RACHA NA BASE

“Não temos nada fechado com Mauro”, diz liderança do PSDB após reunião com Galvan e anunciar encontro com Medeiros para discutir composição ao Senado

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“Não temos nada fechado com Mauro”, diz liderança do PSDB após reunião com Galvan e anunciar encontro com Medeiros para discutir composição ao Senado
Foto : Carlos Avallone, Galvan, Roberto Bezerra

JB News

Da redação

RACHA NA BASE

A disputa pelas vagas ao Senado em Mato Grosso começa a provocar ruídos dentro do grupo político que dá sustentação ao projeto governista para as eleições de 2026. Lideranças do PSDB deixaram claro que a legenda ainda não definiu apoio a nenhuma candidatura ao Senado e reclamam da falta de diálogo por parte do ex-governador Mauro Mendes na construção de seu projeto eleitoral.

As declarações foram dadas pelo secretário financeiro do PSDB Roberto Bezerra, após uma reunião realizada nesta terça-feira com o pré-candidato ao Senado Antônio Galvan. Segundo integrantes da direção tucana, a legenda também terá uma nova rodada de conversas nesta quarta-feira com o deputado federal José Medeiros, que igualmente busca apoio político para a disputa.

De acordo com a direção do PSDB, o partido pretende ouvir todos os postulantes antes de tomar qualquer decisão sobre alianças e composição de chapa. A avaliação é que a legenda possui estrutura eleitoral consolidada, com nominatas praticamente completas para deputado estadual e federal, o que torna seu apoio estratégico para qualquer projeto majoritário.

Durante a conversa, os tucanos ressaltaram que Galvan apresentou suas intenções políticas e manifestou interesse em construir uma aliança com o partido. A proposta será levada para avaliação dos pré-candidatos e das lideranças da legenda, que deverão discutir o tema internamente antes de anunciar qualquer posicionamento oficial.

O posicionamento do PSDB ganha ainda mais relevância porque ocorre justamente no mesmo dia em que Mauro Mendes lançou oficialmente sua pré-candidatura ao Senado da República, em um ato político realizado em Cuiabá que reuniu aliados, prefeitos, parlamentares e lideranças de diversas regiões do Estado.

Apesar da demonstração de força política apresentada no evento, interlocutores dos bastidores avaliam que a composição da chapa senatorial já estaria praticamente encaminhada. Nos corredores da política mato-grossense, circulam informações de que o empresário Cidinho Santos, ex-presidente da concessionária Rota do Oeste e uma das principais lideranças do agronegócio estadual, seria o nome cotado para ocupar a primeira suplência da chapa.

Já a segunda vaga estaria sendo destinada ao ex-secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, considerado um dos principais articuladores da política fiscal implementada ao longo dos dois mandatos de Mauro Mendes. Embora os nomes nunca tenham sido oficialmente confirmados pelo ex-governador, a leitura de dirigentes partidários é que as definições estariam avançando sem a participação efetiva das legendas que compõem a base política construída nos últimos anos.

Nos bastidores, essa percepção vem gerando desconforto entre dirigentes e lideranças partidárias. A avaliação é que, ao contrário do que tradicionalmente ocorre em disputas majoritárias, as conversas sobre a formação da chapa estariam sendo conduzidas de forma restrita, sem uma ampla negociação com os partidos aliados.

Foi justamente esse sentimento que ficou evidente nas declarações de integrantes do PSDB. Segundo eles, até o momento não houve nenhuma reunião formal entre Mauro Mendes e a direção tucana para discutir apoio político, composição de chapa ou espaços dentro do projeto eleitoral.

“O partido apoiou o governo, esteve ao lado da gestão durante todo esse período, mas uma candidatura majoritária precisa dialogar com as legendas. Até agora não houve nenhuma conversa oficial”, afirmou uma liderança partidária.

Outro ponto destacado pelos tucanos é que, enquanto Galvan procurou pessoalmente a legenda e Medeiros agendou reunião para apresentar seu projeto, Mauro Mendes ainda não abriu um canal de negociação com o partido.

Nos bastidores do PSDB, a leitura é de que o apoio da sigla não pode ser tratado como automático. Lideranças argumentam que o partido participou ativamente da sustentação política do governo, ocupou espaços importantes e ajudou a consolidar projetos estratégicos da atual gestão. Por isso, defendem que qualquer construção eleitoral para 2026 passe necessariamente pelo diálogo entre os integrantes da base.

As declarações também expõem uma divergência crescente dentro do grupo governista. Enquanto o governador Otaviano Pivetta vem mantendo conversas frequentes com lideranças partidárias para consolidar sua pré-candidatura ao Palácio Paiaguás, dirigentes tucanos afirmam não enxergar a mesma movimentação por parte do projeto senatorial de Mauro Mendes.

A situação pode abrir espaço para novas articulações nas próximas semanas. A reunião marcada com José Medeiros é vista como mais um capítulo desse processo de negociação, reforçando que a disputa pelo apoio das legendas ainda está longe de uma definição.

Embora o PSDB permaneça alinhado ao projeto de sucessão liderado por Otaviano Pivetta, a sigla sinaliza que sua posição em relação ao Senado seguirá em aberto enquanto não houver uma discussão mais ampla sobre a formação da chapa. O recado emitido pela legenda é claro: em política, apoio se constrói com diálogo, participação e composição. E, segundo os próprios tucanos, essa conversa ainda não aconteceu.