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Por nay Cristina
Do local Emerson Teixeira
A vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) rompeu o silêncio nesta terça-feira (29) sobre a decisão de deixar o grupo que sustenta a candidatura do vereador Dilemário Alencar na disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá e declarar apoio a Ilde Taques.
Segundo Baixinha, a mudança ocorreu depois de cinco meses de articulações, desgastes internos e divergências sobre a condução do processo. A parlamentar negou ter traído Dilemário e afirmou que conversou diretamente com ele antes de tomar a decisão.
“Eu fui até onde deu. Não deu mais. Ele quer continuar com a candidatura dele. Que Deus abençoe”, afirmou.
Baixinha disse que permaneceu durante cinco meses ao lado de Dilemário por acreditar no grupo e na candidatura dele. Mesmo após mudar de posição, afirmou continuar considerando o parlamentar uma boa opção para comandar a Mesa Diretora.
“Eu acredito ainda que o Dilemário seria a melhor opção para a Mesa Diretora. Mas esses cinco meses que a gente passou junto, muito desgaste, chegou a um limite que, para mim, não deu mais para continuar”, declarou.
A vereadora afirmou que a disputa passou a provocar um desgaste que, na avaliação dela, já interferia naquilo que considera prioridade do mandato: o atendimento às demandas da população.
“Eu estava me desgastando demais por uma Mesa Diretora, onde eu sou o povo. Eu fui eleita pelo povo. Meu voto foi pelo povo. Meu voto não é por uma Mesa Diretora. Eu tenho mais preocupação com o povo do que com essa Mesa Diretora”, disse.
Entre os episódios citados pela parlamentar está a judicialização da disputa. Segundo Baixinha, a decisão de recorrer à Justiça não teria sido previamente discutida com todos os integrantes do grupo. Para ela, uma estratégia dessa dimensão deveria ter passado por uma conversa interna.
“Entrar na Justiça foi uma coisa que não foi conversada. Quando eu acho que é um grupo, tudo tem que ser conversado. Poderia ter chegado: ‘Olha, nós não estamos conseguindo os 18 votos, vamos tentar pela Justiça?’. Eu acredito que eu e o Dilemário não íamos fazer questão”, afirmou.
Baixinha também mencionou declarações feitas durante as articulações envolvendo quantidade de votos e compromissos políticos como fatores que ampliaram o desgaste. Ela citou a promessa de alcançar “16 votos até o dia 16” e demonstrou incômodo com manifestações que teriam diminuído a importância de determinados votos dentro da composição.
A vereadora evitou citar nominalmente os responsáveis pelas declarações, mas admitiu que os episódios provocaram mágoas.
“Isso daí é desgaste. Isso daí é um desgaste que dói. Eu tenho sentimento, eu sou uma pessoa que tem sentimento”, declarou.
Ao explicar a mudança de lado, Baixinha afirmou que Ilde Taques já mantinha diálogo durante o processo de articulação e que sua posição ao lado de Dilemário havia sido respeitada enquanto permaneceu no grupo.
Agora, segundo a parlamentar, existe também uma questão de palavra empenhada. Questionada sobre uma eventual volta ao grupo de Dilemário, Baixinha afirmou que não pretende mudar novamente de posição porque já assumiu compromisso com Ilde Taques.
“Assim como eu dei a palavra, eu acho que teria de dizer: eu fui até onde deu. Não deu mais”, declarou.
Apesar da mudança, Baixinha afirmou que mantém consideração por Dilemário. A vereadora chegou a dizer que, mesmo não podendo acompanhá-lo politicamente depois do compromisso assumido, seu sentimento pessoal permaneceria de torcida pelo antigo aliado.
Baixinha também falou sobre sua relação com o prefeito Abílio Brunini diante da divisão política provocada pela disputa. Segundo ela, o posicionamento na Câmara não modificará a forma como pretende exercer o mandato perante o Executivo.
“Para mim, essa relação com o prefeito vai ser a mesma. Eu, como vereadora, se tiver de ir lá, vou lá, vou na secretaria, vou cobrar. O que tiver de ser feito eu vou cobrar”, afirmou.
A parlamentar disse que continuará tratando Abílio institucionalmente como prefeito de Cuiabá, independentemente das divergências envolvendo a composição da Mesa Diretora.
“Vou tratar o prefeito como um prefeito, porque acho que ele é prefeito de Cuiabá e tem de ser respeitado. Mas, se ele não quiser conversar, o que eu vou fazer? Eu não vou fazer nada”, disse.
Ao final, Baixinha reforçou que a decisão de deixar o grupo de Dilemário partiu dela própria e foi resultado dos desgastes acumulados durante os últimos cinco meses.
“É dentro de mim mesmo. É minha pessoa, é o que eu sou, onde eu respeito todo mundo e gostaria de ser respeitada”, afirmou.
Com a mudança, Baixinha passa a integrar politicamente o grupo de Ilde Taques na disputa pela Mesa Diretora, enquanto Dilemário mantém sua candidatura. A declaração da parlamentar também expõe divergências internas que permaneceram nos bastidores durante meses de articulação pela sucessão no comando da Câmara de Cuiabá.
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