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Por Nayara Cristina
Mato Grosso alcançou uma posição de destaque nacional ao assumir a liderança entre os estados da Amazônia Legal no acesso às informações ambientais, consolidando um avanço importante na política de transparência pública e na gestão ambiental. O desempenho coloca o estado à frente dos demais entes da região e, em um dos principais indicadores avaliados, supera até mesmo o desempenho da própria União, demonstrando evolução na disponibilização de dados ambientais para a sociedade.
O reconhecimento foi apontado pelo Índice de Democracia Ambiental (IDA), levantamento elaborado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) em parceria com a Transparência Internacional – Brasil, com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). A avaliação analisa critérios relacionados ao acesso à informação, participação social, acesso à Justiça e proteção de defensores ambientais nos nove estados da Amazônia Legal e na esfera federal.
Na dimensão de Acesso à Informação Ambiental, Mato Grosso registrou 74,3 pontos, conquistando classificação de bom desempenho e tornando-se o primeiro estado da Amazônia Legal a superar a União nesse quesito específico, que alcançou 71,9 pontos. O resultado evidencia a ampliação da transparência de informações relacionadas ao licenciamento, monitoramento, fiscalização, cadastros e demais dados ambientais disponibilizados ao cidadão.
Embora a nota geral do estado no índice permaneça classificada como “regular”, Mato Grosso terminou na primeira colocação do ranking entre os estados amazônicos, refletindo um desempenho superior ao dos demais entes avaliados. O estudo também mostra que a média dos estados da Amazônia Legal continua baixa, indicando que ainda existem desafios relevantes para toda a região no fortalecimento da governança ambiental.
Na prática, o avanço da transparência ambiental produz efeitos diretos sobre a economia mato-grossense. O estado é líder nacional na produção de soja, milho, algodão e carne bovina, atividades que dependem cada vez mais de informações ambientais confiáveis para atender exigências dos mercados nacional e internacional. A facilidade de acesso aos dados fortalece a segurança jurídica dos empreendimentos, reduz incertezas para investidores e contribui para a credibilidade das cadeias produtivas perante compradores e instituições financeiras.
Outro impacto relevante está na atração de investimentos. Empresas, fundos de investimento e organismos internacionais têm ampliado a exigência de critérios de governança ambiental (ESG) antes da liberação de recursos. Um sistema público mais transparente favorece a análise de riscos, melhora a imagem institucional do estado e amplia as condições para novos financiamentos destinados à infraestrutura, produção sustentável e recuperação ambiental.
Especialistas também apontam que a publicidade das informações fortalece o controle social e aumenta a eficiência da administração pública, permitindo que produtores rurais, pesquisadores, universidades, órgãos de fiscalização e a própria população acompanhem mais de perto licenças, autorizações, monitoramentos e políticas ambientais.
O levantamento, entretanto, também identifica desafios que permanecem em Mato Grosso. A área relacionada à proteção de defensores ambientais recebeu uma das menores avaliações do estado, indicando necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção, da transparência sobre programas específicos e do fortalecimento dos canais institucionais voltados à prevenção de conflitos socioambientais.
Mesmo diante desses pontos que ainda exigem evolução, a liderança no acesso à informação ambiental representa um importante ativo institucional para Mato Grosso. Em um cenário internacional no qual sustentabilidade, rastreabilidade e governança são fatores decisivos para a competitividade do agronegócio, da indústria florestal e dos investimentos privados, o resultado reforça a posição do estado como referência em transparência na Amazônia Legal e amplia sua credibilidade junto aos mercados e à sociedade.