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Por Nayara Cristina
A Justiça de Mato Grosso determinou a realização de um leilão envolvendo 709 imóveis vinculados ao Grupo Engeglobal, que enfrenta um processo de recuperação judicial. O patrimônio, distribuído entre empreendimentos imobiliários nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, será oferecido em um único lote, com proposta inicial de R$ 18 milhões.
O edital foi publicado no Diário Oficial da Justiça em 20 de outubro de 2026 e assinado pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, especializada em processos de recuperação judicial e falência.
O leilão está marcado para 26 de novembro de 2026, das 9h às 15h, no horário de Brasília, exclusivamente pela internet, por meio da plataforma M7 Leilões. Os interessados deverão realizar o cadastramento até as 17h do dia 25 de novembro.
O conjunto de bens reúne 469 unidades habitacionais e frações imobiliárias do Residencial Ipatinga, localizado em Sorocaba, no interior de São Paulo, além de 240 unidades do Residencial 25 de Agosto, situado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
Uma das particularidades do procedimento é a existência de uma proposta prévia de R$ 18 milhões apresentada pela empresa Santa Clara SPE 9 Ltda., que funcionará como referência para a disputa.
Conforme as condições estabelecidas no edital, outros participantes poderão apresentar propostas superiores, respeitando o incremento mínimo de R$ 500 mil em relação ao valor inicial ou ao maior lance registrado.
A Santa Clara terá direito de preferência na aquisição. Isso significa que, caso outro interessado apresente uma proposta vencedora, a empresa poderá igualar o valor e assumir a compra, desde que manifeste essa intenção no prazo de 48 horas após ser formalmente intimada.
Se decidir não exercer a preferência, terá direito a uma indenização correspondente a 5% do valor da arrematação, a ser paga pelo comprador, conforme as regras previstas para a operação.
Outro aspecto relevante é que os imóveis incluídos no leilão estão ocupados. O edital estabelece responsabilidades para o futuro adquirente, incluindo despesas com regularização imobiliária, obtenção de licenças, eventual conclusão de obras e resolução de conflitos relacionados à posse das unidades.
Apesar da alienação judicial do patrimônio, os atuais ocupantes e mutuários terão prioridade para adquirir as unidades em que residem, observadas as condições do plano de recuperação judicial. Para isso, deverão receber notificação individual e terão prazo de 30 dias para manifestar interesse.
O edital também prevê a transferência dos imóveis sem determinados ônus anteriores abrangidos pela legislação de recuperação judicial, como hipotecas e penhoras, dentro das condições legais aplicáveis à operação.
A proposta inicial de R$ 18 milhões poderá ser paga em três parcelas de R$ 6 milhões, de acordo com os prazos estabelecidos no procedimento.
A realização do leilão representa uma etapa importante da recuperação judicial do grupo empresarial, que busca reorganizar obrigações financeiras por meio da alienação de ativos.
Embora o processo tramite em Cuiabá, os bens que serão comercializados estão localizados fora de Mato Grosso, demonstrando a dimensão interestadual do patrimônio vinculado à recuperação judicial.
O valor efetivo da venda dependerá da participação de interessados e dos lances apresentados durante o procedimento marcado para novembro.