MULTAS MILIONÁRIAS

Operação aplica R$ 86,8 milhões em multas por crimes ambientais e fiscaliza mais de 10 mil hectares em MT

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Operação aplica R$ 86,8 milhões em multas por crimes ambientais e fiscaliza mais de 10 mil hectares em MT

jbnews

Por Nayara Cristina

Ação integrada em Aripuanã e Colniza durou 13 dias, identificou ocupações irregulares e apreendeu três armas de fogo e munições

Uma operação integrada de combate aos crimes ambientais em Mato Grosso resultou na aplicação de R$ 86,8 milhões em multas e na fiscalização de 10.397,08 hectares nos municípios de Aripuanã e Colniza, no noroeste do estado. A ação, denominada Operação Abafa Amazônia II, foi encerrada no sábado, 17 de outubro de 2026, após 13 dias de atividades.

O balanço foi divulgado pelo Governo de Mato Grosso no próprio sábado (17), às 16h, e revela a dimensão das irregularidades investigadas em uma região considerada estratégica para a preservação da floresta amazônica.

A operação concentrou esforços especialmente na região do Distrito de Guariba, onde equipes de fiscalização realizaram incursões terrestres e utilizaram apoio aéreo para alcançar áreas com indícios de desmatamento ilegal, queimadas, exploração florestal irregular e ocupações clandestinas.

Durante as atividades, também foram apreendidas três armas de fogo e munições.

A operação foi coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), por meio do Batalhão de Emergências Ambientais, e contou com a participação de diferentes órgãos de segurança e fiscalização.

Entre as instituições mobilizadas estavam a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), a Força Nacional de Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

A escolha das localidades fiscalizadas ocorreu a partir de levantamentos de geomonitoramento e informações sobre possíveis infrações ambientais.

De acordo com o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, tenente-coronel Heitor Alves de Souza, as ações foram direcionadas para áreas consideradas prioritárias em razão dos indícios de degradação ambiental.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicavam elevada concentração de focos de calor no noroeste de Mato Grosso, mesmo durante o período estadual de proibição do uso do fogo.

Colniza aparece entre os municípios que mais preocupam as autoridades estaduais em relação à ocorrência de queimadas.

Durante as diligências, as equipes percorreram regiões desmatadas, áreas com registros recorrentes de focos de calor e locais onde havia sinais de ocupação irregular.

O trabalho também buscou interromper atividades consideradas ilegais e identificar responsáveis por possíveis danos ao meio ambiente.

Em Colniza, os agentes localizaram sinais de ocupação em uma área que já estava embargada pelas autoridades ambientais.

No local, havia um barraco aparentemente construído havia pouco tempo, onde os militares encontraram um aparelho celular, um fogão e uma panela ainda quentes, indícios de utilização recente do imóvel.

Durante a vistoria, os agentes encontraram uma garrucha calibre .22, com dois canos, escondida debaixo de um colchão.

Também foi apreendido um recipiente contendo dez munições do mesmo calibre.

Em Aripuanã, outras duas armas foram apreendidas durante as ações de fiscalização: uma espingarda calibre .32 e outra calibre .20.

O balanço oficial não informou a identificação dos responsáveis pelas armas nem detalhou eventual número de prisões decorrentes dessas apreensões.

A operação contou com apoio de aeronave para deslocamento das equipes e reconhecimento de áreas de difícil acesso.

Os sobrevoos permitiram ampliar a fiscalização em regiões onde a chegada por estradas ou trilhas apresenta dificuldades operacionais.

O monitoramento também auxiliou na identificação de possíveis invasões, queimadas e áreas com indícios de desmatamento.

A utilização integrada de informações por satélite, fiscalização terrestre e apoio aéreo permitiu direcionar as equipes para locais apontados previamente como prioritários.

O volume financeiro das multas, que chegou a R$ 86,8 milhões, representa um dos principais resultados da operação.

É importante destacar que o valor corresponde às autuações ambientais anunciadas pelo governo, não significando que o montante já tenha sido efetivamente arrecadado.

A cobrança e o pagamento das penalidades podem depender de procedimentos administrativos, apresentação de defesas e análise de eventuais recursos.

O balanço divulgado não detalhou individualmente todas as multas nem identificou os autuados.

A operação ocorreu durante o período proibitivo de uso do fogo em atividades rurais, que começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026 em Mato Grosso.

Nas áreas urbanas, a proibição permanece durante todo o ano.

O objetivo das restrições é reduzir o risco de incêndios florestais, especialmente durante os meses de estiagem, quando a vegetação apresenta maior vulnerabilidade.

A Operação Abafa Amazônia II integra a estratégia estadual de prevenção, fiscalização e responsabilização por infrações ambientais.

Além dos prejuízos ecológicos, o avanço das queimadas e do desmatamento irregular representa ameaça à saúde da população, à biodiversidade e à segurança das comunidades próximas das áreas atingidas.

Denúncias de uso irregular do fogo podem ser encaminhadas ao Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, ou à Polícia Militar, pelo número 190.