DEVOLUÇÃO DE 50%

Max Russi pede ação do MP e diz que devolução de emendas “é caso de cadeia”

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Max Russi pede ação do MP e diz que devolução de emendas “é caso de cadeia”

JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

EMENDAS SOB SUSPEITA

“Isso é criminoso e tem que dar cadeia”, dispara Max Russi ao rebater denúncia sobre devolução de emendas parlamentares

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), elevou o tom nesta semana ao comentar as denúncias envolvendo supostos pedidos de devolução de recursos oriundos de emendas parlamentares. Ao reagir às declarações feitas pelo pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante), o parlamentar classificou qualquer prática dessa natureza como criminosa e defendeu a atuação rigorosa dos órgãos de fiscalização e controle.

A polêmica ganhou repercussão após Galvan afirmar publicamente que prefeitos estariam sendo pressionados a devolver parte dos recursos liberados por meio de emendas parlamentares, prática que ficou conhecida nos bastidores políticos como “lei do retorno”. Segundo as declarações atribuídas ao pré-candidato, haveria casos em que gestores municipais seriam obrigados a devolver até 50% dos valores recebidos.

Ao ser questionado sobre o assunto, Max Russi demonstrou indignação e colocou em dúvida a viabilidade prática das acusações apresentadas.

“Isso é criminoso. Não podemos aceitar uma situação dessas. Se alguém está fazendo isso, tem que ser investigado. O Ministério Público tem que atuar, os órgãos de controle têm que atuar e quem estiver cometendo irregularidade tem que responder por isso”, afirmou.

O presidente da Assembleia argumentou que a lógica apresentada nas denúncias não encontra sustentação quando confrontada com a realidade das obras públicas. Segundo ele, seria praticamente impossível executar projetos municipais caso metade dos recursos fosse desviada ou devolvida.

“Você imagina uma carga tributária elevada, o dinheiro chegando para fazer uma obra, construir uma unidade de saúde, uma escola, uma pavimentação, e alguém ficar com 50% desse recurso? Não entra na minha cabeça que isso seja possível. Existe Tribunal de Contas, existem câmaras municipais, existem órgãos de fiscalização. Como alguém faria uma obra com apenas 30% ou 40% do valor previsto?”, questionou.

Durante a entrevista, Max Russi afirmou que não pode responder por todos os prefeitos e parlamentares do país, mas ressaltou que nunca presenciou ou recebeu qualquer relato concreto envolvendo esse tipo de prática em Mato Grosso.

“Eu não posso falar por mais de cinco mil prefeitos nem por mais de mil parlamentares do Brasil. Mas posso dizer que nunca tive uma conversa nesse sentido com qualquer prefeito. Nunca recebi esse tipo de pedido e nenhum prefeito chegou para mim relatando algo semelhante”, declarou.

O deputado também destacou que eventuais irregularidades precisam ser tratadas com provas e identificação dos responsáveis. Segundo ele, acusações genéricas acabam criando um ambiente de desconfiança sem apresentar elementos concretos que permitam a responsabilização dos envolvidos.

“Se existe um caso, que seja apontado quem fez, qual prefeito, qual deputado, quem pediu, quem recebeu. Não podemos trabalhar apenas com insinuações. Se houver irregularidade, que seja investigada e punida”, reforçou.

A fala de Max ocorre em um momento de forte debate nacional sobre a destinação e fiscalização das emendas parlamentares. Nos últimos anos, o tema passou a ocupar espaço central nas discussões sobre transparência na aplicação de recursos públicos, especialmente após questionamentos levantados por órgãos de controle sobre mecanismos de distribuição e execução dessas verbas.

Em Mato Grosso, as declarações de Antônio Galvan abriram uma nova frente de debate político ao sugerirem a existência de um suposto esquema envolvendo a devolução de parte dos recursos encaminhados aos municípios. Até o momento, entretanto, não foram apresentados documentos, nomes ou provas públicas que confirmem as acusações.

Enquanto o assunto ganha repercussão nos bastidores da política estadual, Max Russi defende que qualquer denúncia seja apurada com rigor pelas autoridades competentes, mas ressalta que acusações sem comprovação não podem servir para colocar sob suspeita todos os parlamentares e prefeitos que atuam na destinação de recursos para obras e serviços públicos.

Para o presidente da Assembleia Legislativa, caso exista qualquer esquema de devolução de verbas públicas, a resposta deve ser dada pela Justiça, pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle. “Se alguém está cometendo crime com dinheiro público, tem que ser investigado, responsabilizado e punido. Isso não pode acontecer e não pode ser tolerado”, concluiu.

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