DISPUTA PELA COMPOSIÇÃO DA MESA

Max dá 15 dias de prazo para blocos indicarem nomes, defende duas mulheres na Mesa Diretora e votação antes de dezembro

· 10 min de leitura
Max dá 15 dias de prazo para blocos indicarem nomes, defende duas mulheres na Mesa Diretora e votação antes de dezembro

JB News

Por José Teixeira

Fortalecido após eleger seis deputados estaduais, um federal e conquistar espaço na suplência do Senado, presidente da Assembleia articula chapa eclética; disputa pela Primeira-Secretaria, com orçamento bilionário em jogo, movimenta grupos políticos nos bastidores.

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), decidiu acelerar as articulações para a formação da próxima Mesa Diretora e estabeleceu um prazo de até 15 dias para que os blocos parlamentares discutam internamente e apresentem os nomes que pretendem indicar aos cargos de comando do Legislativo. Em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (28), durante a sessão ordinária, Max confirmou que disputará a reeleição à presidência, defendeu uma composição eclética, com representantes de diferentes partidos e correntes políticas, e manifestou o desejo de incluir as duas mulheres eleitas para a próxima legislatura na chapa que pretende liderar.

A movimentação ocorre em meio a uma intensa disputa de bastidores, especialmente pela Primeira-Secretaria, atualmente ocupada pelo deputado Dr. João (MDB). Com o fortalecimento de partidos como PL e Republicanos nas eleições de outubro, a distribuição dos cargos da Mesa Diretora passou a concentrar interesses de diferentes grupos, que buscam ampliar sua influência na administração do Parlamento. Apesar das divergências em torno das posições estratégicas, a permanência de Max na presidência é considerada o cenário mais provável, já que, até o momento, nenhum outro parlamentar apresentou uma candidatura consolidada para enfrentá-lo.

Max revelou que aguardava o encerramento das eleições gerais para iniciar efetivamente as negociações e que já começou a conversar com deputados interessados em integrar a futura direção da Assembleia. A estratégia é permitir que cada bloco parlamentar organize suas pretensões, avalie a força de suas bancadas e construa os apoios necessários antes de apresentar os nomes para a composição.

“Estou colocando meu nome. Eu falei que ia esperar finalizar as eleições. Ontem conversei com algumas pessoas que pretendem disputar e querem espaço na Mesa Diretora”, afirmou o presidente.

Embora tenha estabelecido um prazo inicial para que os grupos se posicionem, Max trabalha com um horizonte de 15 a 30 dias para consolidar os entendimentos e encaminhar a formação da chapa. O objetivo político é resolver as negociações ainda em novembro ou, no máximo, no início de dezembro, evitando que a disputa avance sobre as festas de Natal e Ano Novo.

A intenção do presidente é construir uma chapa que contemple partidos de diferentes tendências ideológicas, sem transformar a eleição interna em um confronto entre direita, centro e esquerda. Max avalia que a maturidade política dos parlamentares permite chegar a um entendimento amplo, mesmo diante dos interesses divergentes pela ocupação dos principais cargos.

“Espero que esse ano, pela maturidade dos deputados, pela maturidade do Parlamento, pela formação da Assembleia Legislativa, nós temos condição sim de no próximo mês de novembro fazer todas essas discussões, fazer esse debate, organizar uma mesa eclética”, declarou.

O presidente também relembrou disputas anteriores em que as articulações pela Mesa Diretora se prolongaram até as vésperas de Natal e Ano Novo, obrigando os deputados a manter reuniões políticas durante o período reservado às famílias. Desta vez, quer evitar o desgaste e chegar ao fim do ano com o entendimento político encaminhado.

Nos bastidores, a movimentação de Max é interpretada como uma tentativa de organizar antecipadamente as forças que estarão representadas na próxima legislatura. O Podemos, partido presidido por ele em Mato Grosso, elegeu seis deputados estaduais e terá a maior bancada da Assembleia, condição que fortalece consideravelmente sua capacidade de articulação. PL e Republicanos conquistaram quatro cadeiras cada, enquanto o MDB garantiu três representantes.

O poder político de Max, entretanto, não se resume ao resultado obtido na disputa estadual. Sob sua liderança, o Podemos também conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, com a eleição do ex-secretário estadual de Segurança Pública, coronel César Roveri, além de integrar a chapa vitoriosa de Mauro Mendes (União Brasil) ao Senado, que tem o empresário Elson Ramos (Podemos) como segundo suplente.

O desempenho ampliou a presença da legenda nas principais estruturas de representação política de Mato Grosso e consolidou Max como uma das lideranças de maior capacidade de articulação no Estado. Ele próprio foi o deputado estadual mais votado nas eleições de outubro, com 86.934 votos, resultado que reforçou sua posição dentro do Parlamento.

Essa força eleitoral ajuda a explicar por que os grupos políticos concentram suas movimentações na disputa pelos demais cargos da Mesa Diretora, evitando, pelo menos neste momento, um confronto direto com Max pela presidência. Embora a eleição ainda dependa da manifestação dos 24 deputados, a tendência de bastidores é de uma recondução com apoio expressivo, possivelmente próximo da unanimidade, caso o presidente consiga acomodar os interesses das principais bancadas.

A estratégia de Max é justamente preservar essa unidade. Em vez de estimular uma disputa pela presidência, ele pretende organizar as negociações para que os blocos apresentem seus nomes e encontrem espaço em uma composição capaz de representar as diferentes forças políticas do Legislativo.

Um dos pontos que ganharam destaque na entrevista foi a intenção de assegurar participação feminina na futura Mesa Diretora. O presidente afirmou que gostaria de contar com as duas deputadas eleitas em outubro, Samantha Iris (PL), esposa do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e Alessandra Ferreira (Podemos), esposa do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira.

A eleição das duas representa uma ampliação da presença feminina no Legislativo estadual. Na atual legislatura, Janaina Riva (MDB) foi a única mulher eleita diretamente para uma das 24 cadeiras. A partir de fevereiro de 2027, Samantha e Alessandra ocuparão os dois mandatos femininos da nova composição parlamentar.

“Nós temos seis novos deputados, duas mulheres, inclusive. Dobramos a participação feminina dentro da Casa. Então isso é motivo de alegria para a Assembleia Legislativa. É um avanço importante, 100% de aumento na representação feminina na próxima legislatura”, destacou Max.

Ao comentar a formação de sua chapa, o presidente foi além da defesa da representatividade e demonstrou interesse direto na participação das futuras parlamentares nos cargos de direção.

“Elas vão participar, inclusive, na minha mesa. Eu gostaria muito de poder contar com as duas mulheres fazendo parte da minha chapa”, declarou.

Samantha Iris, conhecida eleitoralmente como Samantha do Abilio, conquistou aproximadamente 57,9 mil votos e chega à Assembleia depois de ter sido eleita vereadora por Cuiabá em 2024. Já Alessandra Ferreira recebeu cerca de 50,8 mil votos e disputou sua primeira eleição para o Legislativo estadual pelo Podemos. Ex-secretária municipal de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis, ela integra a mesma legenda de Max Russi.

A presença das duas na futura Mesa Diretora teria também um significado político importante. Além de ampliar a participação feminina no comando da Assembleia, permitiria contemplar representantes de duas bancadas relevantes nas negociações: o Podemos, partido do presidente, e o PL, que pretende conquistar maior espaço na direção da Casa.

Entretanto, os cargos que poderiam ser destinados às parlamentares ainda não foram definidos. Essa escolha dependerá das conversas com os blocos e da necessidade de acomodar os demais interesses envolvidos na composição.

É justamente nessa distribuição que se concentra a principal disputa de bastidores. Enquanto a permanência de Max Russi na presidência aparece como o cenário mais encaminhado, a Primeira-Secretaria tornou-se alvo de uma movimentação que pode modificar o equilíbrio político da Assembleia.

Atualmente sob o comando do deputado Dr. João, o cargo é considerado uma das posições mais estratégicas do Legislativo por sua participação na administração interna, na gestão financeira e nas decisões relacionadas à estrutura de funcionamento da Casa. A importância da função explica o interesse crescente das bancadas em conquistá-la.

A disputa pela Primeira-Secretaria, entretanto, vai muito além da ocupação de um cargo na Mesa Diretora. Considerada uma das posições de maior poder dentro da Assembleia Legislativa, atrás apenas da presidência, a função possui influência direta sobre a estrutura administrativa e financeira do Parlamento. Ao lado do presidente, o primeiro-secretário participa de decisões estratégicas relacionadas ao funcionamento da Casa, à gestão de pessoal e aos atos administrativos que movimentam uma estrutura pública com orçamento bilionário.

Para dimensionar o peso dessa disputa, o orçamento destinado ao Poder Legislativo de Mato Grosso em 2026 alcança aproximadamente R$ 1,13 bilhão, conforme a Lei Orçamentária Anual. Para 2027, o projeto orçamentário encaminhado pelo Governo do Estado prevê cerca de R$ 984 milhões diretamente para a Assembleia Legislativa. Quando incluídas as unidades vinculadas ao Legislativo, como o Instituto de Seguridade Social dos Servidores do Poder Legislativo e a Diretoria Gestora do Extinto Fundo de Assistência Parlamentar, a previsão chega a aproximadamente R$ 1,19 bilhão.

Os números ajudam a explicar por que a Primeira-Secretaria se transformou em um dos principais objetos de negociação entre os blocos parlamentares. Não se trata apenas de ocupar uma cadeira de destaque nas sessões ou conquistar representação partidária na direção do Parlamento. O posto integra o núcleo de decisões administrativas de uma instituição que movimenta centenas de milhões de reais anualmente e mantém uma ampla estrutura de servidores, gabinetes, contratos e serviços necessários ao funcionamento do Legislativo estadual.

O Regimento Interno e as normas administrativas da Assembleia conferem ao primeiro-secretário atribuições relevantes na condução institucional da Casa. Entre elas estão a participação nas decisões da Mesa Diretora e em procedimentos relacionados à administração de pessoal. A legislação estadual também estabelece a assinatura conjunta do presidente e do primeiro-secretário em atos de nomeação e exoneração, demonstrando a importância do cargo na estrutura de comando.

Esse poder administrativo, somado à influência política exercida sobre o funcionamento do Parlamento, torna a Primeira-Secretaria uma posição estratégica para qualquer bancada. O ocupante participa da direção de uma instituição com autonomia orçamentária, capacidade de articulação política e presença institucional em todo o Estado.

É nesse contexto que a eventual saída de Dr. João da Primeira-Secretaria ganharia significado político. A perda do cargo representaria não apenas uma mudança na composição da Mesa Diretora, mas também a redução do espaço ocupado pelo MDB na administração do Legislativo, abrindo caminho para que outra legenda ampliasse sua participação no centro das decisões da Assembleia.

Para Republicanos e PL, que elegeram quatro deputados cada, conquistar a função significaria transformar o resultado das urnas em maior influência institucional. Para o MDB, a permanência de Dr. João representaria a preservação de uma posição estratégica e da parceria administrativa estabelecida com Max Russi.

O poder político e administrativo concentrado na Primeira-Secretaria ajuda a explicar por que a disputa ganhou intensidade nos bastidores. A movimentação teve um novo capítulo na noite de terça-feira (27), quando um grupo de dez deputados estaduais se articulou durante um jantar realizado na residência do deputado Faissal Calil (PL), em Cuiabá.

Conforme informações divulgadas pela imprensa, o encontro teve como objetivo fortalecer uma posição conjunta na disputa pela Primeira-Secretaria e construir uma indicação capaz de reunir apoio suficiente para integrar a chapa encabeçada por Max Russi.

Participaram presencialmente da reunião Faissal Calil (PL), Samantha Iris (PL), Alcino Barcelos (PL), Diego Guimarães (Republicanos), Nininho (Republicanos), Chico Guarnieri (PSDB) e Alessandra Ferreira (Podemos). Outros três parlamentares acompanharam as discussões de forma virtual: Dilmar Dal Bosco (União Brasil), Valmir Moretto (Republicanos) e Dr. Eugênio (Republicanos).

O movimento reúne deputados de diferentes partidos e demonstra que a disputa pela Primeira-Secretaria não está restrita às bancadas isoladamente. A estratégia é somar forças para aumentar o peso político do grupo nas negociações com Max Russi, evitando a dispersão dos apoios em candidaturas concorrentes.

Durante o encontro, três nomes foram colocados como alternativas para representar o grupo na disputa: Faissal Calil, Diego Guimarães e Chico Guarnieri. Os parlamentares teriam firmado um entendimento para trabalhar inicialmente pela escolha de um desses deputados, mantendo aberta a possibilidade de apoiar outro nome, desde que a decisão seja construída coletivamente.

A formação desse grupo representa uma pressão direta sobre a pretensão de Dr. João de permanecer na Primeira-Secretaria. O emedebista, por sua vez, já confirmou que pretende disputar a recondução e declarou acreditar que conta com o apoio de 15 a 16 deputados. O número, apresentado pelo próprio parlamentar, ainda depende da consolidação dos compromissos políticos e não representa uma votação formal.

O deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil) também chegou a ser mencionado entre os interessados na função, ampliando o leque de alternativas discutidas nos bastidores. A articulação mais recente, porém, concentra inicialmente as possibilidades nos nomes de Faissal, Diego e Chico Guarnieri.

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) também acompanha as movimentações. Embora tenha afirmado que pretende interferir o mínimo possível na escolha da Mesa Diretora, reconheceu que continuará dialogando com parlamentares e lideranças políticas. Entre os interessados na Primeira-Secretaria, Diego Guimarães é considerado um dos deputados politicamente mais próximos do governador, fator que acrescenta um componente importante à disputa.

A articulação do grupo de dez deputados não significa, necessariamente, a formação de uma chapa adversária à presidência de Max Russi. Pelo contrário, as movimentações divulgadas até agora indicam que a principal intenção é conquistar espaço na composição que deverá ser liderada pelo atual presidente, cuja candidatura à reeleição permanece como a mais consolidada.

A presença de Samantha Iris e Alessandra Ferreira no encontro também chama atenção, especialmente porque Max já manifestou publicamente o desejo de contar com as duas deputadas eleitas na futura Mesa Diretora. A participação delas nas conversas demonstra que as novas parlamentares começam a ocupar espaço nas articulações políticas antes mesmo de assumir seus mandatos.

A disputa exige habilidade política do presidente da Assembleia, que precisará conciliar as pretensões dos partidos sem comprometer a unidade da chapa que pretende liderar. Ao mesmo tempo em que pretende preservar alianças importantes para garantir sua recondução à presidência, Max terá de dialogar com as legendas que cresceram nas urnas e agora reivindicam maior participação na estrutura administrativa.

O presidente procura evitar que a disputa pela Primeira-Secretaria comprometa o entendimento mais amplo entre os deputados. Sua defesa de uma Mesa eclética é também uma sinalização aos grupos políticos de que pretende considerar as diferentes forças partidárias antes de fechar a composição.

Embora não tenha surgido até o momento uma candidatura adversária consolidada à presidência, Max reconhece que outras chapas poderão ser apresentadas. Por isso, trabalha para reunir apoio suficiente e transformar a vantagem política construída após as eleições em uma composição capaz de alcançar consenso.

A participação dos seis novos deputados também será considerada nas articulações. Max entende que os parlamentares eleitos precisam participar das decisões sobre a futura direção da Assembleia, uma vez que integrarão a legislatura responsável pela escolha da Mesa para o biênio 2027-2028.

A estratégia de estabelecer um prazo para os blocos apresentarem seus nomes busca justamente dar ritmo às negociações e impedir que as conversas permaneçam indefinidas. Cada grupo terá de avaliar suas prioridades, identificar os cargos que pretende disputar e buscar os apoios necessários para fortalecer suas posições.

Com isso, novembro deverá concentrar as decisões mais importantes sobre a composição política da futura Mesa Diretora. A expectativa de Max é encaminhar rapidamente as indicações, apresentar sua chapa e alcançar um entendimento antes do período de festas. A eleição formal para o próximo biênio está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os deputados eleitos tomarão posse.

Nos bastidores, o desafio não está apenas na escolha dos nomes, mas na capacidade de conciliar projetos políticos distintos dentro de uma mesma chapa. A disputa entre Republicanos, PL e MDB pela Primeira-Secretaria, a força da bancada do Podemos e a intenção de incluir Samantha Iris e Alessandra Ferreira na direção da Casa formam o cenário que Max terá de administrar nas próximas semanas.

Com o fortalecimento político conquistado nas urnas, o presidente chega às negociações em posição privilegiada. A eleição de seis deputados estaduais, a conquista de uma cadeira federal e a presença do Podemos na suplência do Senado ampliaram seu peso nas relações partidárias e consolidaram uma base de articulação que ultrapassa os limites da Assembleia Legislativa.

Essa condição reduz, neste momento, o estímulo para uma candidatura adversária à presidência. Os grupos que disputam espaço preferem negociar cargos e influência na futura Mesa Diretora a enfrentar diretamente um presidente que chega fortalecido pelo resultado eleitoral e mantém bom trânsito entre diferentes bancadas.

A definição dos nomes apresentados pelos blocos será, portanto, o primeiro teste da capacidade de articulação de Max Russi. Com a candidatura à reeleição já colocada, o presidente trabalha agora para transformar o apoio político que possui em uma chapa eclética, com participação feminina e espaço para diferentes correntes partidárias, enquanto a disputa pelos cargos mais cobiçados continua movimentando os bastidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

VEJA

0:00
/1:43