BASTIDORES DA SUCESSÃO

“Não vou trair o PL, mas também não vou fazer a manifestação que eles desejam e nem desrespeitar Pivetta”, diz Abílio após avanços de apoios de prefeitos a reeleição do governador

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“Não vou trair o PL, mas também não vou fazer a manifestação que eles desejam e nem desrespeitar Pivetta”, diz Abílio após avanços de apoios de prefeitos a reeleição do governador

JB News

Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto do Local

A sucessão ao Governo de Mato Grosso em 2026 começa a provocar uma silenciosa reorganização das forças políticas dentro do Partido Liberal (PL). Enquanto prefeitos filiados à legenda passam a declarar apoio público à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), adotou um discurso de equilíbrio: reafirmou fidelidade ao partido, mas deixou claro que não pretende romper sua relação política e pessoal com Pivetta.

Nos últimos dias, a movimentação ganhou força após prefeitos do PL anunciarem apoio ao projeto político liderado pelo vice-governador, ampliando a disputa interna no campo conservador e aumentando a pressão sobre a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes, nome defendido pelo Partido Liberal para a sucessão estadual. Entre eles está Cláudio Ferreira prefeito de Rondonópolis, e Edilson Antônio Piaia, prefeito de Campo Novo do Parecis.

Questionado sobre esse movimento, Abílio afirmou que tem optado por manter distância das articulações eleitorais e concentrar seus esforços na administração da Prefeitura de Cuiabá.

“Eu não estou participando dessas articulações e não tenho me envolvido nisso. Decidi exercer um papel mais institucional, voltado para a gestão da Prefeitura, e por isso acabei me distanciando dessas conversas políticas”, afirmou.

Apesar de evitar participar das negociações, o prefeito também descartou qualquer possibilidade de confrontar a posição oficial do PL durante o processo eleitoral.

Todos sabem que sou do PL e não farei manifestação contrária ao meu partido. Fui eleito pelo Partido Liberal e vou respeitar a decisão da legenda”, declarou.

Ao mesmo tempo, Abílio fez questão de destacar que sua postura não significa rompimento com Otaviano Pivetta, com quem mantém uma relação de amizade construída ao longo dos últimos anos.

Todo mundo sabe da minha amizade com o Pivetta, o carinho e o apreço que tenho por ele. Mas também tenho respeito pelo senador Wellington Fagundes e não vou desrespeitar nenhuma das duas candidaturas”, afirmou.

A declaração reforça a posição adotada pelo prefeito desde o início das discussões sobre a sucessão estadual. Embora evite declarar apoio público a qualquer pré-candidato antes da definição partidária, Abílio também não esconde a boa relação construída com o vice-governador, fator que alimenta especulações nos bastidores sobre seu eventual posicionamento quando a campanha entrar oficialmente em curso.

Nos bastidores da política mato-grossense, a disputa pelos prefeitos tornou-se um dos principais termômetros da corrida eleitoral. A estratégia da pré-campanha de Otaviano Pivetta tem sido ampliar sua base municipalista, atraindo lideranças de diferentes partidos, inclusive do próprio PL, legenda que trabalha para consolidar a candidatura de Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás.

O movimento é acompanhado com atenção pelas duas pré-campanhas, já que o apoio de prefeitos é considerado decisivo na construção de palanques regionais e na mobilização das bases eleitorais no interior do Estado.

Sem anunciar oficialmente de que lado estará quando a campanha começar, Abílio procurou demonstrar equilíbrio político. Sua fala preserva a unidade partidária ao mesmo tempo em que mantém abertas as portas do diálogo com Otaviano Pivetta, evidenciando que, na disputa pelo Governo de Mato Grosso, as articulações seguem em pleno curso e que a definição dos apoios ainda deverá passar por intensas negociações até o período das convenções partidárias.

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