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Por José Teixeira
Com R$ 10 milhões em investimentos, primeiro free shop de MT será inaugurado dia 19 em Cáceres e promete movimentar economia da fronteira
Empreendimento do Grupo Cometa terá 590 metros quadrados, mais de 40 empregos diretos e expectativa de atrair consumidores de cidades situadas em um raio de até 700 quilômetros; abertura inaugura nova etapa para o turismo de compras no Oeste mato-grossense.
A cidade de Cáceres, localizada a aproximadamente 225 quilômetros de Cuiabá, se prepara para inaugurar, no próximo dia 19 de outubro, o primeiro free shop de Mato Grosso. O empreendimento, denominado Pantanal Free Shop, recebeu investimentos superiores a R$ 10 milhões do Grupo Cometa e representa uma aposta na transformação da economia regional por meio do turismo de compras, da geração de empregos e da atração de consumidores brasileiros e estrangeiros.
A inauguração está marcada para segunda-feira (19), a partir das 10 horas, na Avenida São Luís, nº 1.991, bairro Junco, às margens da BR-070. O estabelecimento funcionará em uma estrutura de aproximadamente 590 metros quadrados, preparada para comercializar produtos nacionais e importados sob um regime tributário especial.
O empreendimento chega à região Oeste com a expectativa de criar mais de 40 empregos diretos e movimentar atividades econômicas que vão além do comércio varejista. A previsão dos investidores é atrair consumidores de municípios localizados em um raio de até 700 quilômetros, alcançando diferentes regiões de Mato Grosso e aproveitando a localização estratégica de Cáceres na fronteira com a Bolívia.
A abertura foi confirmada em divulgações realizadas nos dias 7 e 9 de outubro. O projeto também é resultado de uma articulação institucional iniciada em 2025, com participação do Governo de Mato Grosso, da Prefeitura de Cáceres e da Assembleia Legislativa.
Em 4 de junho de 2025, o governador Mauro Mendes sancionou, em Cáceres, a legislação estadual que viabilizou o funcionamento de lojas francas no município. A medida abriu caminho para a instalação do empreendimento, posteriormente submetido aos procedimentos de habilitação e fiscalização da Receita Federal.
A implantação do Pantanal Free Shop é uma iniciativa empresarial privada. O investimento é do Grupo Cometa, fundado pelo empresário Francis Maris Cruz, que também já administrou o município de Cáceres. A participação do poder público ocorreu principalmente na estruturação das condições legais e institucionais necessárias à instalação da loja.
O governador Mauro Mendes participou diretamente da etapa de viabilização legal do projeto, mas, até o momento, não foi possível confirmar oficialmente sua presença na solenidade de inauguração marcada para 19 de outubro.
O novo empreendimento pretende explorar um mercado ainda pouco desenvolvido em Mato Grosso: o comércio de mercadorias nacionais e importadas em lojas francas de fronteira, que operam com benefícios tributários específicos e regras de controle estabelecidas pela Receita Federal.
A estrutura terá setores destinados à comercialização de perfumes, cosméticos, eletrônicos, bebidas, roupas, acessórios e artigos de pescaria. A proposta é oferecer produtos de diferentes marcas e faixas de preços, ampliando as opções de consumo disponíveis aos moradores de Cáceres e aos visitantes de outras cidades.
O investimento representa também uma diversificação das atividades do Grupo Cometa, conglomerado empresarial que nasceu em Cáceres e expandiu seus negócios principalmente pelos segmentos automotivo e agropecuário, com operações em diferentes estados brasileiros.
Segundo o fundador do grupo, Francis Maris Cruz, o projeto ultrapassa a proposta de abrir uma loja e integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento regional.
A expectativa é transformar Cáceres em um destino de compras, aproveitando a posição geográfica do município e sua relação econômica e cultural com a Bolívia. A iniciativa pretende complementar as atividades tradicionais do turismo local, especialmente a pesca esportiva, a visitação ao Pantanal e os serviços relacionados à cadeia turística.
O impacto econômico esperado não se limita às vendas realizadas dentro do free shop. Cada visitante atraído para a cidade representa uma possibilidade de consumo em restaurantes, hotéis, postos de combustíveis, supermercados, empresas de transporte e outros estabelecimentos.
Em agosto, a gerente do empreendimento, Eliandra Moreira Dutra, apresentou à administração municipal as perspectivas econômicas da loja e destacou que o desafio será fazer com que os consumidores permaneçam mais tempo em Cáceres, movimentando diversos setores da economia.
O raciocínio é que uma viagem inicialmente motivada pela compra de produtos importados poderá gerar despesas adicionais com hospedagem, alimentação, transporte e lazer.
Para os empresários locais, a expectativa é que o aumento da circulação de pessoas estimule novos negócios, principalmente nas áreas de comércio, gastronomia, hotelaria e prestação de serviços.
A geração de empregos também aparece entre os principais resultados esperados. As mais de 40 vagas diretas anunciadas abrangem funções de vendas, operação de caixas, controle de estoque, administração, segurança, limpeza e gestão.
Além dessas contratações, a operação poderá ampliar a demanda por serviços terceirizados, transportadoras, empresas de manutenção, fornecedores e profissionais ligados à logística.
Ainda não existe, entretanto, um levantamento público consolidado que permita afirmar quantos empregos indiretos serão efetivamente criados ou qual será o incremento financeiro anual na economia de Cáceres. Esses resultados dependerão do volume real de consumidores, do faturamento da loja e da capacidade do comércio local de aproveitar o movimento adicional.
O potencial de expansão do turismo de compras está diretamente ligado às características da fronteira mato-grossense. Cáceres mantém relações históricas com a cidade boliviana de San Matías, além de funcionar como ponto de conexão entre diferentes municípios da região Oeste e o restante do estado.
Com a instalação do free shop, os investidores pretendem oferecer uma alternativa de consumo que reduza a necessidade de deslocamentos para centros comerciais mais distantes, além de atrair visitantes interessados nos benefícios tributários associados ao regime de loja franca.
Um dos diferenciais será a possibilidade de adquirir mercadorias com isenção de tributos dentro dos limites estabelecidos pela legislação federal. Nas lojas francas terrestres brasileiras, a cota de compras com isenção é de US$ 500 por pessoa a cada intervalo de 30 dias, conforme as regras da Receita Federal.
O limite é individual e não significa que qualquer volume de mercadorias poderá ser adquirido livremente. As operações são registradas e controladas eletronicamente, e determinadas categorias de produtos também possuem restrições quantitativas específicas.
As compras não se destinam à revenda comercial, mas ao consumo próprio ou a presentes, observadas as condições legais. A diferença de preços em relação ao comércio convencional dependerá de fatores como origem da mercadoria, tributação, câmbio, custos logísticos e política comercial do estabelecimento.
A loja também poderá contribuir para fortalecer a posição de Cáceres no mercado regional de turismo. O município já dispõe de atrativos naturais relacionados ao Pantanal e ao Rio Paraguai, além de receber visitantes interessados em pesca esportiva, turismo de natureza e atividades culturais.
A intenção dos investidores é incorporar o turismo de compras a esse conjunto de atrações, criando novas razões para que visitantes incluam Cáceres em seus roteiros.
Experiências de municípios da fronteira sul do Brasil demonstram que lojas francas podem se tornar importantes instrumentos de movimentação comercial. Em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, por exemplo, dados divulgados pelo município apontam que as vendas dos free shops cresceram 35% em 2025, alcançando US$ 50,6 milhões.
O resultado é utilizado como referência para demonstrar o potencial do setor, embora não possa ser automaticamente reproduzido em Mato Grosso, uma vez que as condições de mercado, circulação turística, logística e poder de compra são diferentes.
Em Cáceres, a distância dos principais centros de abastecimento representa um dos desafios. Parte das mercadorias importadas percorre milhares de quilômetros desde portos e centros de distribuição até a região Oeste de Mato Grosso.
Para reduzir o impacto do transporte nos preços finais, o empreendimento pretende trabalhar com consolidação de cargas, negociação de fretes e planejamento de estoque.
A questão logística será determinante para a competitividade da loja. Mesmo com benefícios tributários, o custo de transportar e armazenar mercadorias poderá influenciar os preços e a capacidade de atrair compradores de municípios distantes.
O poder público municipal também terá um papel importante no aproveitamento do novo fluxo de consumidores. A melhoria da infraestrutura urbana, da sinalização turística, da mobilidade e da oferta de serviços poderá contribuir para transformar visitantes de passagem em turistas que permaneçam na cidade.
Para o município, a oportunidade econômica está justamente em ampliar o consumo para além do próprio empreendimento.
A legislação estadual sancionada em junho de 2025 também estabeleceu uma contrapartida social vinculada às vendas das lojas francas, com destinação de 5% do valor das operações ao Fundo de Apoio Social de Mato Grosso (FUS-MT), conforme divulgado pela Prefeitura de Cáceres na ocasião da sanção.
A efetiva aplicação dessa previsão e seus efeitos financeiros dependerão da regulamentação pertinente e da execução das operações, não sendo possível antecipar valores de arrecadação antes do início das vendas.
Com a inauguração marcada para 19 de outubro, Cáceres passará a contar com um novo empreendimento de comércio internacional, reunindo investimento privado, incentivos legais e expectativas de fortalecimento econômico.
Mais do que a abertura de uma loja, o Pantanal Free Shop representa uma tentativa de ampliar a vocação econômica da região de fronteira, criando novas oportunidades de negócios e articulando turismo, comércio e serviços.
O tamanho desse impacto começará a ser medido após a abertura, quando o volume de vendas, a origem dos consumidores, a geração efetiva de empregos e os reflexos sobre os demais setores da economia municipal poderão demonstrar a dimensão real do investimento.