Revisão divulgada nesta quinta-feira acrescenta 930 mil toneladas à estimativa estadual; milho de segunda safra lidera crescimento e algodão também registra avanço
Mato Grosso teve sua estimativa de produção agrícola elevada para 114,1 milhões de toneladas em 2026, consolidando a liderança nacional na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas. Os novos números foram divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), referente ao mês de setembro.
De acordo com o levantamento, a produção estadual está estimada em 114.167.585 toneladas, um acréscimo de 930.020 toneladas em relação à projeção anterior, divulgada com referência a agosto. A revisão representa crescimento de aproximadamente 0,82% em apenas um mês.
O resultado reforça a participação de Mato Grosso no agronegócio brasileiro. Considerando a estimativa nacional de 354.508.637 toneladas, o Estado responde por aproximadamente 32,2% da produção de grãos, cereais e oleaginosas prevista para o país.
Na prática, isso significa que quase uma em cada três toneladas previstas no levantamento nacional deverá ser produzida em território mato-grossense.
A principal contribuição para a revisão positiva veio do milho de segunda safra, uma das culturas de maior importância econômica para Mato Grosso.
A estimativa da produção estadual de milho safrinha passou de 57.080.023 toneladas, no levantamento anterior, para 57.841.978 toneladas em setembro.
A diferença representa um aumento de 761.955 toneladas, equivalente a aproximadamente 1,33% sobre a projeção de agosto.
O volume adicional de milho corresponde a cerca de 82% de todo o acréscimo registrado na estimativa estadual de cereais, leguminosas e oleaginosas entre os dois levantamentos.
A dimensão da produção de milho em Mato Grosso está diretamente relacionada à estrutura do agronegócio estadual, que combina grandes áreas de cultivo, mecanização agrícola, armazenamento, transporte e comercialização para o mercado interno e externo.
O milho também possui participação relevante no abastecimento das cadeias de produção de proteína animal, especialmente nas atividades de avicultura, suinocultura e fabricação de rações, além de servir como matéria-prima para a indústria de etanol de milho instalada no Estado.
Outra cultura que apresentou revisão positiva foi o algodão. Conforme os dados divulgados pelo IBGE, a estimativa passou a 6.656.501 toneladas, um aumento de 274.323 toneladas em relação ao levantamento anterior.
A variação corresponde a um crescimento de aproximadamente 4,3% e confirma a importância da cotonicultura para a economia mato-grossense.
Mato Grosso reúne uma das principais estruturas produtivas de algodão do país, com atividades que envolvem o cultivo, beneficiamento, armazenamento e comercialização da fibra, além da movimentação de empresas de transporte, serviços e fornecimento de insumos agrícolas.
A soja, principal produto da pauta de exportações mato-grossense, apresentou estabilidade na comparação mensal. A estimativa divulgada para setembro ficou em 50.665.337 toneladas, sem alteração expressiva em relação ao volume projetado em agosto.
Mesmo sem uma revisão significativa, a soja permanece entre as culturas de maior peso na produção agrícola estadual e na movimentação econômica relacionada à comercialização internacional de commodities.
A liderança de Mato Grosso na estimativa nacional está associada, principalmente, ao desempenho conjunto da soja e do milho, culturas que respondem pela maior parcela do volume produzido no Estado.
No ranking nacional, Mato Grosso permanece à frente do Paraná, segundo colocado na estimativa de produção agrícola brasileira.
O volume projetado para o Estado também evidencia sua importância para o funcionamento da infraestrutura logística do país, uma vez que a movimentação de grandes quantidades de grãos exige capacidade de armazenagem, transporte rodoviário e ferroviário, além de acesso aos corredores de exportação.
A revisão divulgada pelo IBGE não representa, necessariamente, aumento proporcional da receita dos produtores ou da arrecadação estadual. O resultado financeiro das atividades agrícolas depende de fatores como preços de comercialização, custos de produção, câmbio, demanda e despesas logísticas.
Da mesma forma, o acréscimo de 930 mil toneladas corresponde a uma atualização estatística da estimativa de produção, e não à confirmação de uma colheita adicional realizada exclusivamente durante setembro.
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola é atualizado periodicamente pelo IBGE, com informações sobre área plantada, área colhida, rendimento médio e produção das principais culturas agrícolas do país.
As projeções podem ser revistas à medida que novas informações sobre as lavouras e os resultados das colheitas são incorporadas ao levantamento.
Com a atualização de setembro, divulgada em 15 de outubro, Mato Grosso alcança a estimativa de 114,17 milhões de toneladas, sustentada principalmente pela revisão positiva do milho de segunda safra e do algodão.
O resultado mantém o Estado como principal produtor agrícola do Brasil em volume de cereais, leguminosas e oleaginosas, com participação superior a 32% na projeção nacional para 2026.