Cathedra Venalis

Ilde Taques diz que R$ 40 mil encontrados pela PM após encontro de vereadores eram de empréstimo para obra particular

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Ilde Taques diz que R$ 40 mil encontrados pela PM após encontro de vereadores eram de empréstimo para obra particular

R$ 40 MIL NA MIRA DO GAECO

JBNews

Por Nayara Cristina

O vereador de Cuiabá Ilde Taques (Podemos), um dos alvos da Operação Cathedra Venalis, afirmou que os R$ 40 mil em espécie encontrados durante uma abordagem da Polícia Militar, após um encontro com vereadores de Várzea Grande, eram provenientes de um empréstimo pessoal destinado a despesas de uma obra particular.

A explicação ganhou repercussão nesta quinta-feira (22 de outubro), depois que o parlamentar e sua defesa tiveram acesso a informações da decisão judicial que fundamentou as medidas de busca e apreensão autorizadas na investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

O episódio ocorreu no período em que integrantes da Câmara Municipal de Várzea Grande articulavam a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal.

Na ocasião, Ilde estava acompanhado do também vereador de Cuiabá Alex Rodrigues (Podemos), após participar de um almoço com integrantes do grupo político que apoiava a recondução de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara várzea-grandense.

Os parlamentares deixaram o encontro em um veículo Volkswagen T-Cross e foram abordados por uma equipe da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam).

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, os policiais localizaram aproximadamente R$ 40 mil em dinheiro no veículo.

A presença dos dois vereadores cuiabanos no encontro e as circunstâncias da abordagem passaram a ser examinadas pelos investigadores.

Em sua manifestação mais recente, Ilde afirmou que o dinheiro tinha origem lícita e seria utilizado para custear despesas relacionadas a uma construção particular.

O parlamentar também declarou que os valores não foram apreendidos pelos policiais durante a abordagem.

A versão apresentada ainda precisa ser confrontada com o registro oficial da ocorrência e com eventual documentação que comprove a contratação do empréstimo, a entrega dos recursos e sua destinação.

Não foram apresentados publicamente, nas informações consultadas, contrato de empréstimo, identificação do credor ou comprovantes financeiros suficientes para esclarecer de maneira independente a origem da quantia.

Ilde nega ter participado de qualquer negociação envolvendo votos ou apoio político para a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.

Segundo o parlamentar, sua presença no encontro ocorreu exclusivamente por convite do vereador Dr. Miguel Júnior, sem participação em discussões sobre a escolha do comando do Legislativo.

O vereador sustenta que participou apenas de uma confraternização e que não teve envolvimento em acordos financeiros ou negociações políticas relacionadas à eleição de Wanderley Cerqueira.

A explicação surge depois de declarações prestadas na terça-feira (20), quando Ilde confirmou ter participado do almoço e reconheceu a abordagem policial, mas afirmou que nenhum objeto ilegal de sua propriedade havia sido apreendido.

Naquela ocasião, ele não esclareceu diretamente a origem dos R$ 40 mil mencionados nas reportagens sobre a investigação.

Alex Rodrigues também confirmou que estava no veículo durante a abordagem, mas afirmou que o dinheiro não foi encontrado com ele.

O parlamentar declarou que não era proprietário do automóvel e disse acreditar que acabou incluído na investigação por estar presente no encontro político e ter sido abordado pelos policiais logo depois.

Alex negou ter participado de qualquer negociação irregular e afirmou que não foram encontrados objetos ilícitos em sua posse.

A abordagem policial é considerada um dos episódios relevantes para a reconstrução dos acontecimentos que antecederam a eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande.

Os investigadores procuram esclarecer se houve circulação de dinheiro para obtenção de apoio político e se pessoas externas ao Legislativo várzea-grandense participaram das negociações.

Entretanto, não existe comprovação pública de que os R$ 40 mil tenham sido destinados à compra de votos ou ao pagamento de vantagens indevidas.

A localização de dinheiro em espécie, isoladamente, não caracteriza crime. Para estabelecer eventual irregularidade, seria necessário demonstrar sua origem ilícita, a finalidade do pagamento ou a participação dos envolvidos em alguma conduta criminosa.

A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada na terça-feira (20 de outubro), com o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

A investigação apura suspeitas de corrupção, negociação de apoio parlamentar, possíveis pagamentos de propinas e utilização de cargos públicos para garantir o controle político da Câmara Municipal de Várzea Grande.

Ilde Taques e Alex Rodrigues estão entre os parlamentares de Cuiabá alcançados pelas diligências.

Durante o cumprimento dos mandados, aparelhos celulares foram apreendidos para análise das informações armazenadas e eventual identificação de mensagens, contatos ou documentos relacionados aos fatos investigados.

Após a operação, a defesa de Ilde, conduzida pelo advogado Eduardo Mahon, divulgou manifestação negando participação do vereador em articulações ilegais envolvendo a eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande.

A defesa afirmou que o parlamentar colaborou com as autoridades e colocou-se à disposição para os esclarecimentos necessários.

Ilde foi eleito presidente da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027-2028, mas a investigação do Gaeco tem como foco os acontecimentos relacionados à disputa pelo comando do Legislativo de Várzea Grande.

A inclusão do vereador entre os alvos de busca não significa que ele tenha cometido crime, tampouco constitui decisão judicial de responsabilidade criminal.

O procedimento continua em fase investigativa, e os materiais recolhidos deverão ser analisados pelas autoridades.

A explicação sobre o empréstimo pessoal acrescenta uma nova versão para a origem dos R$ 40 mil, mas a comprovação dependerá da apresentação e verificação dos documentos financeiros correspondentes.

Até o momento, não foi localizada decisão judicial definitiva que reconheça irregularidade na posse do dinheiro ou estabeleça sua ligação com os supostos pagamentos de propina investigados pelo Gaeco.

O caso permanece sob apuração, assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência dos envolvidos.

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