ESVAZIAMENTO

“Cláudio Ferreira é apenas um; vocês vão ver muitos prefeitos do PL vindo para o nosso lado”, diz Pivetta ao prever debandada no partido de Wellington

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“Cláudio Ferreira é apenas um; vocês vão ver muitos prefeitos do PL vindo para o nosso lado”, diz Pivetta ao prever debandada no partido de Wellington

JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

“Cláudio é apenas um; vocês vão ver muitos prefeitos do PL vindo para o nosso lado”, diz Pivetta ao prever debandada no partido de Wellington

A disputa pelo Governo de Mato Grosso ganhou novos contornos nesta semana após o governador Otaviano Pivetta afirmar publicamente que o apoio declarado pelo prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), é apenas o começo de um movimento político que poderá atingir em cheio a base do senador Wellington Fagundes, pré-candidato ao Palácio Paiaguás pelo Partido Liberal.

Durante o lançamento da pré-candidatura do ex-governador Mauro Mendes ao Senado e de Virginia Mendes à Câmara Federal, realizado na terça-feira (23), Pivetta foi questionado sobre a repercussão do apoio recebido do prefeito de Rondonópolis, uma das principais lideranças do PL em Mato Grosso. A resposta foi direta e carregada de simbolismo político.

“Cláudio é um dos prefeitos do PL. Vocês vão ver muitos. Serão muitos que estarão nos apoiando”, declarou o governador aos jornalistas.

A fala foi interpretada nos bastidores como um aviso de que o grupo governista acredita estar atraindo lideranças importantes do PL para o projeto de reeleição de Pivetta. Mais do que um simples apoio isolado, a manifestação do prefeito de Rondonópolis passou a ser vista como um sinal de que parte significativa dos gestores municipais da legenda pode não acompanhar a candidatura de Wellington Fagundes em 2026.

O episódio tem peso político relevante. Cláudio Ferreira não é apenas mais um prefeito filiado ao PL. Ele administra Rondonópolis, terceiro maior colégio eleitoral do Estado e cidade considerada estratégica em qualquer disputa majoritária. Além disso, sua eleição foi construída dentro do campo conservador e bolsonarista, o mesmo ambiente político em que Wellington Fagundes busca consolidar sua candidatura ao Governo.

Ao defender publicamente Pivetta, Cláudio Ferreira elogiou a postura administrativa do governador e destacou características pessoais que, segundo ele, justificam seu posicionamento político.

O prefeito afirmou que Pivetta é um homem de palavra, sério, leal e comprometido com os municípios, além de ressaltar a parceria institucional construída entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Rondonópolis.

A declaração provocou forte repercussão no meio político porque ocorre justamente em um momento em que Wellington tenta consolidar sua posição como candidato oficial do PL. Nos bastidores, lideranças observam que a pré-campanha do senador enfrenta dificuldades para unificar prefeitos, vereadores e lideranças regionais da própria legenda.

Nos últimos meses, Wellington Fagundes intensificou sua agenda política em Mato Grosso e também buscou reforçar sua condição de candidato oficial do partido junto à direção nacional. O senador tem participado de encontros com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e divulgado manifestações da cúpula partidária reafirmando seu nome como representante da legenda na disputa estadual.

Ainda assim, a necessidade constante de reafirmação pública da candidatura tem alimentado comentários entre analistas políticos e lideranças partidárias. Em diversos círculos políticos, cresce a avaliação de que Wellington enfrenta dificuldades para transformar o apoio institucional da sigla em apoio efetivo das bases municipais.

É justamente nesse cenário que a fala de Pivetta ganha relevância.

Aliados do governador acreditam que a força da máquina estadual, a aprovação das obras realizadas pelo atual governo e a influência política do grupo liderado por Mauro Mendes estão criando um ambiente favorável para atrair prefeitos independentemente da filiação partidária.

Nos bastidores, a leitura é que muitos gestores municipais estão priorizando projetos administrativos e a manutenção de parcerias com o Governo do Estado em vez de seguir automaticamente as orientações partidárias.

A situação é observada com atenção principalmente porque outros nomes importantes do PL já demonstraram posições que nem sempre convergem com a estratégia de Wellington Fagundes.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, por exemplo, já fez elogios públicos à gestão estadual e em diferentes momentos manifestou simpatia política por Pivetta. Em ocasiões anteriores, também evitou assumir compromisso público de participação em um eventual palanque de Wellington, o que alimentou especulações sobre seu posicionamento futuro.

Embora o PL continue oficialmente unido em torno da pré-candidatura do senador, a movimentação registrada nos municípios começa a preocupar integrantes da legenda. A avaliação de parte dos dirigentes é que uma eventual migração de prefeitos para o projeto governista poderia reduzir significativamente a capilaridade eleitoral de Wellington no interior do Estado.

A movimentação ocorre em um momento particularmente sensível do calendário eleitoral. Faltando poucas semanas para as convenções partidárias, os grupos políticos intensificam articulações, ampliam conversas de bastidores e buscam consolidar apoios capazes de influenciar a formação dos palanques para 2026.

Tradicionalmente, à medida que se aproxima o período de definição das candidaturas, os ânimos tendem a se acirrar dentro dos partidos e entre os grupos que disputam o poder. Lideranças passam a cobrar posicionamentos mais claros de prefeitos, vereadores e aliados políticos, enquanto pré-candidatos trabalham para demonstrar força política e capacidade de mobilização.

Em Mato Grosso, esse cenário já começa a ficar evidente. De um lado, Wellington Fagundes busca reafirmar sua condição de candidato oficial do PL e manter a unidade da legenda em torno de seu projeto ao Governo do Estado. Do outro, Otaviano Pivetta tenta ampliar sua base de sustentação política e demonstrar que seu projeto ultrapassa as fronteiras dos partidos que integram formalmente o grupo governista.

Nesse ambiente de intensa articulação, cada declaração pública, cada gesto político e cada apoio anunciado passam a ter peso ainda maior. Foi justamente por isso que o posicionamento do prefeito de Rondonópolis ganhou tamanha repercussão nos bastidores. Mais do que uma manifestação individual, o episódio foi interpretado por aliados e adversários como um indicativo da disputa silenciosa que ocorre nos municípios pela conquista das bases eleitorais.

Com a aproximação das convenções, a tendência é que novas adesões, mudanças de posicionamento e rearranjos políticos passem a ocorrer com maior frequência, elevando ainda mais a temperatura da corrida pelo Palácio Paiaguás e transformando os próximos dias em um período decisivo para a consolidação das principais candidaturas ao Governo de Mato Grosso.

Com menos de um mês para as convenções partidárias, a disputa pelo apoio dos prefeitos se tornou uma das batalhas mais importantes da pré-campanha. Mato Grosso possui 142 municípios, e os gestores municipais exercem influência direta sobre vereadores, lideranças comunitárias, produtores rurais, empresários e segmentos organizados da sociedade.

Enquanto Wellington trabalha para consolidar sua candidatura dentro do PL, Pivetta aposta no fortalecimento de uma ampla frente política construída a partir da base governista e do legado administrativo deixado por Mauro Mendes.

Por isso, a declaração feita nesta semana foi recebida como mais do que uma simples comemoração pelo apoio de Cláudio Ferreira. Para aliados do governador, ela representa a convicção de que o movimento iniciado em Rondonópolis poderá se repetir em outras regiões do Estado.

Se a previsão de Pivetta irá se confirmar ou não, as próximas semanas deverão responder. Mas uma coisa já ficou evidente nos bastidores da política mato-grossense: a disputa pelo Governo entrou definitivamente na fase em que o apoio dos prefeitos poderá valer tanto quanto o apoio dos partidos.

E foi justamente esse recado que o governador procurou transmitir ao afirmar que Cláudio Ferreira não será um caso isolado.

“Vocês vão ver muitos.”

“Vocês vão ver muitos.”

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