
A avaliação predominante é de que a divisão dos votos da direita poderá levar a disputa para um segundo turno altamente competitivo, obrigando adversários internos de hoje a se unirem posteriormente contra um eventual candidato de outro campo político. Entretanto, ninguém consegue prever, neste momento, quais nomes chegarão à etapa decisiva da eleição.
Dentro desse contexto, a composição da chapa de Pivetta tornou-se uma das peças mais importantes do xadrez eleitoral. Ao comentar a aproximação do MDB, Cidinho avaliou que a entrada da legenda fortaleceria significativamente a base governista.
Segundo ele, o MDB já caminhou ao lado do grupo nas eleições anteriores e possui densidade política suficiente para ampliar a competitividade da futura coligação.
“O MDB sempre esteve conosco em outras eleições. É um partido forte, tradicional, com deputados estaduais, deputados federais e lideranças importantes. Se vier para essa construção, certamente agregará muito ao nosso projeto”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de a deputada estadual Janaina Riva integrar a chapa majoritária como candidata ao Senado ou à vice-governadoria, o ex-senador evitou antecipar qualquer definição, mas deixou claro que o nome da parlamentar é visto com naturalidade pelo grupo político.
Ele destacou que a palavra final caberá ao governador Otaviano Pivetta, em conjunto com Mauro Mendes, responsável pela condução das negociações da aliança.
“O Mauro Mendes já disse que não existe nenhuma objeção em relação ao nome da deputada Janaina. Ela pode ser vice, pode disputar o Senado. Essa acomodação ainda está sendo avaliada pelo governador Otaviano Pivetta dentro das possibilidades políticas”, explicou.
Cidinho também comentou rapidamente o cenário nacional e afirmou ter ficado positivamente impressionado com o empresário Renan Santos, que recentemente cumpriu agenda em Mato Grosso.
“Foi uma boa surpresa. É um rapaz inteligente, preparado e esteve bastante entusiasmado com Mato Grosso durante sua visita”, afirmou.
Enquanto as convenções partidárias se aproximam, a principal indefinição permanece concentrada no União Brasil. A decisão sobre a manutenção ou não da candidatura de Jayme Campos poderá redefinir completamente o tabuleiro político de Mato Grosso, influenciando diretamente as alianças, a composição das chapas e a estratégia do grupo governista para enfrentar uma eleição que promete ser uma das mais disputadas e imprevisíveis da história recente do Estado.
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