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Por Nayara Cristina
O presidente do União Brasil em Mato Grosso, ex-governador Mauro Mendes, deu início, na manhã desta quinta-feira (30), à convenção estadual da legenda que definirá os rumos do partido nas eleições de 2026. Em um ambiente marcado por forte divisão interna entre os defensores da candidatura própria do senador Jaime Campos e os aliados do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Mauro conduziu a abertura dos trabalhos detalhando o rito que será seguido até a proclamação do resultado, reforçando que todas as etapas obedecem rigorosamente ao estatuto partidário.
Logo na abertura, Mauro explicou que os candidatos previamente inscritos e os convencionais teriam espaço para se manifestar, com tempo limitado de dois a três minutos para garantir isonomia entre todos os participantes. Em seguida, esclareceu que a convenção somente poderia deliberar após atingir o quórum mínimo de três quintos dos convencionais. Dos 51 integrantes com direito a voto, pelo menos 31 precisariam registrar presença para que as decisões pudessem ser tomadas.
Alcançado o quórum, a convenção passaria à homologação, por aclamação, das chapas de candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador, já que apenas uma composição foi inscrita para cada uma dessas disputas. O momento de maior tensão, no entanto, ficou reservado para a definição do posicionamento do partido em relação ao Governo do Estado.
Ao anunciar que seriam submetidas à votação as duas propostas apresentadas internamente — a candidatura própria de Jaime Campos e a possibilidade de o União Brasil integrar a coligação em apoio ao governador Otaviano Pivetta —, Mauro foi interrompido por manifestações simultâneas das duas alas presentes no auditório, com gritos favoráveis tanto a Jaime quanto a Pivetta. O presidente da legenda tratou de acalmar os ânimos e afirmou que as manifestações fazem parte da democracia, desde que respeitado o andamento da convenção.
Na sequência, Mauro fez questão de ressaltar que todo o procedimento foi construído com base nas normas do estatuto nacional do União Brasil. Segundo ele, diante da existência de duas posições divergentes dentro do partido, a legislação interna determina que a escolha seja feita por meio de votação secreta dos convencionais.
O ex-governador explicou que uma comissão eleitoral formada por cinco integrantes ficará responsável pela entrega das cédulas, nas quais constam as duas alternativas de deliberação, além da opção de abstenção. Cada convencional depositará seu voto em urna lacrada, preservando o sigilo da escolha.
Mauro também chamou atenção para um detalhe que deverá prolongar a expectativa em torno do resultado. Mesmo que todos os convencionais votem antes do prazo previsto, o estatuto determina que a urna permaneça aberta durante cinco horas. Segundo ele, a direção estadual chegou a consultar a Executiva Nacional sobre a possibilidade de antecipar o encerramento da votação, mas recebeu a orientação de que o prazo precisa ser integralmente cumprido.
Somente após esse período será iniciado o escrutínio, com a contagem pública dos votos que definirá qual posição será oficialmente adotada pelo União Brasil. A decisão, posteriormente, será encaminhada à instância da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, responsável pela deliberação conjunta sobre o posicionamento da aliança nas eleições estaduais.
Ao encerrar a abertura dos trabalhos, Mauro Mendes reafirmou que a condução da convenção seguirá estritamente as regras partidárias e que caberá exclusivamente aos convencionais decidir o futuro político do União Brasil em Mato Grosso, em uma das reuniões mais decisivas da história recente da legenda no Estado.
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