A indústria de Mato Grosso apresentou crescimento de 1% em agosto de 2026, na comparação com julho, mas registrou retração de 4,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os números foram divulgados na quinta-feira (8 de outubro) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam um cenário de recuperação mensal ainda insuficiente para reverter as perdas acumuladas pelo setor industrial mato-grossense.
Os dados integram a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional (PIM-PF Regional), que acompanha o desempenho da atividade industrial em diferentes unidades da Federação.
Embora tenha apresentado resultado positivo na comparação mensal, Mato Grosso permanece entre os estados com desempenho negativo no confronto anual. A retração de 4,4% em relação a agosto de 2025 foi mais intensa que a média brasileira, que apresentou queda de 1,2% no mesmo período.
O resultado coloca em evidência a diferença entre uma recuperação pontual e uma trajetória consistente de crescimento. Enquanto a atividade industrial mato-grossense avançou de julho para agosto, a produção permaneceu abaixo daquela registrada um ano antes.
A pesquisa também mostrou que a média móvel trimestral da indústria de Mato Grosso recuou 1,9% no trimestre encerrado em agosto. Esse indicador reduz o efeito de oscilações isoladas e ajuda a identificar a tendência mais recente da produção. O desempenho negativo demonstra que o crescimento registrado em agosto ainda não foi suficiente para estabelecer uma trajetória sustentada de recuperação.
No cenário nacional, dez dos quinze locais pesquisados pelo IBGE apresentaram queda na produção industrial em agosto, na comparação com julho. As maiores retrações ocorreram no Pará, com 7,3%, Amazonas, com 5,7%, e Rio Grande do Sul, com 4,5%.
Mato Grosso ficou no grupo dos estados que conseguiram apresentar resultado mensal positivo, ao lado de Bahia, Rio de Janeiro e Paraná. A Bahia liderou o crescimento industrial no período, com avanço de 3,7%.
Entretanto, quando considerada a comparação com agosto de 2025, o desempenho mato-grossense voltou ao campo negativo. Além de Mato Grosso, estados como Pará, Maranhão, Ceará e Bahia também registraram retração superior à média nacional.
Outro indicador que chama a atenção é o desempenho da indústria no confronto entre os dois primeiros quadrimestres de 2026.
Em Mato Grosso, a produção industrial havia apresentado crescimento de 4,2% nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período de 2025. No segundo quadrimestre, de maio a agosto, esse crescimento desacelerou para apenas 0,2%.
A diferença de quatro pontos percentuais entre os dois períodos demonstra uma perda expressiva de dinamismo ao longo do ano.
O comportamento industrial é particularmente relevante para Mato Grosso em razão da importância econômica das atividades de processamento de produtos agropecuários, fabricação de alimentos, produção de biocombustíveis e transformação de matérias-primas.
Apesar da forte presença dessas atividades na economia estadual, os números gerais divulgados pelo IBGE não permitem atribuir a retração de agosto a um segmento específico sem examinar os indicadores setoriais correspondentes.
O desempenho da indústria influencia o ambiente de investimentos, a demanda por serviços, a movimentação logística e as perspectivas de geração de empregos, mas os percentuais de produção física, isoladamente, não permitem calcular perdas financeiras ou postos de trabalho.
No acumulado dos últimos doze meses, a atividade industrial de Mato Grosso ainda apresentou retração de 1%, embora tenha demonstrado melhora em relação ao indicador anterior, que registrava queda de 1,8%.
Os dados divulgados em 8 de outubro deixam um sinal de atenção para a economia mato-grossense: apesar da reação mensal, a indústria encerrou agosto produzindo menos que no mesmo período de 2025 e com crescimento praticamente estagnado no segundo quadrimestre.
O desafio para os próximos meses será transformar a recuperação de agosto em uma sequência consistente de resultados positivos, capaz de reduzir as perdas acumuladas e recuperar o ritmo de expansão da produção industrial.