JBNews
Por José Teixeira
FRAUDE FLORESTAL
Operação autorizada pela Justiça Federal de Mato Grosso cumpriu cinco mandados; investigadores apuram participação de madeireiras em fraudes no transporte e comércio de jatobá
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (20), a Operação Ligna Ficta para investigar um grupo suspeito de atuar no comércio ilegal de madeira nativa e fraudar sistemas oficiais de controle florestal. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Barro Alto (GO) e Unaí (MG), expedidos pela Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Barra do Garças, em Mato Grosso.
As investigações começaram após a apreensão de um caminhão carregado com aproximadamente 52 metros cúbicos de jatobá, em Barra do Garças. A madeira era transportada sem o Documento de Origem Florestal (DOF), enquanto a nota fiscal apresentava descrição de mercadoria diferente daquela encontrada pelos agentes.
A partir dessa apreensão, a PF identificou indícios de um esquema envolvendo madeireiras de Goiás e Minas Gerais, que atuariam de maneira coordenada na negociação, no financiamento do transporte e na comercialização da madeira.
Um dos principais pontos da investigação é a utilização de créditos florestais sem correspondência com estoques físicos de madeira. Segundo a suspeita, esses registros poderiam ser utilizados para conferir aparência de legalidade à circulação de produtos florestais cuja origem não estava devidamente comprovada.
Os investigadores também identificaram a abertura sucessiva de empresas, mecanismo que teria permitido a continuidade das atividades suspeitas. A apuração busca esclarecer a participação de cada empresa e identificar os responsáveis pela movimentação da madeira.
A operação envolve diretamente Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, embora os mandados desta terça-feira tenham sido cumpridos apenas nos dois últimos estados.
A Polícia Federal ainda não divulgou quantas pessoas são investigadas, seus nomes ou a identificação das madeireiras envolvidas. Também não apresentou estimativa do faturamento irregular, dos possíveis lucros obtidos ou dos prejuízos ambientais e financeiros associados às fraudes.
Os documentos e equipamentos apreendidos serão submetidos à perícia para identificar fornecedores, compradores, movimentações comerciais e a origem da madeira.
A investigação poderá esclarecer a dimensão econômica do esquema e se outras empresas participaram das operações suspeitas.
Até o momento, não foram anunciadas prisões ou bloqueios de valores. O procedimento continua sob investigação, sem divulgação de conclusões definitivas sobre a responsabilidade dos envolvidos.