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Por Nayara Cristina
ÀS VÉSPERAS DO JÚRI
A Justiça de Mato Grosso autorizou a transferência temporária do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de participação no financiamento do assassinato do advogado Roberto Zampieri, de Brasília para Cuiabá, onde ele deverá permanecer para se reunir presencialmente com a defesa antes do novo Tribunal do Júri marcado para o fim de setembro.
A decisão foi tornada pública nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, e foi proferida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá.
Caçadini está atualmente custodiado no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília, e deverá ser levado para Cuiabá até o dia 26 de setembro de 2026.
O objetivo da transferência é permitir que o acusado tenha encontros presenciais com os advogados responsáveis por sua defesa antes da sessão do Tribunal do Júri, marcada para 29 de setembro de 2026, às 9h, no Plenário da 1ª Vara Criminal do Fórum de Cuiabá.
O pedido foi apresentado pela advogada Sarah Quinetti, responsável pela defesa do coronel.
Ao autorizar a medida, o magistrado considerou que a garantia constitucional da ampla defesa exige não apenas acesso formal ao processo, mas também condições materiais para que a defesa técnica seja exercida adequadamente.
A nova decisão muda a situação logística do réu às vésperas do julgamento, mas não revoga a prisão preventiva.
Caçadini continuará preso.
A autorização também não contradiz outra decisão proferida dias antes.
Em 8 de setembro de 2026, a Justiça havia rejeitado um pedido da defesa para que o coronel fosse transferido definitivamente de Brasília para uma Organização Militar em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Naquela ocasião, a defesa sustentou que a mudança facilitaria o acompanhamento da saúde do acusado e permitiria maior proximidade com seus familiares.
O pedido foi negado porque o juízo entendeu que questões de conveniência logística não superavam os fundamentos relacionados à segurança e ao interesse do processo.
Agora, a situação é diferente.
A transferência autorizada em 11 de setembro tem caráter temporário e está diretamente vinculada à preparação do Tribunal do Júri em Cuiabá.
Além da transferência, a Justiça determinou uma nova diligência pericial relacionada ao processo.
Foi autorizada a extração de dados de uma segunda via de um HD SATA WD Blue, de 500 GB, apreendido durante as investigações e mantido sob o lacre nº 04236016.
A perícia foi marcada para 14 de setembro de 2026, às 14h, nas dependências da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso.
O procedimento deverá ser acompanhado por oficial de Justiça, com ciência do Ministério Público e da assistente de acusação Adriana Ribeiro Garcia Bernardes Zampieri.
O novo julgamento será realizado após a interrupção do primeiro júri.
A sessão anterior começou em 28 de agosto de 2026 e chegou a ouvir seis testemunhas, mas precisou ser interrompida depois que um dos jurados apresentou problemas de saúde.
Com isso, o Conselho de Sentença foi dissolvido e todos os atos do julgamento terão de ser renovados diante de um novo grupo de jurados.
Além de Caçadini, serão novamente julgados Antônio Gomes da Silva, apontado pela acusação como executor dos disparos, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de prestar apoio logístico.
Os três respondem por homicídio triplamente qualificado e permanecem presos preventivamente.
Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, em frente ao próprio escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
A investigação relaciona o crime a uma disputa agrária e judicial envolvendo uma propriedade rural avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.
Segundo a acusação, Caçadini teria participado do crime mediante promessa de recompensa financeira. A defesa nega responsabilidade e sustenta a inocência do coronel.
A decisão desta sexta-feira, portanto, não significa liberdade nem mudança definitiva do local de custódia.
Ela cria uma exceção temporária para que Etevaldo Caçadini seja trazido de Brasília para Cuiabá, se reúna presencialmente com seus advogados e participe da preparação do novo julgamento.
Com a chegada do coronel à capital mato-grossense, a perícia marcada para 14 de setembro e o novo júri confirmado para 29 de setembro, o caso Zampieri entra novamente em uma fase decisiva quase três anos depois do assassinato.
A informação publicada hoje pelo Olhar Direto confirma exatamente essa mudança: Brasília → Cuiabá para preparação do júri, enquanto o pedido anterior Brasília → Belo Horizonte continuou negado.