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Por Nayara Cristina
A declaração do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, de que Cuiabá e Várzea Grande estariam se transformando em um “bolsão de miséria e favelas”, provocou reação imediata do prefeito da Capital, Abilio Brunini (PL). Ao comentar as críticas feitas pelo chefe da Corte de Contas, o gestor municipal afirmou que o crescimento da vulnerabilidade social é consequência do atual cenário econômico do país e atribuiu a situação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado sobre o alerta feito pelo presidente do TCE, que também chamou atenção para problemas relacionados ao aumento da pobreza e à proliferação de bolsões de lixo na cidade, Abilio respondeu de forma direta e disse que a crise econômica nacional tem ampliado o número de famílias em situação de extrema vulnerabilidade.
“A resposta é ‘faz o L’, né? Mas eu não posso fazer essa resposta. Por que está virando bolsões de miséria? Porque a população está passando dificuldade. O Brasil nunca teve uma situação como está passando hoje. Se você for lá na fila dos ossinhos, está lá, aumentando”, declarou.
Ao citar a chamada “fila dos ossinhos”, o prefeito fez referência ao episódio que ganhou repercussão nacional em 2021, quando centenas de pessoas enfrentavam longas filas em Cuiabá para receber doações de retalhos de ossos com restos de carne, situação que se tornou símbolo do avanço da fome durante o período de forte crise econômica e dos efeitos da pandemia.
Segundo Abilio, o aumento da vulnerabilidade social pode ser observado em diversas regiões da cidade e demonstra que programas de transferência de renda já não conseguem atender plenamente a população de baixa renda.
“Se você for aos bairros da nossa cidade, vai perceber que cresce o número de pessoas em condições de vulnerabilidade. Muitas delas não conseguem mais se sustentar e nem mesmo programas sociais, como o Bolsa Família, têm sido suficientes para garantir a sobrevivência dessas famílias”, afirmou.
Os dados econômicos também refletem a pressão sobre o orçamento das famílias cuiabanas. Mesmo com uma pequena redução registrada nos preços de alguns alimentos durante a última semana de julho, a cesta básica permanece em um dos maiores patamares dos últimos anos. O valor médio chegou a R$ 848,96, mantendo-se acima do registrado no mesmo período do ano passado e evidenciando que o custo de vida continua elevado para a população.
Além da questão social, Abilio também respondeu às críticas relacionadas aos pontos de descarte irregular de resíduos espalhados pela cidade. O prefeito defendeu maior conscientização da população e descartou a criação de recompensas para quem denunciar infratores ambientais.
“Nós não podemos criar recompensa toda hora para alguém que é bom cidadão. Temos que punir quem insiste em agir de forma errada. Não jogar lixo em locais inadequados é um dever de todos. O maior prêmio é a consciência de estar fazendo a coisa certa”, ressaltou.
O embate ocorre um dia após o presidente do TCE afirmar que Cuiabá e Várzea Grande enfrentam um crescimento desordenado de áreas de ocupação precária e alertar que as duas maiores cidades de Mato Grosso correm o risco de ampliar os problemas sociais caso não haja políticas públicas mais eficazes para habitação, infraestrutura urbana e assistência às famílias em situação de vulnerabilidade.
As declarações ampliam o debate sobre os desafios enfrentados pelas duas principais cidades do Estado, colocando em pauta questões como pobreza, habitação, limpeza urbana e os impactos do cenário econômico nacional sobre a realidade dos municípios mato-grossenses.
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