DISPUTA INTERNA

“Não houve pedido formal de aliança, vou ganhar a convenção e depois o Governo”, dispara Jayme Campos ao desafiar grupo de Mauro e Pivetta

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“Não houve pedido formal de aliança, vou ganhar a convenção e depois o Governo”, dispara Jayme Campos ao desafiar grupo de Mauro e Pivetta

JB News

Por Nayara Cristina

A poucas horas da decisão que definirá os rumos do União Brasil em Mato Grosso para as eleições de 2026, o senador Jayme Campos elevou o tom do discurso e demonstrou confiança absoluta de que sairá vitorioso da convenção estadual da legenda. Durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (30), na sede da CDL, em Cuiabá, o parlamentar afirmou que espera vencer a disputa interna e, na sequência, conquistar o Governo do Estado, em um recado direto ao grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes e pelo governador Otaviano Pivetta.

Jayme chegou ao encontro afirmando estar “de espírito desarmado”, classificando a convenção como uma “grande festa cívica” e destacando sua longa trajetória dentro da legenda. Segundo ele, sua história se confunde com a do partido, desde os tempos do PDS, passando pelo PFL, DEM e, agora, União Brasil.

Apesar do discurso conciliador, o senador não escondeu a insatisfação com a condução do processo interno. Para ele, a convenção vive uma situação inédita na política brasileira ao submeter ao voto um único filiado inscrito para disputar o Governo do Estado. Jayme sustentou que sua candidatura deveria ser homologada naturalmente, mas afirmou aceitar a disputa por considerar que a decisão final pertence aos convencionais.

Demonstrando confiança, o senador declarou que vencerá a convenção e, posteriormente, as eleições estaduais. Segundo ele, Mato Grosso precisa de um governo voltado para a população e não para interesses econômicos. Em seu discurso, afirmou que pretende governar para toda a sociedade, especialmente para os mais vulneráveis, defendendo uma administração moderna, humana e comprometida com a cidadania.

Ao ser questionado sobre as articulações promovidas pelo grupo de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, Jaime evitou comentar encontros, jantares e negociações realizadas nos bastidores. Disse que fala apenas por si e pelos aliados que o acompanham e reforçou que aqueles presentes na convenção foram para votar em sua candidatura.

O senador também voltou a levantar dúvidas sobre procedimentos adotados na composição dos convencionais, mencionando a substituição de delegados que possuíam direito a mais de um voto. Embora tenha admitido que poderia questionar judicialmente alguns atos, afirmou que não pretende transformar a disputa em uma batalha jurídica. Segundo ele, sua confiança está depositada na consciência dos convencionais.

Outro ponto central da entrevista foi a contestação da possibilidade de o União Brasil deliberar apoio formal à candidatura de Otaviano Pivetta. Jayme argumentou que não houve qualquer pedido oficial de coligação protocolado dentro do prazo previsto no estatuto da legenda. Na avaliação do senador, sem uma proposta formal apresentada por outro partido, não existiria fundamento jurídico ou estatutário para colocar em votação o apoio ao atual governador.

Para reforçar sua tese, Jayme afirmou que, se a interpretação utilizada pela direção fosse válida, ele próprio poderia ter lançado um nome ao Senado apenas para provocar uma disputa semelhante, mas preferiu não agir dessa maneira por respeito às regras internas.

Em outro momento, o senador também comentou a manifestação de um apoiador que compareceu ao evento usando uma camiseta do antigo PFL e afirmando que, naquela época, “o partido não tinha traidor”. Jaime evitou utilizar a mesma expressão, mas fez críticas contundentes a integrantes da legenda que, segundo ele, não possuem espírito partidário.

Sem citar nomes, declarou que há políticos que enxergam o partido apenas como um instrumento para registrar candidaturas, sem compromisso com sua história, princípios ou doutrina. Para Jaime, a lealdade partidária precisa prevalecer sobre interesses pessoais.

Mesmo diante do clima de forte divisão interna, o senador procurou encerrar a entrevista defendendo respeito ao resultado da convenção. Disse que cada convencional votará conforme sua consciência e que a decisão da maioria deverá ser respeitada. Questionado sobre um eventual apoio a Otaviano Pivetta ou ao senador Wellington Fagundes caso seja derrotado, Jaime preferiu não antecipar qualquer posicionamento e encerrou a coletiva em tom bem-humorado, afirmando que ainda era cedo para discutir um cenário que, segundo ele, não acredita que irá acontecer. Segundo o senador, primeiro será preciso concluir a convenção, pois continua convicto de que o União Brasil escolherá seu nome para disputar o Palácio Paiaguás.

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