FREIO NO EMPREGO

MT freia geração de empregos e cria apenas 165 vagas em agosto após saldo de 5,7 mil em julho

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MT freia geração de empregos e cria apenas 165 vagas em agosto após saldo de 5,7 mil em julho

JBN

Por José Teixeira

Mato Grosso praticamente estacionou na geração de empregos com carteira assinada em agosto. Depois de criar 5.735 postos de trabalho em julho, o Estado terminou o mês seguinte com saldo de apenas 165 novas vagas, uma redução de aproximadamente 97% na geração líquida de empregos de um mês para o outro.

Os números mostram, porém, que o mercado de trabalho não ficou parado. As empresas mato-grossenses realizaram 53.568 admissões durante agosto, enquanto ocorreram 53.403 desligamentos. O problema esteve justamente na diferença mínima entre quem entrou e quem saiu do mercado formal.

Na prática, para cada grupo de trabalhadores contratado ao longo do mês, praticamente outro do mesmo tamanho deixou um emprego. O movimento fez o saldo final despencar, mesmo com mais de 53 mil novas contratações realizadas.

A composição dos números ajuda a explicar o resultado.

Dos cinco grandes setores da economia, somente serviços conseguiu terminar agosto ampliando de forma significativa o número de trabalhadores. O segmento abriu 1.636 vagas líquidas e acabou funcionando como principal sustentação do mercado de trabalho estadual.

Sem o desempenho dos serviços, Mato Grosso teria terminado agosto com perda líquida de empregos.

Na outra ponta aparece principalmente a agropecuária, que fechou 681 postos formais. O resultado ocorre em um período marcado pela sazonalidade característica da atividade rural. Agosto normalmente representa uma fase de transição no calendário agrícola, depois de etapas de colheita e antes da intensificação de determinadas atividades relacionadas ao novo ciclo de plantio.

Esse comportamento não significa necessariamente retração permanente do agronegócio, mas mostra como o calendário das lavouras interfere diretamente nas admissões e desligamentos em um Estado no qual a atividade agropecuária possui forte peso econômico.

A indústria também perdeu força e encerrou agosto com 424 empregos a menos. O comércio registrou saldo negativo de 358 vagas, enquanto a construção civil ficou praticamente estável, mas no vermelho, com sete postos fechados.

O retrato de agosto, portanto, foi de uma economia com elevada movimentação de trabalhadores, mas baixa capacidade de transformar essa rotatividade em aumento efetivo do estoque de empregos.

O contraste com julho deixa essa mudança ainda mais evidente. O saldo de 5.735 empregos registrado naquele mês caiu para somente 165 em agosto. Isso representa 5.570 vagas líquidas a menos na comparação mensal.

O desempenho mato-grossense também chama atenção quando comparado ao cenário nacional.

O Brasil abriu 165.827 empregos formais em agosto, resultado de 2,29 milhões de admissões contra 2,12 milhões de desligamentos. Diferentemente de Mato Grosso, os cinco grandes setores da economia brasileira apresentaram saldo positivo.

Serviços liderou nacionalmente, com 110.346 novas vagas, seguido pela construção civil, com 20.848; indústria, com 16.613; comércio, com 16.565; e agropecuária, com 1.452.

Apesar do resultado positivo no país, os números nacionais também mostram perda de velocidade no mercado de trabalho quando observado um período mais longo. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil criou 1,134 milhão de empregos formais, resultado 25,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em Mato Grosso, o resultado de agosto funciona como um sinal de desaceleração que precisará ser observado nos próximos meses. O dado isolado não permite concluir que exista uma retração estrutural do mercado de trabalho estadual, principalmente por causa dos efeitos sazonais de setores importantes como a agropecuária.

O próximo resultado do Caged será importante justamente para mostrar se o saldo de apenas 165 empregos foi uma oscilação concentrada em agosto ou se representa o início de uma perda mais persistente de ritmo nas contratações formais no Estado.