TRANSIÇÃO DE GOVERNO

Pivetta antecipa entrada de Gisela no governo e nomeia vice eleita para cargo estratégico na Casa Civil

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Pivetta antecipa entrada de Gisela no governo e nomeia vice eleita para cargo estratégico na Casa Civil

JB News

Por José Teixeira

Nomeação publicada nesta quinta-feira coloca Gisela Simona na estrutura administrativa do Palácio Paiaguás antes da posse em 2027 e sinaliza participação direta na preparação do novo mandato

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), antecipou a entrada da vice-governadora eleita Gisela Simona (União Brasil) na estrutura administrativa do Estado. Por meio de um ato publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (15 de outubro), Gisela foi nomeada para o cargo de assessora especial I da Casa Civil, passando a integrar oficialmente a equipe do Executivo estadual antes mesmo de assumir a vice-governadoria, em janeiro de 2027.

A nomeação foi formalizada pelo Ato nº 2.204/2026, assinado na quarta-feira (14), no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, pelo governador Otaviano Pivetta e pelo secretário-chefe da Casa Civil, Eduardo Manciolli. O documento estabelece que a nomeação produz efeitos a partir desta quinta-feira (15).

Gisela ocupará um cargo comissionado de Direção Geral e Assessoramento, classificado no nível DGA-2, com lotação na Unidade de Programas de Governo, vinculada à Casa Civil. Embora o ato não especifique as atribuições que serão desempenhadas pela vice-governadora eleita, sua chegada à estrutura administrativa representa um movimento de aproximação com os setores responsáveis pela articulação e pelo acompanhamento das ações governamentais.

A decisão ocorre apenas 11 dias depois da vitória da chapa formada por Pivetta e Gisela nas eleições de 4 de outubro, quando o governador conquistou a reeleição ainda no primeiro turno. Com isso, a futura vice-governadora passa a participar da administração estadual antes do início oficial do mandato para o qual foi eleita.

A movimentação também ganha relevância diante da intenção já manifestada por Gisela de integrar a Comissão de Transição do Governo. Em entrevistas concedidas após a vitória eleitoral, ela demonstrou disposição para acompanhar mais de perto o funcionamento da máquina pública, conhecer a estrutura das secretarias e participar das discussões sobre as prioridades administrativas para os próximos quatro anos.

A expectativa é que essa aproximação permita à vice-governadora eleita aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento dos órgãos estaduais, os programas em execução, os resultados das políticas públicas e os desafios que deverão ser enfrentados pela administração a partir de 2027.

O trabalho de diagnóstico poderá envolver a análise de indicadores, despesas, projetos estratégicos e programas governamentais, com a identificação de iniciativas que apresentam resultados positivos e de setores que necessitam de ajustes. Entretanto, o ato de nomeação não estabelece formalmente essas responsabilidades nem confirma sua designação para uma comissão específica de transição.

A entrada antecipada de Gisela também ocorre em meio às primeiras alterações promovidas por Pivetta na composição de sua equipe após a reeleição. Na terça-feira (13), o governador anunciou Eduardo Manciolli para comandar a Casa Civil, uma das principais estruturas políticas e administrativas do Executivo estadual.

Manciolli, que participou da coordenação da campanha eleitoral de Pivetta, assumiu a função anteriormente exercida por Adjaime Ramos, que retorna ao posto de secretário adjunto de Relações Políticas. A mudança representa uma reorganização da área responsável pelo relacionamento do governo com a Assembleia Legislativa, os demais Poderes, as instituições e as secretarias estaduais.

Com a chegada de Gisela, a Casa Civil passa a reunir dois nomes diretamente ligados à construção do novo ciclo político do governador: Manciolli, na condução da pasta, e a futura vice-governadora, na Unidade de Programas de Governo.

A escolha de Gisela para integrar antecipadamente a administração também possui significado político. Filiada ao União Brasil, ela foi escolhida para compor a chapa governista após a desistência do deputado federal Fábio Garcia de disputar a vice-governadoria. Sua entrada na disputa preservou a participação do União Brasil na composição majoritária e ampliou a representação feminina na chapa vencedora.

Antes de ser eleita vice-governadora, Gisela construiu uma trajetória ligada à administração pública e à política mato-grossense. Servidora de carreira do Procon Estadual, ganhou projeção pela atuação na defesa dos direitos dos consumidores e posteriormente exerceu mandato como deputada federal por Mato Grosso.

A experiência acumulada no Executivo e no Legislativo poderá contribuir para sua atuação na articulação entre diferentes setores da administração, especialmente em temas que dependem da integração entre secretarias e da definição de prioridades governamentais.

Além do conhecimento administrativo, sua participação antecipada no governo abre espaço para a construção de uma relação de trabalho mais próxima com os integrantes do primeiro escalão e com as equipes técnicas responsáveis pela execução das políticas públicas.

O principal desafio será transformar o conhecimento adquirido nesse período em propostas concretas capazes de melhorar a eficiência dos serviços estaduais, identificar gargalos administrativos e estabelecer prioridades compatíveis com as necessidades da população.

A nomeação, porém, não significa que Gisela já tenha assumido as atribuições constitucionais da vice-governadoria. Até a posse do novo mandato, ela exercerá uma função comissionada na Casa Civil, sem as prerrogativas próprias do cargo eletivo para o qual foi escolhida nas urnas.

Ao antecipar sua entrada na estrutura governamental, Pivetta sinaliza a intenção de incorporar a futura vice às discussões administrativas antes de janeiro de 2027. O movimento também permite que Gisela inicie o próximo mandato com maior familiaridade com os programas estaduais, a composição das equipes e os desafios da gestão.

A decisão marca uma nova etapa da reorganização do Palácio Paiaguás após as eleições e coloca a vice-governadora eleita em posição de acompanhar, desde agora, a preparação das ações que deverão orientar o governo nos próximos quatro anos.