PORTÃO DO INFERNO

“O túnel talvez cause menos impacto ambiental do que o retaludamento”, diz secretário ao cobrar definição do Ibama para destravar obra na MT-251

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“O túnel talvez cause menos impacto ambiental do que o retaludamento”, diz secretário ao cobrar definição do Ibama para destravar obra na MT-251

JB News

Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto

A indefinição sobre a liberação ambiental para as obras no Portão do Inferno, na MT-251, continua impedindo o avanço de uma das intervenções mais aguardadas por moradores, empresários e turistas que utilizam o acesso a Chapada dos Guimarães. Durante entrevista nesta sexta-feira, o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, afirmou que o Governo de Mato Grosso aguarda um posicionamento do Ibama e do ICMBio para republicar a licitação do túnel, alternativa escolhida para solucionar de forma definitiva os constantes deslizamentos de terra no trecho.

Segundo o secretário, a proposta inicial previa a execução do retaludamento — técnica que consiste na retirada de parte do maciço rochoso para estabilizar a encosta. No entanto, estudos posteriores apontaram que a solução poderia gerar novos problemas técnicos e ambientais. Diante disso, o Estado reformulou o projeto e passou a defender a construção de um túnel como alternativa mais segura e com menor impacto ao meio ambiente.

O túnel talvez cause menos impacto ambiental e menos impacto visual do que o retaludamento”, afirmou Marcelo de Oliveira.

O gestor explicou que o projeto depende exclusivamente do licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama e pelo ICMBio, órgãos federais responsáveis pela análise técnica da intervenção por se tratar de uma área inserida no entorno do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

Segundo ele, o Governo do Estado já apresentou os estudos necessários e agora aguarda que os órgãos ambientais indiquem eventuais complementações técnicas para que o processo possa avançar.

“O licenciamento não depende da gente. Nós precisamos que o Ibama nos diga quais são os encaminhamentos e os argumentos para que possamos responder e seguir com a obra”, destacou.

Marcelo revelou ainda que a primeira licitação para execução do túnel acabou fracassando. Apenas uma empresa apresentou proposta, mas foi desclassificada por não atender às exigências de habilitação fiscal previstas no edital. Com isso, o certame foi declarado deserto e precisará ser republicado.

A expectativa da Secretaria de Infraestrutura é lançar uma nova licitação dentro de aproximadamente 30 dias, desde que haja um direcionamento inicial por parte do Ibama. Segundo o secretário, os representantes do órgão ambiental sinalizaram que deverão apresentar uma manifestação nesse período.

Apesar da demora, Marcelo afirmou que o Governo mantém o diálogo com os órgãos federais e trabalha para que o processo avance o mais rapidamente possível.

As obras no Portão do Inferno tornaram-se uma das principais demandas de infraestrutura de Mato Grosso. Desde o agravamento das fissuras e do risco de desmoronamentos, em dezembro de 2023, o trecho passou a operar sob rígidas restrições de tráfego, com bloqueios parciais, horários controlados e proibição da circulação de veículos pesados. As limitações afetam diariamente moradores de Chapada dos Guimarães, o setor do turismo, produtores rurais e milhares de motoristas que utilizam a MT-251, principal ligação entre Cuiabá e o município turístico.

Durante a entrevista, o secretário também defendeu a decisão do Governo de restringir a passagem de caminhões e ônibus pelo trecho crítico da rodovia. Segundo ele, a medida evitou um colapso ainda maior da encosta.

Aquele trecho só não veio abaixo porque houve a decisão de proibir a passagem de ônibus e caminhões”, declarou.

Marcelo de Oliveira acrescentou que o Estado também avalia alternativas emergenciais para garantir a mobilidade caso ocorram novos bloqueios enquanto o licenciamento ambiental não é concluído. Ele lembrou que existe uma ponte construída durante a época das obras do VLT que poderá ser analisada como parte das soluções de contingência, embora tenha ressaltado que qualquer utilização dependerá de avaliações técnicas.

Enquanto o processo segue nos órgãos ambientais federais, a população de Chapada dos Guimarães continua convivendo com as incertezas em relação ao futuro da MT-251. Considerada um dos principais corredores turísticos de Mato Grosso, a rodovia permanece submetida a restrições que se arrastam há mais de dois anos, enquanto comerciantes, moradores e visitantes aguardam o início de uma obra definitiva capaz de eliminar os riscos de desmoronamentos e devolver segurança ao acesso entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

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